O Rio Grande do Norte aparece como o estado brasileiro que mais avançou na segurança pública nos últimos três anos. O resultado faz parte do “Ranking de Competitividade dos Estados 2026 – Eleições”, novo estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) que faz um raio-X para entender os resultados das gestões estaduais.
Além do Rio Grande do Norte, o estudo mostra que os maiores avanços recentes em segurança pública estão concentrados em Goiás, Rondônia e Sergipe. O RN se destaca por reunir melhorias intensas e bem distribuídas, enquanto Goiás aparece como o principal destaque do Centro-Oeste. Já Rondônia combina uma melhora consistente com um avanço significativo de posição na dimensão analisada.
Por outro lado, parte das regiões Sul e Sudeste apresenta crescimento mais lento, mesmo mantendo boas posições no geral. Esse é o caso de estados como São Paulo e, em menor medida, Paraná. Isso indica um cenário de maior estabilidade estrutural, mas com menos dinamismo nos avanços recentes.
Já na trajetória dos 10 melhores estados, o RN tem um avanço constante nos últimos anos: saiu da 14ª posição em 2023 para 9º em 2024 e agora o 3º lugar no ranking geral, atrás de Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
“O estudo busca qualificar o debate eleitoral com base em evidências concretas, ao mesmo tempo em que chama atenção não apenas para quem está na liderança, mas também para os estados que vêm mostrando evolução. A proposta é incentivar políticas públicas mais eficientes e orientadas a resultados”, afirma Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP.
Coronel Francisco Araújo, titular da Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) do estado, destaca uma série de fatores que fizeram o Rio Grande do Norte alcançar uma posição de destaque.
“Esse avanço é resultado direto da união entre as forças de segurança, do melhor emprego de tecnologias, do fortalecimento das investigações, da ampliação de equipamentos e, sobretudo, da valorização dos nossos profissionais. Temos trabalhado de forma contínua para reduzir a violência e garantir mais segurança à população”, aponta.
Dados
O Rio Grande do Norte investiu mais de R$ 500 milhões em segurança pública entre 2019 e 2025, que resultaram em redução expressiva na criminalidade. Em 2025, por exemplo, o RN alcançou a segunda maior redução de mortes violentas intencionais (CVLI) dos últimos 15 anos, consolidando uma trajetória histórica de queda na criminalidade no estado.
Segundo dados consolidados pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine), vinculada à Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), e fornecidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram registradas ao longo de 2025 853 mortes violentas em todo o território potiguar.
De acordo com a série histórica iniciada em 2011, o RN saiu de um pico de violência em 2017 — considerado o ano mais violento da história recente, com 2.272 crimes. Na comparação com esse período, a diferença representa uma redução de 1.419 mortes, o equivalente a uma queda de aproximadamente 62,6% em relação ao pior momento da série.
A diminuição nos índices de mortes violentas também foi observada nas maiores cidades do Estado: Natal e Mossoró. Em Natal, foram registradas 151 mortes violentas em 2025. Na série histórica dos últimos 15 anos, o maior número havia sido contabilizado em 2013, com 579 homicídios. No total, são 428 crimes a menos, o que representa uma redução de 73,9%.
Já em Mossoró, 2025 marca a maior redução da série histórica desde 2011. Foram registradas 79 mortes violentas no ano. No comparativo com 2017 — ano com o maior quantitativo de mortes violentas dos últimos 15 anos, quando 238 crimes foram registrados — a redução foi de 159 mortes, o equivalente a uma queda de 66,8%.
Gestão pública
O RN também se destaca na gestão pública, sendo o segundo estado que mais avançou nessa área nos últimos três anos. Neste campo, são considerados 20 indicadores de dois pilares do Ranking de Competitividade dos Estados: Eficiência da Máquina Pública e Solidez Fiscal. O desempenho potiguar indica avanços na capacidade do estado de melhorar a gestão administrativa, ampliar a eficiência do setor público e fortalecer mecanismos de governança.
“O resultado também reforça uma tendência observada em parte dos estados do Nordeste, que vêm acelerando reformas e políticas de modernização da gestão pública, reduzindo distâncias históricas em relação aos estados tradicionalmente líderes”, afirma Wesley Henrique Barcelos, Analista de Relações Governamentais e Competitividade do CLP.
Barcelos explica que a dimensão de Gestão Pública é composta por dois pilares: Eficiência da Máquina Pública e Solidez Fiscal. Dentro do pilar de Eficiência da Máquina Pública, observando os destaques de crescimento, o Rio Grande do Norte foi o segundo que mais cresceu no indicador de Custo do Executivo, e o quarto melhor nos indicadores de Produtividade dos Magistrados e Servidores do Judiciário, Equilíbrio de Gênero no Emprego Público Estadual, Eficiência do Judiciário e Custo do Legislativo/PIB.
Já no pilar de Solidez Fiscal, que complementa a dimensão de Gestão Pública, o Rio Grande do Norte é o estado do país que mais cresceu no indicador de Índice de Liquidez e o terceiro melhor no indicador de Taxa de Investimento.
“Esse conjunto de resultados sugere não apenas melhora na organização administrativa, mas também avanço na capacidade fiscal e de investimento do estado — fatores importantes para sustentar políticas públicas de longo prazo e ampliar a capacidade de resposta do poder público às demandas da população”, aponta o Analista de Relações Governamentais e Competitividade.
Para Virgínia Ferreira, secretária do Planejamento, do Orçamento e Gestão do Rio Grande do Norte, o resultado demonstra que o RN vem avançando de forma consistente na qualidade da gestão pública, mesmo diante de “desafios históricos e limitações fiscais”.
“Esse avanço é fruto de muito planejamento, responsabilidade na condução das contas públicas, fortalecimento da capacidade de investimento do Estado e, sobretudo, de um trabalho coletivo desenvolvido por todas as áreas do governo”, aponta a secretária.
“Temos defendido uma gestão baseada em dados, monitoramento e definição de prioridades, sempre com foco na melhoria dos serviços públicos e na redução das desigualdades. Mais do que subir em rankings, o mais importante é garantir que esse avanço se traduza em resultados concretos na vida da população potiguar”, prossegue.
O Rio Grande do Norte ainda ganha destaque no ranking de sociedade, como o segundo que mais melhorou de 2023 a 2025.
Metodologia
O estudo foi desenvolvido com o objetivo de oferecer leituras complementares sobre o desempenho dos estados brasileiros em cinco dimensões temáticas: economia, segurança, gestão pública, sociedade e meio ambiente.
Na análise voltada ao crescimento, a metodologia utiliza os dados brutos dos indicadores do último triênio e não as notas ou posições. A partir disso, é calculada a variação percentual entre 2023 e 2025 para cada indicador. Em seguida, os pesquisadores aplicaram um ajuste de polaridade, garantindo que todos os indicadores sigam a mesma lógica de interpretação.
“Ou seja, sempre os valores maiores indicam melhor desempenho. E como os indicadores possuem unidade de medidas muito diferentes, realizamos também uma normalização em escala de 0 a 100. Isso permite comparar os resultados de forma padronizada. Depois disso, calculamos as médias por pilar e também por dimensão, sempre com pesos iguais entre os componentes. O resultado final é um ranking que mostra quais estados mais avançaram no período recente”, diz a explicação dos responsáveis.
Fonte: saibamais.jor.br





