monólogo sobre Soledad Barrett no TAM
A luz se abre sobre um palco quase vazio. No centro, uma atriz carrega sozinha a tarefa de convocar uma história que atravessa fronteiras, ditaduras e décadas. Não se trata apenas de teatro, mas de uma tentativa de fazer a memória falar em voz alta. Neste sábado (14), às 19h30, o Teatro Alberto Maranhão, em Natal, recebe o monólogo “Soledad — A terra é fogo sob nossos pés”, interpretado pela atriz e diretora pernambucana Hilda Torres e dirigido pela encenadora paulista Malu Bazán.
A apresentação integra a programação do 1º FEST (Festival de Solos Teatrais do Rio Grande do Norte) e tem entrada gratuita. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início da sessão, no próprio teatro.
Com duração aproximada de 70 minutos e classificação indicativa de 16 anos, o espetáculo contará com recursos de acessibilidade, incluindo tradução em Libras e audiodescrição.
Uma história marcada pela violência da ditadura
A peça parte da trajetória da militante paraguaia Soledad Barrett Viedma, assassinada em 1973 durante a ditadura militar brasileira. O episódio ficou conhecido como Massacre da Chácara São Bento, ocorrido na Região Metropolitana do Recife, quando militantes ligados à organização Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foram mortos em uma operação da repressão.
Soledad foi uma das vítimas. Grávida na época, ela havia sido entregue à repressão por um infiltrado que atuava dentro da organização clandestina: o ex-marinheiro conhecido como Cabo Anselmo, agente que colaborou com órgãos de segurança do regime militar.
A montagem teatral retoma esse acontecimento como ponto de partida para refletir sobre memória política, violência de Estado e resistência na América Latina.
Vida marcada por exílio e perseguição
Nascida no Paraguai, Soledad Barrett cresceu em um ambiente marcado pela militância política. Seu avô, o jornalista e escritor espanhol Rafael Barrett, teve forte influência intelectual na família. Seus pais e irmãos também participaram de movimentos de oposição a regimes autoritários no continente.
A experiência do exílio começou cedo. Ainda bebê, ela deixou o Paraguai com a família rumo à Argentina. Anos depois, já adolescente e vivendo no Uruguai, foi sequestrada por um grupo neonazista. Durante o ataque, teve as pernas marcadas com uma suástica feita com navalha após se recusar a gritar saudações a Adolf Hitler.
Esses episódios fazem parte da história que atravessa o espetáculo, embora a proposta da montagem não seja a reconstrução biográfica tradicional.
Teatro entre passado e presente
Criado pela atriz Hilda Torres em parceria com a diretora Malu Bazán, o monólogo estreou em 2015 e está com mais de dez anos em circulação. Ao longo desse período, o espetáculo percorreu diferentes cidades brasileiras e consolidou uma trajetória vinculada a circuitos de teatro político e festivais.
A dramaturgia utiliza a história de Soledad como eixo narrativo para estabelecer um diálogo entre passado e presente. A encenação propõe revisitar acontecimentos da repressão política na América Latina ao mesmo tempo em que levanta questões sobre permanências históricas da violência política.
No palco, a narrativa é construída a partir da atuação solo de Hilda Torres, com desenho de luz de Eron Villar e sonoplastia de Márcio Santos.
Festival de solos no Rio Grande do Norte
A apresentação integra a programação do 1º FEST – Festival de Solos Teatrais do Rio Grande do Norte, iniciativa dedicada a montagens teatrais com atuação individual.
O festival é realizado pela S.E.M. Cia. de Teatro em parceria com a Fundação José Augusto e a Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte. Também participam da realização o Sistema Nacional de Cultura, a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, o Ministério da Cultura e o Governo Federal.
A programação conta ainda com apoio da Prefeitura do Natal, por meio do Programa Djalma Maranhão, da Unimed Natal e produção da POSS Comunicação e Cultura.
Serviço
Espetáculo: Soledad — A terra é fogo sob nossos pés
Data: 14 de março de 2026 (sábado)
Horário: 19h30
Local: Teatro Alberto Maranhão – Natal (RN)
Duração: 70 minutos
Classificação: 16 anos
Acessibilidade: Libras e audiodescrição
Ingressos: gratuitos, distribuídos 1 hora antes do espetáculo no local
Ficha técnica
- Atriz e produtora: Hilda Torres
- Direção: Malu Bazán
- Dramaturgia: Hilda Torres e Malu Bazán
- Designer de luz e operação: Eron Villar
- Sonoplastia: Márcio Santos
- Assessoria de imprensa: Dea Almeida
- Designer de mídia: Li Buarque
Fonte: saibamais.jor.br





