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Por que o estresse aumenta a vontade de comer chocolate, pizza e hambúrguer? – NOTÍCIAS SOBRE O RIO GRANDE DO NORTE

Estresse e cansaço podem aumentar a vontade de comer. Nutricionista explica a fome emocional e sugere lanches nutritivos. Foto: Freepik.

Estresse e cansaço podem aumentar a vontade de comer. Nutricionista explica a fome emocional e sugere lanches nutritivos. Foto: Freepik.

Depois de um dia cansativo ou estressante, é comum surgir a vontade de comer chocolate, pizza, hambúrguer ou outros alimentos associados ao prazer e ao conforto. A relação entre emoções e alimentação, porém, vai além da fome física e pode envolver memórias, cultura, experiências e afetos.

Segundo a nutricionista Giovana Torres, da Hapvida, buscar prazer na comida não é um problema por si só. A atenção deve estar voltada ao padrão de comportamento, principalmente quando comer passa a ser a principal estratégia utilizada para lidar com sentimentos como estresse, ansiedade, tristeza ou frustração.

“Em situações de estresse ou exaustão, alimentos mais palatáveis, como doces e frituras, podem ganhar ainda mais apelo justamente pela sensação de conforto que proporcionam. Comer algo gostoso depois de um dia complicado não é, por si só, um comportamento problemático. A diferença está no padrão. Quando tristeza, ansiedade, tédio, estresse ou frustração passam a desencadear automaticamente a busca por comida, principalmente quando a pessoa sente que não consegue escolher outra forma de lidar com aquilo ou que perdeu o controle. É aí que o comportamento merece atenção”, orienta a nutricionista.

Fome física ou vontade emocional?

Uma das formas de compreender a relação com a comida é observar como a vontade surge. A fome física tende a aparecer de maneira gradual e pode ser atendida por diferentes tipos de alimentos.

“Já uma vontade emocional pode surgir de maneira repentina e estar direcionada especificamente para determinado alimento”, orienta Giovana Torres.

Isso não significa que uma vontade específica precise ser sempre evitada. Para a nutricionista, comer por prazer também pode fazer parte de uma relação equilibrada com a alimentação.

“Comer por prazer também é legítimo. Nem toda vontade de comer precisa ser justificada pela fome física. O objetivo não é transformar a alimentação em uma matemática de ‘certo e errado’, e sim desenvolver percepção e autonomia”, completa a nutricionista.

Por que a fome pode voltar pouco depois de comer?

Outro cenário comum ocorre quando a pessoa passa o dia com uma rotina corrida, chega em casa com muita fome e opta por um alimento rápido. Pouco tempo depois, a vontade de comer novamente pode aparecer.

A nutricionista explica que isso não significa necessariamente que a escolha alimentar tenha sido inadequada.

“Muitas vezes, simplesmente falta uma combinação capaz de oferecer maior saciedade, ou a fome já estava grande demais e aquele lanche não tinha como substituir uma refeição completa”, pontua Giovana.

De modo geral, combinações que reúnem proteínas, fibras, carboidratos e fontes de gordura tendem a proporcionar maior sustentação do que alimentos consumidos isoladamente.

“Uma fruta, por exemplo, pode ser uma ótima escolha, mas acompanhá-la de iogurte e sementes torna o lanche mais completo. Da mesma forma, um pão com ovo, frango ou queijo e vegetais tende a sustentar mais do que um alimento composto principalmente por carboidrato”, explica a nutricionista, comentando que o lanche ideal precisa combinar sabor e saciedade, além de ser prático o suficiente para caber na vida real.

Como conciliar alimentos gostosos e alimentação equilibrada

Chocolate, pizza, hambúrguer e sorvete não precisam ser tratados como alimentos proibidos. De acordo com a profissional, uma alternativa é abandonar a lógica de restrição e buscar escolhas que conciliem prazer e nutrição.

“Nutrição não precisa ser sobre encontrar o substituto ‘fit’ de tudo. É também aprender a consumir o alimento original com equilíbrio. No caso do chocolate, por exemplo, é possível escolher uma versão que agrade ao paladar, observar a quantidade e, se fizer sentido para a pessoa, optar por opções com maior percentual de cacau. Na pizza, ingredientes como frango, atum, queijo e vegetais podem compor sabores mais completos. O mesmo raciocínio vale para hambúrgueres e sorvetes: a ideia é montar uma refeição que satisfaça, sem transformar a comida em uma disputa entre permitido e proibido”, orienta.

Opções rápidas para o fim do dia

Para quem procura alternativas práticas, algumas combinações sugeridas pela nutricionista são:

Doces

  • Iogurte natural ou proteico + banana ou morangos + aveia ou granola;
  • Banana amassada + cacau + pasta de amendoim;
  • Maçã + iogurte + canela;
  • Pão ou torrada + pasta de amendoim + banana.

Salgados

  • Pão integral ou de fermentação natural + ovo mexido + queijo;
  • Tapioca + queijo + ovo;
  • Sanduíche de pão + frango desfiado + queijo + tomate;
  • Iogurte ou cottage + torradas + tomate e temperos.

Pergunta pode ajudar a identificar a necessidade

Para quem costuma terminar o dia pensando “eu mereço comer alguma coisa”, a nutricionista recomenda observar qual necessidade está por trás da vontade.

“A pessoa deve se perguntar ‘do que eu estou precisando agora? A resposta pode ser comida, mas também pode ser descanso, uma pausa, uma companhia, um carinho ou simplesmente alguns minutos de prazer”, frisa.

A identificação dessas necessidades pode ampliar as possibilidades de resposta diante do cansaço ou do estresse, sem retirar da comida o espaço que ela pode ocupar.

Outra estratégia apresentada pela profissional é evitar o acúmulo excessivo de fome durante o dia. Refeições adequadas podem reduzir a possibilidade de chegar à noite com fome intensa e com a sensação de necessidade de comer grandes quantidades imediatamente.

“No final, uma alimentação equilibrada não é aquela em que nunca comemos chocolate, pizza, hambúrguer ou sorvete. É aquela em que esses alimentos conseguem coexistir com os alimentos que nutrem o nosso corpo, sem culpa, sem medo e sem a sensação de que precisamos compensar depois. Comer bem não significa comer perfeitamente, mas construir uma relação possível, prazerosa e sustentável com a alimentação”, reforça a profissional.

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Fonte: O Poti

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