A corrida pelas duas vagas ao Senado Federal pelo Rio Grande do Norte começa a ganhar contornos mais nítidos, mas uma peça importante do tabuleiro ainda está fora do lugar: o segundo nome das chapas. A governadora Fátima Bezerra (PT), a senadora Zenaide Maia (PSD) e o senador Styvenson Valentim (PSDB) – as três principais pré-candidaturas até então colocadas – enfrentam dificuldades para definir o nome para fazer a chamada “dobradinha” nas urnas, estratégia considerada decisiva em eleições com dois votos para o mesmo cargo.
Pelo desenho atual, Fátima deve renunciar ao Governo do Estado em abril para disputar o Senado. No campo governista, o nome mais cotado para dividir a chapa com ela é o do ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, que teve a pré-candidatura lançada oficialmente no início de fevereiro pelo PDT.
A eventual dobrada consolidaria um palanque alinhado ao campo progressista e ao governo federal. Jean foi primeiro suplente de Fátima em 2014 na vitoriosa campanha ao Senado. Em 2019, quando ela assumiu o Governo do Estado, ele herdou a titularidade do cargo, onde ficou até janeiro de 2023.
O espaço, no entanto, está longe de ser consenso. O PSB também reivindica protagonismo e apresentou dois nomes: o advogado, empresário e professor Luiz Gomes e o ex-prefeito de Carnaubais Luizinho Cavalcante.
A disputa interna por essa segunda vaga revela que, mesmo dentro da base governista, há tensão entre partidos que querem ampliar espaço na chapa majoritária.
A vereadora de Natal Thabatta Pimenta (PSOL) chegou a ser especulada como possível companheira de chapa de Fátima, mas já afirmou que é pré-candidata a deputada federal e que votará em Fátima e Zenaide para o Senado.
A sinalização reforça que, apesar das negociações formais, as “dobradinhas informais” também terão peso relevante no pleito. Thabatta articula sua filiação ao PV, partido que integra a Federação Brasil da Esperança com o PT e o PCdoB.
Apesar disso, a vereadora justificou que o voto em Zenaide, adversária de Fátima, é de “foro pessoal”.
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Fragmentação na oposição
Do lado oposicionista, o cenário não é menos complexo. Zenaide Maia, que busca a reeleição, ainda não definiu com quem fará dobrada.
Eleita em 2018 na aliança com Fátima Bezerra, a senadora rompeu com o PT e hoje apoia a pré-candidatura ao governo do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
No grupo de Allyson, há divisão estratégica: parte defende concentrar forças apenas na candidatura de Zenaide, enquanto outra ala entende que é necessário lançar ou apoiar um segundo nome competitivo para evitar que o segundo voto do eleitorado migre para Fátima ou Styvenson.
Essa segunda tese é defendida, por exemplo, pelo prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PSD), esposo da senadora.
Já no outro flanco da oposição, Styvenson Valentim será candidato à reeleição na chapa majoritária encabeçada pelo ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos).
O senador, no entanto, resiste a fazer dobrada com o bolsonarista Coronel Hélio (PL), que sustenta que sua pré-candidatura ao Senado Federal decorre de um “acordo político” firmado com o senador Rogério Marinho (PL) ainda em janeiro de 2025.
A retirada da pré-candidatura do presidente da Federação dos Municípios do RN (Femurn), Babá Ferreira (PL), que será vice na chapa de Álvaro Dias, abriu caminho para Coronel Hélio consolidar sua movimentação.
O bolsonarista aposta na convergência ideológica com Styvenson Valentim para atrair o eleitorado de direita e evitar dispersão de votos. O senador, apesar de ser de oposição e estar na chapa da extrema direita, tem evitado se posicionar sobre temas sensíveis para não perder o voto do eleitor conservador nem dos progressistas.
A matemática do voto casado
Em eleições para o Senado Federal, em que cada eleitor pode votar em dois nomes, a composição das chapas é mais do que simbólica — é matemática. Um parceiro competitivo ajuda a “amarrar” o voto casado e reduz o risco de que o segundo voto escape para um adversário direto.
A indefinição atual expõe um dilema comum: lançar dois nomes fortes pode fortalecer o grupo, mas também aumenta disputas internas e exige maior capacidade de coordenação política.
Apostar em apenas um nome, por outro lado, pode deixar espaço aberto para que o eleitor combine candidaturas de campos diferentes.
Na prática, as dobradinhas já começam a se desenhar nos municípios, ainda que de forma cruzada. Em Caicó, por exemplo, o prefeito Dr. Tadeu (PSDB) confirmou que votará em Fátima e Styvenson — um arranjo que ilustra como as alianças locais podem ignorar a polarização estadual.
Em outras cidades, devem se repetir composições como “Fátima e Zenaide” ou “Styvenson e Zenaide”, refletindo o pragmatismo dos prefeitos e lideranças regionais.
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Fonte: saibamais.jor.br
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