Enquanto o escândalo do BolsoMáster cresce a cada nova revelação, parte do bolsonarismo do Rio Grande do Norte resolveu assumir um papel curioso: o de assessoria de imprensa informal de Flávio Bolsonaro. Em vez de indignação, cobrança ou prudência diante de suspeitas gravíssimas, o que se viu foi uma força-tarefa para passar pano, daqueles bem felpudos e importados.
Um exemplo é o coordenador nacional da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador potiguar Rogério Marinho, que parece ter encontrado uma maneira inédita de combater corrupção: mudar de assunto. Depois da divulgação do áudio em que Flávio pede R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, Marinho correu para dizer que tudo não passava de “patrocínio privado para um filme privado”. Como se o problema fosse apenas uma sessão de cinema entre amigos.
Ao mesmo tempo, o senador tenta empurrar a narrativa de que o escândalo “na verdade” nasceu no PT. É aquela velha tática: quando a bomba explode no colo do bolsonarismo, a solução é procurar um petista em algum CEP distante para dividir a fumaça.
O mais curioso é que o próprio Marinho vinha dizendo que o caso BolsoMáster era uma “granada sem pino”. Era. Bastou aparecer o sobrenome Bolsonaro no centro da história para a granada virar rojão de festa junina.
Outros bolsonaristas do RN seguiram roteiro parecido. Enquanto o sargento Gonçalves divulgou vídeos de apoio ao seu mais novo corrupto preferido, o candidato ao Senado na chapa do bolsonarismo, Coronel Hélio, tenta conquistar os votos da extrema direita no estado defendendo uma CPI do Banco Máster. Mal sabe ele o que ainda pode sair debaixo desse tapete sobre a família mais corrupta do Brasil.
Quem também faz coro agora pela CPI é o general Girão, mas já sabemos que na hora H não aguentam a verdade dos fatos, vide o boicote e as mentiras que contaram durante a CPMI do INSS.
Aliás, eu e outros parlamentares do PT protocolamos mais um pedido de CPMI para investigar suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse” e desafiamos Flávio Bolsonaro e os demais bolsonaristas do Congresso a assinarem o requerimento. Será que o bolsonarismo potiguar vai assinar ou é tudo jogo de cena?
Os demais, sob um silêncio estratégico, preferem continuar na confortável posição de oposição seletiva: corrupção só escandaliza quando não envolve os seus.
E aí mora a maior ironia. O grupo político que passou anos vendendo a imagem de “combatente da corrupção” agora age exatamente como aquilo que dizia combater. Relativiza denúncias, protege aliados, ataca investigações e transforma suspeitas gravíssimas em perseguição política. Trocaram o discurso moralista pelo corporativismo mais rasteiro.
No fundo, o BolsoMáster expõe uma verdade inconveniente para o bolsonarismo potiguar: a indignação deles nunca foi contra corrupção. Era apenas contra corruptos de estimação.
Fonte: saibamais.jor.br





