Faltam poucos dias para o encerramento da primeira pesquisa voltada exclusivamente ao perfil de pessoas transmasculinas no Rio Grande do Norte. Conduzido pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT-RN), o levantamento segue aberto até o próximo dia 17 de maio e busca reunir informações sobre condições de vida, acesso à saúde, escolaridade, trabalho e experiências de transfobia vividas por homens trans e pessoas transmasculinas no estado.
A iniciativa é realizada de forma online e anônima e pretende enfrentar um problema histórico apontado pelo instituto, a falta de dados oficiais sobre essa população no RN. Segundo o coordenador-geral do IBRAT-RN, Bruno Aires, a ausência dessas informações dificulta a formulação de políticas públicas e contribui para a invisibilização das demandas transmasculinas.
“Quando não existem dados, parece que nossas vidas também não existem para o poder público. A pesquisa nasce justamente da necessidade de mostrar que estamos aqui, em diferentes cidades do estado, enfrentando dificuldades concretas e precisando de acesso à saúde, alimentação, moradia e trabalho”, afirma.
O formulário reúne perguntas sobre nome social, renda, escolaridade, parentalidade, acompanhamento hormonal, saúde mental, inserção no mercado de trabalho e insegurança alimentar. O estudo também busca identificar como a transfobia impacta a vida cotidiana dessa população.
Acesse o formulário aqui.
De acordo com Bruno, o fato de a pesquisa ser organizada por pessoas transmasculinas ajuda a criar um ambiente de maior confiança entre os participantes.
Além de produzir um retrato social da população transmasculina potiguar, o levantamento deve servir como ferramenta de incidência política. A expectativa do instituto é utilizar os dados em diálogos com secretarias estaduais e municipais, serviços de saúde e outros órgãos públicos.
Mesmo dentro do movimento LGBTQIA+, as transmasculinidades frequentemente enfrentam processos de invisibilização. Enquanto debates públicos e políticas voltadas à população trans costumam concentrar atenção nas vivências de mulheres trans e travestis, homens trans e pessoas transmasculinas relatam dificuldades para acessar espaços de representação, atendimento em saúde e reconhecimento social. A falta de dados oficiais sobre essa população também contribui para o apagamento de suas demandas específicas.
“Historicamente, ouvimos que somos poucos ou que nossas demandas não seriam prioridade. Quando temos dados organizados, conseguimos cobrar políticas públicas de forma mais concreta e mostrar que essa população existe em todo o estado”, diz Bruno.
O IBRAT-RN atua em cidades como Natal, Mossoró, Pau dos Ferros, Parnamirim e Tibau. Segundo o instituto, a mobilização para ampliar a participação no mapeamento tem acontecido principalmente por meio das redes locais e dos ambulatórios trans do estado.
Criado nacionalmente em 2013, o IBRAT atua em diferentes estados brasileiros com ações voltadas à formação política, produção de pesquisas e defesa de direitos da população transmasculina. No RN, o núcleo estadual considera o estudo um passo importante para construir dados locais e fortalecer a rede de apoio entre pessoas transmasculinas.
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Fonte: saibamais.jor.br





