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A internacional da extrema direita e a Conferência Antifascista pela Soberania dos Povos

A internacional da extrema direita e a Conferência Antifascista pela Soberania dos Povos

Entre os dias 25 e 28 de março de 2026, foi realizado, em Dallas, Texas (EUA), mais um encontro da Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), organização criada em 1974 nos Estados Unidos e que se consolidou como o principal espaço de articulação da extrema direita em escala global. O evento constitui um importante eixo de articulação internacional, reunindo ativistas, empresários e lideranças políticas não apenas dos Estados Unidos, mas também de diversos países.

A edição deste ano contou com uma programação extensa e com a participação de representantes de países como Japão, Canadá, Reino Unido, Bósnia e Herzegovina, Austrália, Itália, Polônia, Alemanha, Romênia, Coreia do Sul e Brasil, evidenciando o caráter transnacional do movimento.

Entre os participantes brasileiros, destacaram-se os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro, responsável pela criação da CPAC no Brasil em 2019, durante o primeiro ano do mandato de seu pai na presidência da República, participou como palestrante. Apresentado como Congressman in exile, discursou na sessão intitulada “Este é para George Soros”, realizada em 27 de março de 2026. Diferentemente de edições anteriores, dividiu o espaço com outros participantes, como o presidente da CPAC, Matt Schlapp – que esteve no Brasil em 2024, durante a realização do evento em Balneário Camboriú (SC) e depois disse absurdos infundados como o de ter visto nos livros didáticos que “crianças com 9 anos aprendem que podem ser ativos sexualmente a trocar de gênero”- além de representantes da Hungria, do Reino Unido (Liz Truss) e do Japão (Jay Aeba).

Em seu discurso, Eduardo Bolsonaro afirmou que, caso seu irmão seja eleito e sua base política alcance maioria no Senado, haveria o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Também declarou a intenção de processá-lo “pela prisão do pai, pelos crimes que ele cometeu e por ter me processado por crimes que não cometi”e afirmou não temer o magistrado, e que “vamos vencer as eleições, perdoar Jai Bolsonaro e os Estados Unidos vai ter seu maior aluado no ano que vem”, vinculando essas ações a uma eventual vitória eleitoral do seu irmão.

Lembrando que ele foi um dos principais defensores das taxações dos Estados Unidos ao Brasil, bem como de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, o que reforça sua atuação alinhada aos interesses norte-americanos no país.

No caso de Flávio Bolsonaro, sua participação ocorreu em 28 de março. Em seu discurso, estabeleceu uma comparação entre seu pai e Donald Trump, defendeu ainda os Estados Unidos “monitorem a liberdade de expressão” nas eleições brasileiras e sugeriu a necessidade de “pressão diplomática” para assegurar um processo eleitoral “livre e justo”, que no Brasil tenham “valores de origem americaa”. Segundo ele, a vitória eleitoral dependeria da liberdade de expressão nas redes sociais e da correta apuração dos votos.

Essas declarações foram alvo de críticas. Em editorial publicado em 31 de março de 2026, o jornal O Estado de S. Paulo afirmou que tais posicionamentos indicam uma continuidade do chamado “golpismo bolsonarista”, destacando a tentativa de condicionar a legitimidade do processo eleitoral ao resultado favorável ao próprio grupo político. O editorial também registra ataques ao presidente Lula e afirma: “Como de hábito, nenhuma prova disso foi apresentada – mas, afinal, um bolsonarista de verdade não precisa de provas para acreditar em teorias da conspiração como essa”.

Outro ponto destacado é a “tentativa indecorosa de mobilizar o governo dos Estados Unidos e de outros países governados pela extrema direita simpatizante de Donald Trump para lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro e, eventualmente, não reconhecer uma derrota do bolsonarismo”.

Uma das afirmativas, também alvo de críticas no discurso de Flávio Bolsonaro foi a menção às chamadas “terras raras”. Ao afirmar que o Brasil poderia suprir a demanda dos Estados Unidos por esses recursos estratégicos, que não dependa da China em terras raras e minerais críticos e sugeriu, na prática, uma aproximação econômica que poderia implicar a subordinação de interesses do Brasil aos interesses dos Estados Unidos.

