O Movimento de Mulheres Olga Benario e o Observatório da América Latina e Caribe (Obalca) promovem, no próximo dia 28 de maio, um curso de solidariedade a Cuba com o tema “A participação das mulheres na Revolução Cubana: luta armada e emancipação política”. A atividade será realizada no Auditório C do CCHLA e contará com palestra da pesquisadora Dra. Larissa Riberti. Para participar, a organização solicita a doação de medicamentos, insumos hospitalares e produtos de higiene pessoal, que serão destinados ao consulado cubano.
Segundo a coordenadora do Movimento Olga Benario no RN e bolsista do Obalca, Malu Lima, a iniciativa surge em meio ao agravamento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à ilha caribenha. Ela afirma que o objetivo é combinar solidariedade concreta com debate político sobre soberania, anti-imperialismo e integração latino-americana.
“Desde 1962, Cuba sofre um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, o que impacta diretamente o acesso a alimentos, medicamentos, combustível e outros itens essenciais. Em 2025, o governo Trump intensificou ainda mais as sanções e o bloqueio contra a ilha, aprofundando a crise de abastecimento”, explica.
De acordo com as organizadoras, mesmo diante das dificuldades econômicas, Cuba segue sendo referência internacional em áreas como saúde e educação. Elas destacam que o país desenvolveu vacinas próprias contra a Covid-19, como Abdala e Soberana, além de enviar apoio médico a outros países durante a pandemia.
A escolha de discutir especificamente o papel das mulheres na Revolução Cubana também tem relação com o entendimento de que elas ocuparam posições centrais nos processos revolucionários e nas transformações sociais posteriores à revolução de 1959.
“A experiência cubana demonstra como a participação feminina foi fundamental tanto na defesa da revolução quanto na construção de políticas sociais voltadas à educação, saúde, cultura e economia”, afirmam Malu e a pesquisadora Larissa Riberti.
Segundo elas, o debate busca evidenciar que as mulheres cubanas não atuaram apenas em funções de apoio, mas participaram diretamente da luta armada, da clandestinidade e da reorganização política do país após a revolução. Entre os nomes lembrados estão Celia Sánchez e Vilma Espín, figuras históricas da revolução que ocuparam posições de liderança política e institucional após a vitória do movimento revolucionário.
Além da atuação militar e política, as organizadoras ressaltam que as mulheres tiveram papel importante na ampliação do acesso à educação, na inserção feminina no mercado de trabalho e na construção de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
Para o Movimento Olga Benario e o Obalca, promover debates internacionalistas dentro da universidade também se tornou uma necessidade diante do atual cenário político latino-americano. As organizadoras avaliam que as disputas econômicas e geopolíticas envolvendo os Estados Unidos impactam diretamente países da região, incluindo o Brasil.
“Discutir Cuba também é discutir o futuro do Brasil. Em um contexto de crescentes pressões econômicas e geopolíticas sobre países latino-americanos, reafirmar a soberania nacional e a autodeterminação dos povos é essencial”, afirmam.
As inscrições para o curso serão realizadas por formulário online disponível no material de divulgação. Entre os itens solicitados para doação estão analgésicos, antitérmicos, máscaras, luvas, seringas, sabonetes, escovas de dente, shampoo e absorventes.
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Fonte: saibamais.jor.br





