Quando a equipe do Programa Trilhas Potiguares desembarcou no Pará para desenvolver ações de extensão em comunidades amazônicas, outro grupo também tinha uma missão específica: registrar as atividades, produzir conteúdo jornalístico e, ao mesmo tempo, experimentar na prática o ofício da comunicação.
Essa é a proposta do Comtrilhas, projeto de extensão vinculado ao Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que há 17 anos responde pela cobertura jornalística do Trilhas Potiguares. Nesta edição, realizada entre 14 e 20 de junho em municípios paraenses, estudantes de Jornalismo e profissionais da comunicação atuaram não apenas na produção de notícias, fotografias e vídeos, mas também ministraram oficinas para moradores e estudantes das comunidades visitadas.
A experiência foi construída em cinco municípios do Pará — Belém, Aurora do Pará, Tomé-Açu, Curuçá e São Sebastião da Boa Vista — onde a comunicação deixou de ser apenas instrumento de divulgação para se tornar parte das atividades extensionistas.
Enquanto uma equipe registrava diariamente as ações do programa, outra conduzia oficinas sobre fotografia, web rádio, produção audiovisual, redes sociais e uso responsável do celular por crianças e adolescentes. Ao todo, dezenas de estudantes participaram das atividades formativas, produzindo conteúdo em diferentes linguagens e experimentando práticas de comunicação comunitária.
Para o coordenador do Comtrilhas e coordenador-adjunto do Trilhas Potiguares, professor Itamar Nobre, a extensão acelera processos de aprendizagem que dificilmente seriam reproduzidos apenas em sala de aula.
“Em uma semana eles aprendem, na prática, mais do que aprenderiam em tempos muito maiores. Essa experiência tem um peso imensurável na formação profissional”, afirma.
Antes mesmo da viagem ao Pará, os estudantes passaram por uma preparação que reuniu oficinas sobre audiovisual, produção jornalística, entrevistas, podcast, rádio, fotografia, assessoria de comunicação e comunicação comunitária. A ideia era que chegassem aos territórios preparados para atuar em diferentes frentes e compreender a comunicação como parte da relação entre universidade e sociedade.
A cobertura das atividades também contou com uma equipe que permaneceu em Natal. Responsável pela edição de vídeos, produção de textos, gestão das redes sociais e apoio à assessoria de comunicação, o grupo garantiu que as ações realizadas na Amazônia fossem divulgadas em tempo real.
Entre os estudantes que participaram da experiência está Fabrício Feitosa, aluno de Jornalismo da UFRN. Para ele, a vivência permitiu aproximar os conteúdos aprendidos na universidade das demandas encontradas durante as ações extensionistas.
“Aprendi muito com a equipe e também pude colocar em prática os conhecimentos adquiridos na universidade. A convivência com as comunidades ampliou meu olhar sobre o papel social do jornalismo”, relata.
Além da produção jornalística, estudantes também ministraram oficinas voltadas à comunicação digital. A de web rádio, por exemplo, reuniu cerca de 70 participantes, abordando técnicas de produção sonora, transmissão pela internet e comunicação em plataformas digitais.
Segundo o pró-reitor adjunto de Extensão da UFRN, Luiz Alves, a comunicação exerce um papel estratégico para aproximar a universidade da população e dar visibilidade às ações de extensão desenvolvidas nos territórios.
Ao longo de quase duas décadas, o Comtrilhas também se consolidou como espaço de formação para profissionais que hoje atuam em diferentes segmentos da comunicação. A proposta do projeto é integrar ensino, pesquisa e extensão, permitindo que estudantes vivenciem situações reais de produção jornalística antes da entrada definitiva no mercado de trabalho.
A experiência desenvolvida no Pará integrou a edição comemorativa dos 30 anos do Programa Trilhas Potiguares, iniciativa criada pela UFRN em 1996 para desenvolver ações de extensão em comunidades. Tradicionalmente realizado no Rio Grande do Norte, o programa vem ampliando sua atuação para outras regiões do país e fortalecendo parcerias com universidades brasileiras e estrangeiras.
Mais do que registrar o que acontece durante as atividades, o trabalho dos estudantes evidencia outra dimensão da extensão universitária: a possibilidade de formar comunicadores em contato direto com diferentes realidades sociais, culturais e territoriais, transformando o exercício do jornalismo em uma experiência de escuta, documentação e construção coletiva do conhecimento.
Com informações de Gilvictor Nascimento e Natália Guimarães- Projeto Comtrilhas/UFRN
Fonte: saibamais.jor.br