Essa posição foi criticada por membros do governo brasileiro. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que tal proposta representa a entrega de riquezas nacionais em troca de apoio político. Já a ministra das Relações Institucionais, chamou Flávio Bolsonaro de “vendilhão da pátria”, acusando ele e seu irmão de atuarem no exterior alinhados a interesses estrangeiros e portanto como posturas (e ações) contrárias aos interesses nacionais.

No mesmo discurso, Flávio Bolsonaro também afirmou que seu pai teria “lutado contra a tirania da Covid-19”. Que tirania? Essa interpretação contrasta com as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, instalada em 2021, cujo relatório final apontou falhas graves na condução da pandemia pelo governo federal. Entre os aspectos a CPI teve como objetivo apurar as irregularidades em contratos, fraudes em licitações, superfaturamentos, desvios de recursos públicos, assinatura de contratos com empresas de fachada para prestação de serviços genéricos ou fictícios e o relatório final, com 1.287 páginas, afirma que “Especialistas internacionais concordam sobre o fracasso e a incapacidade do presidente brasileiro em lidar com a pandemia” e negligência na adoção de medidas sanitárias, a defesa de tratamentos sem comprovação científica, “a insistência no tratamento precoce em detrimento da vacinação aponta para o presidente da República como o principal responsável pelos erros cometidos durante a pandemia da covid-19 (…) desprezando qualquer alerta que se contra pudesse as suas ideias sem fundamento científico”, e além da resistência à vacinação, também a rejeição a orientações técnicas do Ministério da Saúde.

O relatório também enfatiza o papel da desinformação durante a pandemia, indicando que a disseminação de fake news contribuiu para a baixa adesão à vacinação e agravou os impactos da crise sanitária. Estima-se que mais de 750 mil pessoas tenham morrido no Brasil em decorrência da Covid-19, além de milhões de infectados. Nesse sentido, as fake news e desinformação tiveram um papel importante, resultando no fato de que milhões de pessoas não quiseram de vacinar (até hoje muitos continuam a questionar as vacinas).
Como consta no relatório final: “A veiculação de notícias falsas, as conhecidas fake news, contribuíram para que o objetivo negacionista fosse alcançado. Nesse ponto, a CPI apurou que não apenas houve omissão dos órgãos oficiais de comunicação, no combate aos boatos e à desinformação, como também existiu forte atuação da cúpula do governo, em especial do Presidente da República, no fomento à disseminação de fake news”.
Além disso, o discurso de Flávio Bolsonaro incluiu afirmações genéricas em relação ao governo do seu pai sobre o combate ao narcotráfico (Como? Com quem resultados?), à chamada “elite global” (Com se houvesse um combate a tais elites), contra a agenda ambiental radical (o que fez foi aumentar o desmatamento, proteção a garimpeiros, que, entre outros aspectos invadiram terras indígenas)e a uma suposta “agenda woke”, que destruiu famílias, sem apresentar evidências concretas ou dados que sustentassem tais alegações.

No plano internacional, o encontro da CPAC também revelou fissuras internas no campo da extrema direita. Um dos elementos mais significativos foi a ausência de Donald Trump, que participou das dez edições anteriores do evento e era esperado para fazer o discurso de encerramento. Tampouco participaram seu vice ou membros relevantes de sua equipe, além das críticas de integrantes do MAGA a guerra no Irã, o que pode indicar divisões no movimento.

E também revelou que há na sociedade resistência contra Donald Trump e a insanidade, dele e da injustificada guerra contra o Irã, com ataques, assassinatos (inclusive de crianças) e milhões de dólares em armamentos, além de ameaças a outros países, como Cuba. É nesse sentido, foram registradas manifestações de oposição nos Estados Unidos. No mesmo dia de encerramento da CPAC, 28 de março de 2026, ocorreram protestos em todos os 50 estados, reunindo milhões de pessoas contra o governo e contra ações militares no Irã. Essas mobilizações foram organizadas por uma ampla coalizão de entidades e expressaram insatisfação com políticas consideradas autoritárias e uma guerra insana, injustificada. Em um documento divulgado na imprensa afirma-se que “O povo americano está farto das usurpadora de poder deste governo, de uma guerra ilegal que nem o Congresso nem o povo aprovaram e das tentativas contínuas de restringir nossas liberdades”.

Como afirmou o senador Bernie Sanders em discurso em Minneapolis- onde ocorreu a principal manifestação no país – reforçou a crítica à concentração de poder econômico e político, associando-a à erosão democrática e ao aumento das desigualdades sociais. Em uma referência ao lema do movimento No Kings: disse “Chega de reis. Não permitiremos que este país mergulhe no autoritarismo ou na oligarquia. Na América, nós, o Povo, governaremos. Mas sejamos claros: este momento não se resume à ganância de um homem, à corrupção de um homem ou ao seu desprezo pela Constituição. Trata-se de um punhado das pessoas mais ricas da Terra que, em sua ganância insaciável, tomaram conta da nossa economia e do nosso sistema político e dos nossos meios de comunicação para se enriquecerem às custas das famílias trabalhadoras do nosso país”.

Em contraposição à articulação da extrema direita, realizou-se, em Porto Alegre (RS), a Conferência Antifascista e pela Soberania dos Povos, reunindo milhares de participantes de mais de quarenta países. O evento buscou fortalecer a cooperação internacional entre movimentos antifascistas e formular estratégias de resistência, “buscando avançar na organização para a resistência e o combate aos variados fascismos, a extrema direita e o imperialismo em sua fase mais agressiva”.

Como resultado, foi divulgada a chamada Carta de Porto Alegre, documento que denuncia o avanço da extrema direita global e associa esse fenômeno a uma crise estrutural do sistema capitalista. Segundo o texto, esse contexto tem favorecido o crescimento de políticas autoritárias, a redução de direitos sociais e o fortalecimento de práticas discriminatórias.

O documento também destaca que, embora as manifestações da extrema direita assumam características específicas em cada país, há elementos comuns, como o ataque às instituições democráticas, a precarização do trabalho, o enfraquecimento das políticas públicas e a disseminação do negacionismo científico e climático.

Dessa forma, observa-se que, enquanto a extrema direita se organiza internacionalmente- como evidenciado pelo encontro da CPAC -, e o fato de partidos de extrema direita liderarem governos da Polônia, Itália, Israel, Hungria e Turquia, assim como o crescimento da extrema direita na Finlândia, Alemanha, Espanha, Suécia, França, Grécia, Holanda, Portugal e Espanha e presidentes de extrema direita nos Estados Unidos (Donald Trump), El Salvador (Nayib Bukele) e Argentina (Javier Milei), entre outros exemplos – também se intensificam os movimentos de resistência.

No Brasil, as eleições de outubro de 2026 assumem papel central nesse cenário, decisivas para o enfrentamento do neofascismo e suas expressões nacionais.

A Carta de Porto Alegre se refere a várias manifestações de resistência a extrema direita, como as que ocorreram na Argentina nos 50 anos do golpe militar (1976-1983, país que teve uma das ditaduras mais sanguinárias da América do Sul e como escreveu o jornalista Mário Resende correspondente do jornal Expresso, de Portugal, no dia 28 de março ao registrar milhões de pessoas nas ruas: “Milei bloqueia o acesso aos arquivos, desmantela políticas públicas que permitem justiça e promove uma reinterpretação dos fatos”, no Reino Unido e a grande e histórica manifestações nos Estados Unidos no dia 28 de março de 2026, cujo lema é “não há reis na América” e afirma Donald Trump ser inimigo da humanidade.

A Carta conclui reafirmando que “a Conferência Antifascista e pela Soberania dos Povos, compromete-se a lutar sem descanso e como espaço de construção de unidades contra a ascensão da extrema direita e as agressões imperialistas. Diante da barbárie, levantamos a bandeira da solidariedade internacional, da luta dos povos e de um futuro socialista, ecológico, democrático, feminista e antirracista”.

Fonte: saibamais.jor.br

Homero Costa

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