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Projeto Acalanto, em Natal, auxilia famílias que querem adotar

Criado há cerca de 30 anos, o Acalanto Natal é um grupo de apoio à adoção de crianças e adolescentes que atua na busca por garantia à convivência familiar e comunitária. O projeto já realizou mais de 2.000 entrevistas com pais adotivos e biológicos em busca da adoção legal, além de ter contribuído para a conclusão de mais de 1.000 processos de adoção.

Neste Dia das Mães, a Agência SAIBA MAIS conversou com a presidência do projeto e com uma das famílias que receberam apoio do grupo. Em comum, histórias de amor e de esperança no processo adotivo.

A advogada Mariana Vilanova é a atual presidente do Acalanto Natal. Ela explica que o projeto é uma Organização da Sociedade Civil que atua em várias frentes, como orientações a quem deseja iniciar o processo de adoção, acompanhamento psicológico gratuito às famílias, acolhidos e pretendentes à adoção, suporte jurídico e auxílio às mães que desejam realizar a entrega legal de seus filhos. 

Segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), o Rio Grande do Norte possuía até a última quinta-feira (7) 46 crianças e adolescentes disponíveis para adoção, a maioria deles acima de 12 anos, e majoritariamente negros. Por outro lado, o número de pretendentes ativos no Estado era de 555 — uma conta que não fecha, reconhece Vilanova, e que está associada a diferentes fatores.

“As famílias têm um perfil e cada vez mais há uma consciência de quem são essas crianças que estão hoje na instituição de acolhimento, porque muitas vezes passa essa ideia que só tem bebês ou crianças pequenas e não. Na verdade, essas crianças pequenas e bebês rapidamente acabam sendo adotadas. Então, ainda é um perfil mais procurado, mas a gente vê também já uma mudança de comportamento e hoje a gente vê que crianças até 8 anos têm sido mais tranquilas de adoção”, conta. Grupos de irmãos e pessoas com deficiência também enfrentam maiores dificuldades para conseguirem uma família.

Em maio, no Mês da Adoção, Mariana Vilanova diz que a organização atua ainda mais acerca da importância desse ato. “Toda criança e todo adolescente tem direito a ter uma família. Os grupos de apoio à adoção trabalham por isso”, aponta.

Quem ganhou um novo lar desde dezembro de 2023 foi a pequena Lívia Maria, hoje com dois anos e cinco meses. A menina é filha de Walesca Costa e de sua companheira. Walesca conta que desde que ela e a esposa se conheceram havia um desejo do casal de adotar: “sempre foi um sonho”. Depois do casamento, a vontade aumentou ainda mais, mas pairavam dúvidas sobre como dar início ao processo. Foi por um amigo que elas descobriram o Acalanto. 

A entrada no processo foi em 2019, e elas foram habilitadas no SNA em 2020. “Como estava naquele período ainda da pandemia, foi um pouquinho mais demorado, mas em 2020 a gente entrou no sistema, e agora em dezembro de 2023 a gente recebeu a ligação”, explica.

O perfil pretendido pelo casal era de uma criança de 0 a 3 anos, sem preferência por sexo. Para a surpresa de Walesca e da esposa, veio uma recém-nascida, que entrou no sistema por meio da entrega legal feita pela genitora. A chegada de Lívia Maria, diz Walesca, mudou a vida do casal “para mil vezes melhor”.

“A chegada é um pouco assustadora, porque diferente de uma gestação de nove meses, cronometrada, foi uma gestação de três anos e nove meses, mas que a gente não sabia que ela terminaria nessa data”, conta.

Walesca e a esposa adotaram Lívia Maria no final de 2023 – Foto: cedida

“Mas mudou a nossa vida completamente. A nossa experiência com a adoção tem sido incrível”, afirma Walesca, que já entrou novamente na fila para adotar um segundo filho com a companheira, agora com a possibilidade de ser uma criança maior. 

“A experiência da gente tem sido incrível. A família toda, todo mundo foi envolvido nesse processo, e ela hoje é a alegria de toda a família, tanto da minha quanto da dela”, revela.

Mariana Vilanova, presidente da Acalanto, não possui filhos adotivos, apenas biológicos, mas enxerga na participação no projeto um dever cívico.

“A própria Constituição Federal fala que o dever de cuidar da criança e do adolescente é do Estado, da sociedade e da família. Então, enquanto sociedade civil organizada, que é o que o Acalanto é, eu entendo que é um dever cidadão a gente cuidar dessas crianças e adolescentes que estão em situação de acolhimento, porque eles têm os mesmos direitos e eles merecem ter cuidado, ser amados, como os meus filhos também”, reflete.

“Se você entrar numa instituição de acolhimento e perguntar para cada 10, 10 vão dizer que o que eles desejam é ter uma família. Então, é isso que mobiliza a gente. O Acalanto tem muitos voluntários e a gente trabalha, eu costumo dizer, com amor e por amor, porque ser voluntário é isso, é não cansar e é um ajudar o outro, mas é trabalhar nesse propósito e nesse dever cidadão mesmo. Pelo menos é assim que eu acredito”, diz a advogada.

Fonte: saibamais.jor.br

Valcidney Soares

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