NATAL — A oficialização do empresário do entretenimento e ex-cantor paraibano Netinho Lins como primeiro suplente na chapa de reeleição da senadora Zenaide Maia (PSD) acendeu o sinal de alerta nos bastidores políticos do Rio Grande do Norte. A indicação foi uma exigência direta do presidente estadual do Republicanos, Abraão Lincoln, como moeda de troca para consolidar o apoio do partido à candidatura de Allyson Bezerra ao governo do Estado. No entanto, o arranjo político trouxe para o centro da disputa eleitoral duas extensas fichas de investigação da Polícia Federal (PF).
Netinho Lins, atual CEO do Grupo DuBem, teve o nome bancado pelas cúpulas nacionais do Centrão em Brasília. A costura política local, capitaneada por Abraão Lincoln, garantiu o espaço do empresário na chapa majoritária. O movimento estratégico visa garantir capilaridade financeira e partidária, mas expõe a coligação ao desgaste público devido aos problemas dos envolvidos com a Justiça.
Operação Overclean e fraudes com emendas
O novo suplente de Zenaide Maia é um dos principais alvos da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal. O inquérito apura um sofisticado esquema criminoso que envolve:
- Fraudes em licitações públicas
- Desvios de verbas de emendas parlamentares
- Lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada
A presença de Netinho na chapa virou munição para adversários políticos, que questionam os critérios éticos adotados para a composição do grupo que concorrerá ao Senado.
O padrinho político e o escândalo do INSS
A situação jurídica do padrinho da indicação também adiciona pressão sobre a aliança. Abraão Lincoln foi indiciado recentemente pela PF no âmbito da Operação Sem Desconto.
A investigação aponta Lincoln como peça-chave em um esquema bilionário de descontos indevidos e sem autorização diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS. Os desvios ocorriam supostamente por meio da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade controlada por ele.
Com a PF fechando o cerco contra o coordenador do partido e o candidato a suplente, a campanha de Allyson Bezerra e a busca de Zenaide Maia pela reeleição devem enfrentar forte desgaste em torno do discurso de moralidade administrativa e combate à corrupção.

