A divulgação do áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece solicitando R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro repercutiu entre políticos do Rio Grande do Norte e expôs divisões no campo da direita potiguar.
A gravação, revelada pelo site The Intercept Brasil nesta quarta-feira (13), integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.
No RN, parlamentares ligados ao bolsonarismo reagiram majoritariamente em defesa de Flávio Bolsonaro e passaram a cobrar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso envolvendo o Banco Master. Já setores da esquerda afirmam que o episódio reforça suspeitas sobre a relação entre figuras do bolsonarismo e o ex-banqueiro.
O deputado federal Fernando Mineiro (PT-RN) usou as redes sociais para associar diretamente o escândalo ao entorno político da família Bolsonaro.
“O BolsoMaster está aí com toda sua clareza! Esse áudio divulgado hoje desmascara de vez as relações do bolsonarismo com Daniel Vorcaro e o Banco Master, envolvido no maior escândalo financeiro do Brasil. Se alguém ainda duvidava ou tentava esconder, agora não dá mais!”, publicou o parlamentar.
A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) também comentou a repercussão do caso e relacionou a denúncia a outros episódios investigados pela Polícia Federal envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro:
“Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Após o escândalo da mesada de R$ 500 mil para Ciro Nogueira, surge mais um capítulo que parece roteiro de filme de máfia”, escreveu a deputada em publicação nas redes sociais.
Do lado bolsonarista, o deputado federal Coronel Hélio (PL-RJ), aliado da família Bolsonaro e com forte atuação política no RN, reforçou a defesa da abertura de uma CPI para investigar o Banco Master e o caso Vorcaro.
Na mesma linha, o presidente municipal do PL em Natal e pré-candidato ao Senado afirmou nas redes sociais que a esquerda estaria tentando impedir o avanço das investigações.
“Façam uma reflexão: por que a esquerda é contra a CPI do Banco Master? Estamos juntos Flávio Bolsonaro. Vamos passar o Brasil a limpo! CPI do Banco Master já!”, publicou.
Já os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e o deputado federal General Girão (PL-RN) evitaram comentários diretos sobre o conteúdo do áudio divulgado pelo Intercept. Ambos optaram por republicar a nota oficial e vídeos divulgados por Flávio Bolsonaro em defesa própria.
Na manifestação pública, Flávio admitiu o contato com Vorcaro, mas negou irregularidades. O senador afirmou que o apoio financeiro buscado dizia respeito exclusivamente ao patrocínio do filme biográfico “Dark Horse”, centrado na trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo ele, não houve promessa de vantagens, intermediação de negócios ou recebimento de recursos pessoais.
O caso surge em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master e possíveis conexões políticas envolvendo integrantes do Centrão e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A repercussão nacional do episódio também provocou fissuras entre nomes da direita brasileira. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificou o caso como “imperdoável”, enquanto Ronaldo Caiado (União Brasil) afirmou que Flávio “precisa responder” sobre sua relação com Vorcaro. Outros aliados do bolsonarismo, como Rodrigo Constantino e Janaina Paschoal, também fizeram críticas públicas após a divulgação do áudio.
O caso amplia o desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e adiciona pressão sobre o núcleo bolsonarista às vésperas da intensificação do calendário eleitoral de 2026.
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Fonte: saibamais.jor.br





