Música de matriz negra guia estreia da temporada 2026 da Filarmônica UFRN
A temporada artística de 2026 da Filarmônica UFRN começa com um convite que é, ao mesmo tempo, celebração e reconhecimento. No dia 21 de março, o Auditório Onofre Lopes, na Escola de Música da UFRN, recebe o Concerto Negro, apresentado em duas sessões, às 18h e 20h, sob regência do maestro André Muniz. A proposta é colocar no centro do palco a presença, a memória e a força criativa das matrizes negras na música de concerto.
O programa desenha um percurso sensível por diferentes épocas e territórios, evidenciando como a herança afro-atlântica atravessa a história da música e segue viva na produção contemporânea. Em um campo marcado por silenciamentos históricos, o concerto joga luz sobre trajetórias e influências que ajudaram a moldar a tradição sinfônica.
A abertura traz “Danse Nègre”, do britânico Samuel Coleridge-Taylor, cuja obra dialoga com referências afro-atlânticas dentro da linguagem orquestral europeia. Na sequência, a orquestra interpreta a Sinfonia em Sol Maior, Op. 11, de Joseph Bologne, o Chevalier de Saint-Georges, violinista virtuose e figura de destaque na cena musical parisiense do século XVIII, frequentemente apontado como um dos primeiros compositores negros a ganhar projeção na música sinfônica europeia.
O repertório segue com o Largo da Sinfonia nº 9 “Do Novo Mundo”, de Antonín Dvořák. A peça reflete o interesse do compositor pelas tradições afro-americanas e pelos espirituais negros, influências que marcaram profundamente sua produção durante a passagem pelos Estados Unidos.
Na segunda parte, o concerto volta o olhar para o Brasil. “Batuque”, de Oscar Lorenzo Fernández, leva à orquestra a força rítmica das manifestações afro-brasileiras, transformando dança e pulsação em matéria sinfônica.
O encerramento conecta tradição e contemporaneidade. A Suíte Nação Zumbi, em arranjo do trombonista e maestro pernambucano Melquíades “Kidbone” Claudino de Oliveira, aproxima a linguagem orquestral do Mangue Beat, movimento cultural surgido no Recife nos anos 1990. Inspirada na obra da banda Nação Zumbi, a suíte cria um encontro potente entre maracatu, ritmos urbanos e escrita sinfônica, evocando uma das cenas mais inventivas da música brasileira recente.
Ao reunir diferentes períodos e contextos, o Concerto Negro reafirma a música de concerto como um espaço de diálogo entre história, identidade e criação. A iniciativa amplia o repertório tradicional ao reconhecer contribuições muitas vezes invisibilizadas e reforça o papel da universidade como território de diversidade e produção cultural.
Criada em 2009, a Filarmônica UFRN reúne estudantes dos cursos Técnico, Licenciatura, Bacharelado e Pós-Graduação em Música. Ao longo dos anos, consolidou-se como um importante espaço de formação e difusão da música de concerto no Nordeste, aproximando o público de repertórios clássicos, contemporâneos e brasileiros.
A Temporada 2026 é realizada pela Filarmônica UFRN, EMUFRN, UFRN e PROEX, com patrocínio da Caixa Assistencial Universitária do RN (CAURN) e do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte (MPT/RN), além da produção da Da Capo Produções Artísticas. O projeto também conta com apoio de emenda parlamentar do deputado Fernando Mineiro.
SERVIÇO
Filarmônica UFRN — Concerto Negro
Data: 21 de março de 2026
Horários: 18h e 20h
Local: Auditório Onofre Lopes, Escola de Música da UFRN
Ingressos gratuitos — retirada pelo Sympla (18 e 20 de março, às 8h)
Fonte: saibamais.jor.br





