O Rio Grande do Norte aparece entre as unidades da Federação com maior distância entre ricos e pobres no Brasil. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento dos 10% mais ricos no estado é 16,3 vezes superior ao dos 40% mais pobres. O índice coloca o RN em posição de destaque nacional, atrás apenas do Distrito Federal, onde a diferença chega a 19,7 vezes, e do Rio de Janeiro, com 16,4 vezes.
O levantamento revela que a desigualdade de renda segue elevada no país, embora esteja abaixo dos níveis observados antes da pandemia de covid-19. Em 2025, os 10% mais ricos da população brasileira tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa. O valor é 13,8 vezes maior que o recebido pelos 40% mais pobres, cuja renda mensal foi de R$ 663.
No ano anterior, essa diferença era de 13,2 vezes. Apesar do aumento entre 2024 e 2025, o resultado atual é o segundo menor da série histórica iniciada em 2012.
Para chegar aos números, o IBGE considerou todas as formas de rendimento das famílias. Entram na conta salários, bônus, aposentadorias, pensões alimentícias, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e aplicações financeiras, entre outras fontes. O valor total foi dividido pelo número de moradores de cada domicílio.
A diferença entre o rendimento dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres variou nos últimos anos:
| Ano | Diferença |
|---|---|
| 2019 | 16,9 vezes |
| 2020 | 14,8 vezes |
| 2021 | 17,0 vezes |
| 2022 | 14,3 vezes |
| 2023 | 14,3 vezes |
| 2024 | 13,2 vezes |
| 2025 | 13,8 vezes |
O avanço da desigualdade de 2024 para 2025 ocorreu porque a renda dos 10% mais ricos cresceu 8,7%, já descontada a inflação. Entre os 40% mais pobres, a alta foi menor, de 4,7%.
Quando o recorte é mais amplo, porém, o quadro muda. Desde 2019, último ano antes da pandemia, os 40% mais pobres acumularam crescimento de 37,6% nos rendimentos. Entre os 10% mais ricos, a alta foi de 11,9%, percentual considerado pelo IBGE “bastante abaixo” do registrado nas demais classes.
O avanço é ainda mais expressivo entre os 10% mais pobres da população. De 2019 a 2025, o rendimento médio mensal desse grupo subiu 78,7%, passando de R$ 150 para R$ 268.
Para o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, a redução da desigualdade no período mais longo está ligada à combinação entre mercado de trabalho e programas sociais.
“Se a gente analisar o mercado de trabalho nesse período mais longo, a gente vê que as classes de menor renda tiveram ganhos importantes, reajuste salarial mínimo, a expansão dos programas sociais do governo.”
A partir de 2020, com a pandemia de covid-19, o governo federal ampliou a abrangência e o valor do principal benefício social do país, o Bolsa Família, que na gestão anterior também recebeu nomes como Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil. A pesquisa também coletou informações sobre programas de assistência social mantidos por estados e municípios.
Mesmo com a melhora em relação aos anos anteriores à pandemia, o IBGE avalia que “a desigualdade no país, ainda que tenha caído em relação aos anos que precederam a pandemia, permanece em níveis bastante acentuados”.
O estudo também expõe uma desigualdade regional. Enquanto os 40% mais pobres do Brasil têm rendimento familiar médio mensal de R$ 663 por pessoa, no Sul esse valor chega a R$ 978. Em seguida aparecem Centro-Oeste, com R$ 846, e Sudeste, com R$ 842. Já Norte e Nordeste ficam abaixo da média nacional, com R$ 490 e R$ 449, respectivamente.
É nesse cenário que o Rio Grande do Norte se destaca negativamente. Com diferença de 16,3 vezes entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, o estado aparece entre os três maiores níveis de disparidade do país. Na outra ponta, as menores desigualdades foram registradas em Mato Grosso, com diferença de 9,1 vezes, e Santa Catarina, com 8,4 vezes.
São Paulo, maior estado do país, apresentou relação de 11,9 vezes entre ricos e pobres, ocupando a 12ª posição entre as unidades da Federação com menor disparidade.
Fonte: saibamais.jor.br





