A área da engorda da praia de Ponta Negra, em Natal, voltou a apresentar pontos de alagamento nesta quarta-feira (11) após as chuvas que atingiram a capital desde a madrugada. A situação, segundo a Prefeitura, foi “prevista”.
Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) afirmou que as chuvas da madrugada concentraram uma grande quantidade de volume de água em pouco tempo.
“Somando o quadro pluviométrico ao das marés, não houve condições para escoar o volume acumulado. Situação prevista e que já está sendo objeto de um projeto complementar de drenagem para que o problema seja sanado”, disse a pasta.
Ainda segundo o posicionamento, a praia de Ponta Negra sofre com “espelhos d’água”, como classificou a Seinfra, sempre que chove acima de 40mm. Somente em Ponta Negra, choveu mais de 95 mm, em curto intervalo, entre a noite desta terça (10) e a manhã desta quarta-feira (11).
“Importante destacar que, sem a obra da engorda, os danos à região seriam maiores e mais graves”, concluiu a pasta.
Imagens feitas ao longo da manhã da quarta pelo canal de transmissão ao vivo WebcamNatal mostraram água acumulada próxima ao mar, dificultando o acesso à faixa de areia em alguns pontos. Comerciantes que atuam na orla relataram impactos diretos na rotina de trabalho:
“Sempre que chove, surge essas lagoas que se formam aqui na praia. A água fica acumulada e dificulta a circulação das pessoas, o que acaba afetando também nossas vendas”, afirmou Joana Santos, comerciante de biquínis na praia de Ponta Negra.
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A Agência SAIBA MAIS procurou o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, que justificou que quem está acompanhando e avaliando todo o perfil do aterro e principalmente a questão da drenagem é a Seinfra. A reportagem também entrou em contato com a assessoria da Seinfra para conversar com a titular Shirley Cavalcanti, mas não obtivemos retorno.
A citada “obra complementar” para a engorda já foi falada desde o começo do ano passado pela Prefeitura, mas ainda não executada.
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A engorda da Praia de Ponta Negra foi oficialmente concluída no dia 25 de janeiro de 2025. A obra alargou a faixa de areia em 4,6 quilômetros, desde a Via Costeira até o Morro do Careca, um dos principais cartões-postais de Natal.
Foram usados aproximadamente 1,3 milhão de metros cúbicos de areia na obra. Desde a sua inauguração, no entanto, a engorda apresentou problemas, principalmente com os alagamentos, em razão da falta de drenagem do projeto.
Falta de estudos de impacto ambiental
A obra começou a ser feita em setembro de 2024. A Prefeitura de Natal, ainda na gestão de Álvaro Dias, obteve uma liminar obrigando o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN) a emitir a licença ambiental para iniciar a engorda, mesmo sem a apresentação dos estudos de impacto ambiental e do projeto de drenagem.
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Antes disso, o ex-prefeito Álvaro Dias, acompanhado do então pré-candidato a prefeito Paulinho Freire (União Brasil), secretários municipais e cargos comissionados, arrombou o portão do Idema para exigir a liberação do início da engorda de Ponta Negra.
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O Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte (MPF-RN), no final de fevereiro, pediu na Justiça que Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fiscalizasse a obra, além de avaliar os alagamentos e outros possíveis efeitos gerados pela falta de drenagem no local.
Uma vistoria da Defesa Civil Nacional em Ponta Negra, realizada entre os dias 23 e 25 de outubro de 2024, apontou que a engorda não poderia ter sido feita sem o fim das obras de drenagem, como havia exigido o Idema. A obra, no entanto, foi feita sem nenhuma fiscalização.
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Fonte: saibamais.jor.br
