Início Atualizações do sagrado ao profano, sebo na Cidade Alta tem raridades

do sagrado ao profano, sebo na Cidade Alta tem raridades

0
Geraldo Carneiro, proprietário do sebo

Eles já foram tidos como velhos, bregas, mortos e fora de moda. Com a chegada do CD e, depois, do streaming e a disponibilidade de milhares de músicas, os vinis pareciam mesmo ter sido enterrados no passado. Mas, parece que ouvir o lado A e lado B, botar a agulha para tocar num vinil e apreciar seus encartes caprichados tem mesmo um sabor especial, tanto é que eles estão em alta e esses não são argumentos só de saudosistas.

De acordo com a pesquisa do Mercado Brasileiro de Música, da Pró-Música, as vendas físicas de música cresceram 31,5% em 2024 e o vinil é responsável por 76,7% desse faturamento. Quem também confirma a alta do vinil é a Audio Tech Lifestyles da Futuresource Consulting, que aponta um aumento de 18% na venda de vinil nos últimos cinco anos.

Boa parte da comercialização dos vinis ainda se dá nos sebos, onde é possível catar raridades, encontrar coleções e até discos novos. Funcionando há dez anos e em processo de expansão, o Sebo Toca Discos, no bairro da Cidade Alta, é prova de que boa música não sai de moda. O lugar tem um acervo de mais de 25 mil unidades entre vinis e dvd’s, tudo devidamente organizado por ordem alfabética.  

Do rock ao axé, do clássico ao sertanejo, dá para encontrar de tudo no Toca Discos, que fica localizado na Galeria Eldorado, no centro de Natal. O sebo, que funcionou até na pandemia, tem boa parte da clientela na internet e entre colecionadores de raridades.  

“Eu coloquei isso como um hobby e acabou se transformando num comércio. O objetivo era divulgar a música de uma maneira geral e movimentar a cena cultural”, explica o professor aposentado Geraldo Carneiro, proprietário do Toca Discos. 

Geraldo Carneiro, proprietário do sebo

Na loja é possível encontrar vinis do Clube da Esquina, os clássicos do rock and roll, Xuxa, Axé e até gospel.

Tive o privilégio de ter vendido os dois discos mais caros do Brasil, o primeiro de Roberto Carlos, que vendi por R$ 4.500 e o primeiro disco de Lula Côrtes e Zé Ramalho, Paêbirú, que vendi por R$ 8.500. Hoje ainda temos algumas coisas raras, como o primeiro disco de Gal [Costa], Fatal, tenho Transa, de Caetano [Veloso]. De uma maneira geral, a loja vive mais desses colecionadores de coisas raras”, revela Geraldo. 

O sebo tem algumas raridades

Apesar de ser professor de filosofia aposentado da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e não depender da loja para pagar as contas de casa, o proprietário do espaço conta que o negócio vai muito bem sozinho. 

Eu acho que não tem como não dar certo. É um mercado que está muito aquecido e a preocupação da gente é com como comprar discos raros, porque como são disco usados, fica difícil repor. Vendi agora um disco de R$ 560 e é um disco que talvez nunca mais apareça”, avalia Geraldo. 

Vinis mais raros são procurados também pela internet

O disco ao qual ele se refere é A Bela Lindoneia – Um Amor Impossível, sobre a Tropicália. 

Tem discos, como o do Clube da Esquina, que você pega uma vez na vida. Esse mesmo Paêbirú, eu tenho um na minha casa e ontem mesmo já foi uma pessoa lá olhar porque quer comprar por R$ 20 mil e eu ainda estou pensando se vendo ou não”, revela o professor aposentado. 

Para quem começou o sebo de forma despretensiosa, apenas por lazer, já faz planos de ampliação para dar conta do acervo crescente de vinis. 

Hoje eu até tiro dinheiro daqui. Quando comecei tinha a metade do material que está nessa sala”, conta Geraldo que já está aumentando a loja para ocupar uma terceira sala.

Acervo do sebo é organizado em ordem alfabética

Fonte: saibamais.jor.br

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile