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Há 27 anos na cerâmica, Vera do Barro mantém viva a tradição artesanal

Durante quase três décadas, Vera Lúcia de Souza transformou a terra retirada do chão em peças que carregam traços da cultura potiguar. Conhecida em Assú como Vera do Barro, a artesã construiu sua vida moldando esculturas, utilitários e figuras inspiradas no cotidiano sertanejo. Foi com as mãos cobertas de argila que sustentou a família e acompanhou conquistas que, por muito tempo, pareciam distantes.

Para Vera, cada peça carrega mais do que valor estético. Carrega memória, sobrevivência e transformação. O artesanato, sua única fonte de renda ao longo dos anos, permitiu que ela criasse as filhas e investisse na educação delas. Uma já concluiu o curso superior em Administração. A outra está prestes a seguir o mesmo caminho.

Hoje, aos 27 anos de dedicação à cerâmica, Vera vê seu trabalho ganhar novos espaços. Uma das participantes do projeto Casa de Vó, iniciativa do Sebrae-RN voltada ao fortalecimento do artesanato local, ela integra a exposição em cartaz na Casa de Cultura Popular Sobrado da Baronesa, em Assú. A mostra reúne mais de 285 peças produzidas por artesãs da região e apresenta ao público histórias que atravessam gerações.

“Tirar a matéria-prima do solo e transformar em arte, seja esculturas ou utilitários, é uma dádiva. O artesanato é minha fonte de renda e foi através dele que consegui formar minhas filhas. Sou muito grata por tudo o que conquistei e pelo apoio que temos recebido para mostrar nosso trabalho”, afirma.

O reconhecimento alcançado recentemente representa mais um capítulo dessa trajetória. Segundo a artesã, a exposição tem atraído visitantes de diferentes cidades que participam dos festejos juninos de Assú, ampliando a visibilidade do trabalho produzido pelas artesãs locais e abrindo novas possibilidades de negócios.

“A procura está sendo muito boa. Já recebi propostas para novos trabalhos e as vendas têm sido positivas. Muita gente que está visitando a cidade durante o São João está conhecendo nosso artesanato”, relata.

A história de Vera se cruza com a de outras mulheres que encontraram no fazer manual uma forma de preservar tradições e gerar renda. Entre elas está Milena de Almeida, do Ateliê Maria & Marta. Há seis anos trabalhando com artesanato, ela desenvolveu uma coleção em algodão cru inspirada nos 300 anos da Paróquia de São João Batista, reunindo elementos da religiosidade, da arquitetura e das memórias afetivas de Assú.

As peças produzidas pelas artesãs participantes percorrem diferentes expressões do artesanato potiguar. Cerâmica, costura criativa, pintura, macramê, trabalhos em madeira, fibras naturais e produtos gourmet compõem o acervo da exposição, revelando a diversidade de saberes presentes no Vale do Açu.

Com curadoria de Chrystian Saboya, o projeto Casa de Vó busca transformar lembranças, tradições e referências afetivas em oportunidades para o artesanato potiguar. Inspirada na figura da avó como símbolo de acolhimento e transmissão de conhecimentos, a iniciativa promove capacitações, aperfeiçoamento em design e estratégias de acesso a mercado para artesãs da região.

Para Vera do Barro, porém, a essência continua sendo a mesma de quando começou. Entre montes de argila e peças recém-modeladas, ela segue repetindo um gesto que conhece desde sempre, o de transformar a terra em arte e, através dela, construir futuro.

*Com informações da Agência Sebrae

SAIBA MAIS:
Maria Fogo: guardiã da cerâmica artesanal do RN ganha documentário

Fonte: saibamais.jor.br

Gil Araújo

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