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Democracia, ditatura e o espírito da coisa

Democracia, ditatura e o espírito da coisa

João Andrade, um poeta e amigo dos bons, cunhou uma frase há algum tempo que sempre guardo comigo para fazer uso quando preciso explicar a diferença entre democracia e ditadura e não quero recorrer aos tratados da Ciência Política para esclarecer a diferença entre esses dois regimes de governo: “Democracia é eu mandar em você, Ditadura é você mandar em mim”.

Simples assim…

               Fico sempre pensando nessa frase quando ouço os motivos que têm levado líderes da oposição às ruas para pedir liberdade e justiça, porque o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso, comendo, bebendo e dormindo de graça no hotel de um quartel em Brasília, recebendo salário em dia e a visita de quem quiser.

               É nessas horas que fico me lembrando de um tempo infeliz da nossa história em que os militares prendiam e arrebentavam em quem ousasse discordar da truculência deles, sem direito a julgamento justo, conforto mínimo na cadeia, alimentação digna e respeito aos direitos mínimos de toda pessoa.

               Aos que reclamam da prisão do ex-presidente, pergunto: e se os torturadores que Bolsonaro tanto idolatra fossem seus algozes agora?… Ele ainda estaria vivo?… Se estivesse sumido, saber-se-ia de seu paradeiro?… Sua família seria informada de onde ele estava preso e poderia visita-lo livremente como o faz hoje?…

               Será o Coronel Brilhante Ustra e sua tropa de torturadores e assassinos, que ele tanto ama, dispensaria a ele o mesmo tratamento que levou o professor Luiz Maranhão, o jornalista Hiram Pereira ou o deputado Rubens Paiva à morte e o tratamento desumano com seus familiares, que não tiveram sequer o direito de confirmar sua morte e de receber seu corpo para enterrar?…

               É por essas e outras que tanta gente está indignada com esse discurso das viúvas da ditadura, que desrespeitam a democracia para fazer valer o seu direito de desrespeitar a lei, legislar em causa própria, agir sem qualquer respeito à lei e acharem que têm o direito à impunidade. Não é assim que a banda toca.

               É o mesmo que ouvir o ex-procurador Deltan Dallagnol, hoje deputado cassado, clamando agora por respeito à lei e às prerrogativas, quando ele e seu parceiro chefe Sérgio Moro abusaram do poder que tinham, rasgaram a lei e agiram descaradamente em defesa de seus interesses, numa ação vergonha e criminosa.

               Pelo que fizeram, os dois e outros tantos, deveriam todos estar na cadeia, que é lugar de quem desrespeita a lei, sobretudo em se tratando de quem jurou defendê-la.

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Fonte: saibamais.jor.br

Ciro Pedroza

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