O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defende que delegados da Polícia Federal (PF) deixem de atuar nos gabinetes dos ministros da Corte. A proposta será apresentada novamente ao presidente do STF, Edson Fachin, em uma reunião entre os dois magistrados.
A sugestão, que já havia sido levantada pelo decano do Supremo, ganhou força diante do atual ambiente de tensão entre integrantes da Corte, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações foram divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN.
Atualmente, dois delegados da PF trabalham no gabinete de André Mendonça. Outros dois estão vinculados aos gabinetes de Alexandre de Moraes e Luiz Fux.
Na avaliação de Gilmar Mendes, a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar vínculos que levem o Supremo a novos conflitos e interfiram na condução de investigações. A ideia do ministro é estabelecer uma separação mais clara entre a atuação policial e o trabalho dos magistrados.
A discussão ganhou espaço durante o conflito entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O ministro é responsável pela relatoria de investigações com repercussão política e eleitoral.
Entre os casos sob responsabilidade de Mendonça estão a investigação sobre fraudes em descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e duas apurações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Uma delas trata do Banco Master e a outra investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De um lado, integrantes da cúpula da PF questionam possíveis interferências na condução das investigações. Do outro, o gabinete de Mendonça reclama da demora da corporação para avançar em determinadas apurações, incluindo o inquérito que envolve Lulinha.
Relatório do caso Master amplia tensão
A relação entre o STF e a PF ficou ainda mais tensa nesta semana após Mendonça determinar o fim do sigilo de um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Master. O documento reúne diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março e investigado em um caso de fraude financeira de grande proporção.
As mensagens também mencionam Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em uma conversa enviada a Moraes em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua primeira prisão, Vorcaro escreveu:
“Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”
Outro ponto de tensão foi o depoimento prestado por Vorcaro, na semana passada, a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, com a presença de um representante da PGR. Segundo o ex-banqueiro, a proteção a um diretor da PF teria impedido a realização de um acordo de colaboração premiada.
A condução desse depoimento provocou reação na cúpula da Polícia Federal. Segundo a CNN, Andrei Rodrigues manifestou insatisfação com a atuação de Mendonça nas investigações que envolvem as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes e considerou a condução do caso um abuso de poder.
Nesse contexto, Gilmar Mendes avalia que a retirada de delegados da PF dos gabinetes do STF poderia reduzir potenciais conflitos institucionais e estabelecer maior independência entre as funções de investigação e julgamento.
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Fonte: O Poti

