“Não há cargo no Senado que valha meu compromisso com o RN”
A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou, nesta terça-feira (17), que permanecerá no comando do Governo do Rio Grande do Norte, abrindo mão da disputa pelo Senado em 2026. A decisão foi comunicada por meio de uma carta publicada nas redes sociais e explicada em coletiva de imprensa. Na carta, a governadora transforma a desistência eleitoral em um discurso de compromisso político, defesa da coerência pessoal e resistência política.
“A coragem sempre me acompanhou”, escreve, e segue: “Agora, tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária – por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia – e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte. Esse era o desejo de Lula, do PT e de parte expressiva do eleitorado como já constatado em pesquisas.“, explica.
Ao justificar a permanência no governo, a governadora afirma que a escolha está acima de projeto pessoal. “Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio”, diz. Em um dos trechos centrais da carta, reforça: “Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”.
Mas a carta não se limita à prestação de contas. O texto também explicita a crise política que atravessou a discussão sobre sua eventual candidatura ao Senado. Fátima afirma que, para viabilizar a disputa, “era necessário que o vice assumisse o governo”, mas diz que ele “rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.
A carta dedica ainda um espaço importante à comparação entre o cenário herdado em 2019 e o quadro atual do Estado. “Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte”, afirma, ao listar “servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas”. Em seguida, contrapõe esse passado ao presente que busca associar à própria gestão: “O RN hoje não deve aos servidores, tem estradas recuperadas, segurança reconhecida e valorizada”.
Mas a carta não se limita à prestação de contas. O texto também explicita a crise política que atravessou a discussão sobre sua eventual candidatura ao Senado. Fátima afirma que, para viabilizar a disputa, “era necessário que o vice assumisse o governo”, mas diz que ele “rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.
Fátima diz que há um movimento articulado para tirar o PT do Senado. “Não vão conseguir. Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes.”.
Sobre a disputa de 2026, a Governadora diz que “O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luis Inácio Lula da Silva presidente!”.
A possibilidade de renúncia de Fátima passou a depender de uma engenharia política que incluía a sucessão no governo. O problema se agravou quando o vice governador Walter Alves anunciou que não assumiria o cargo após a eventual saída da governadora e, além disso, declarou apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra ao governo. Diante desse cenário, o grupo governista tentou até o último instante viabilizar o nome de Cadu Xavier para a eleição indireta na Assembleia Legislativa, mas não conseguiu reunir os votos necessários para vencer a disputa. Sem essa garantia, cresceu dentro do governo o receio de entregar o comando do Estado à oposição.
O anúncio ocorre depois de uma série de movimentos e sinais emitidos nas últimas semanas. Mais cedo, Fátima se reuniu com aliados petistas durante almoço na sede da Governadoria para alinhar o comunicado que faria oficialmente. Participaram do encontro o pré-candidato a governador Cadu Xavier, a deputada federal Natália Bonavides, o líder do governo Francisco do PT, a presidente estadual do partido Samanda Alves, o secretário chefe do Gabinete Civil Raimundo Alves e o secretário de Gestão e Projetos Especiais Adriano Gadelha. Na semana passada, em entrevista ao programa Band Mulher, a governadora já havia deixado aberta a possibilidade de não renunciar ao cargo, ao afirmar que iria “aguardar os acontecimentos” e ao lembrar a responsabilidade de ter sido eleita em 2018 e reeleita em 2022.
Leia a íntegra da carta publicada pela governadora do RN, (Fátima Bezerra 8PT):
Carta ao povo potiguar,
A coragem sempre me acompanhou, desde quando migrei da Paraíba para estudar, até quando renunciei a reeleições, sem falsa modéstia, asseguradas para me lançar a desafios até então impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo. Nunca tive medo da disputa eleitoral pois sempre me coloquei a serviço de um projeto maior de nação e de sociedade, que é maior que minha própria vida.
Coragem para disputar o senado, em 2014, colocando em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional. Coragem para renunciar à metade do mandato de senadora, em 2018, para disputar o governo do estado e assumi-lo em situação crítica e precária. Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora.
Agora, tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária – por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia – e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte. Esse era o desejo de Lula, do PT e de parte expressiva do eleitorado como já constatado em pesquisas.
O que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público. Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte.
Os mais de um milhão de votos que recebemos quando fui reeleita governadora serão honrados por mim até o último dia de mandato. A coragem e, repito, o compromisso, em primeiro lugar com o povo potiguar, me mandam agora ficar e garantir a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco. Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas.
Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte: servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas. Esse foi o Estado que herdamos e para o qual não temos o direito de retroceder. O RN hoje não deve aos servidores, tem estradas recuperadas, segurança reconhecida e valorizada.
Hoje, no RN, temos o dobro de escolas em tempo integral e profissionalizantes, inclusive uma rede de novos IERNs – O IF potiguar; temos saúde em todas as regiões do estado, dispensando os deslocamentos para Natal para exames e cirurgias; temos novas delegacias da mulher, mulheres sem barreiras para entrar na PM, patrulha Maria da Penha ampliada e um combate firme ao feminicídio.
Temos outro estado, meu querido povo potiguar. E eu tenho um amor imenso por essa terra, por nossa gente, por cada cantinho desse Rio Grande que passou a ter Norte, esperança e um futuro promissor. Esse amor me faz ficar, numa decisão que não é pequena nem qualquer. Não ter vaidade nos ajuda a ter sobriedade mesmo frente às injustiças.
Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado.
Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir. Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luis Inácio Lula da Silva presidente!
Fátima Bezerra
Natal, 17 de março de 2026
Fonte: saibamais.jor.br





