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Estudo da Prefeitura reconhece alagamentos em Ponta Negra e admite erosão

Em um Estudo Técnico Preliminar (ETP), a Prefeitura de Natal diz que os problemas de drenagem em Ponta Negra podem favorecer o transporte de sedimentos em direção à faixa de areia. O documento, de 38 páginas, reconhece que existem alagamentos na faixa da praia — o termo é citado 17 vezes, no singular ou plural, embora o discurso oficial da Prefeitura fale em “espelhos d’água” — este, citado apenas uma vez. Além disso, o texto elenca os resultados positivos esperados com a nova obra, que incluem a redução de alagamentos, erosão e escoamento descontrolado para a orla.

A obra, prevista para durar cinco meses, vai receber um investimento de R$21 milhões. A proposta contempla a implantação de três reservatórios subterrâneos de água distribuídos em três pontos da orla, conhecidos como reservatórios de detenção e infiltração com capacidade total de armazenamento de até 50 mil metros cúbicos. O objetivo é minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia desde a inauguração do aterro hidráulico no início de 2025.

O Estudo Técnico Preliminar é datado de 14 de abril de 2026 e assinado por Billjean Caramithelle D’avila Lucena Nóbrega, diretora do Departamento de Planejamento da Prefeitura. 

De acordo com o documento, os estudos hidrológicos demonstram que os dissipadores nº 8, 9 e 16 recebem contribuição de uma área aproximada de 31,66 hectares. Essa área apresenta declividade de aproximadamente 40m, característica que favorece o escoamento superficial rápido das águas pluviais em direção às cotas mais baixas do terreno da praia, chegando nos dissipadores existentes com grande pressão. Em razão dessa condição, durante eventos de chuva, há pouca absorção natural da água no solo, o que resulta na concentração de grandes volumes em um curto intervalo de tempo.

Para eventos pluviométricos mais severos, conforme os estudos hidrológicos, estima-se que o volume de água gerado possa atingir aproximadamente 30.502 m³. 

“Esse quantitativo evidencia a magnitude das vazões envolvidas e a pressão exercida sobre o sistema de drenagem existente, que, sem capacidade adequada de controle e amortecimento, tende a apresentar sobrecarga, contribuindo para a ocorrência de alagamentos e outros impactos urbanos”, prossegue o texto.

Essa insuficiência do atual sistema, segundo o ETP, pode favorecer o transporte de sedimentos em direção à faixa de praia, contribuindo para alterações localizadas na sua conservação e potencializando processos erosivos.

O documento ainda aponta os resultados que se pretende alcançar com a nova obra de drenagem. Na área ambiental, os resultados esperados são:

• Redução do lançamento concentrado de águas pluviais na faixa de areia; 

• Minimização de processos erosivos localizados na orla; 

• Preservação das condições físicas e paisagísticas da praia; 

• Redução do transporte de sedimentos em direção à faixa de areia; 

• Promoção da infiltração das águas pluviais, contribuindo para o equilíbrio hídrico local. 

O estudo também cita os resultados técnicos e operacionais que são buscados:

• Redução dos volumes de escoamento superficial direcionados à orla; 

• Diminuição dos picos de vazão em eventos de chuva intensa;

• Melhoria do desempenho hidráulico do sistema de drenagem nas áreas de contribuição; 

• Redução da sobrecarga nos dispositivos de lançamento existentes na faixa de praia; 

• Maior eficiência no controle e condução das águas pluviais. 

Além destes, a Prefeitura também cita resultados que espera sob contexto urbano e social, e econômicos e administrativos.

A licitação está prevista para o dia 27 de maio. A partir dessa etapa, serão respeitados os prazos legais do processo licitatório. A expectativa é que, após a conclusão dessa fase, seja iniciada a implantação do novo sistema de drenagem no início do segundo semestre.

Confira o documento do Estudo Técnico Preliminar:

Alagamentos vão permanecer

Em evento com a imprensa na quarta-feira (13), o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, afirmou que os “espelhos d‘água” vão continuar, mas em menor volume.

Mesquita defendeu a obra da engorda e disse que não houve problemas na execução — embora uma primeira drenagem já tenha sido feita e entregue no ano passado.

“A formação dos espelhos d’águas não é um problema. Nós temos ali aproximadamente uma bacia de 400 mil metros quadrados, que quando chove em torno de 120 milímetros, por exemplo, como foi a última chuva, você tem 120 milhões de litros de água que descem até Ponta Negra”, disse o secretário.

Segundo ele, a Prefeitura buscará fazer um espraiamento e diminuir a velocidade com que a água chega até a orla.

“O que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está fazendo agora é complementando ainda mais esse mesmo sistema com o objetivo de retardar ainda mais, diminuir ainda mais a sua velocidade para que a água chegue ainda mais espraiada na praia.”

Apesar disso, o secretário afirmou que os “espelhos d’água” na orla vão continuar a existir.

Saiba Mais: Engorda: Prefeitura anuncia nova obra de drenagem, mas diz que “espelhos d’água” continuarão

“Havendo chuvas acima de 60 milímetros, continuará a formar espelhos d’água. Um volume menor, numa espessura menor, com maior capacidade de retenção, mas como explicamos aqui hoje, o sistema está sendo melhorado, mas ele continua com a mesma concepção”, explicou.

Fonte: saibamais.jor.br

Valcidney Soares

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