Houve um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”, afirmou governadora
A governadora Fátima Bezerra afirmou que a decisão de abrir mão da pré-candidatura a senadora teve a ver diretamente com a quebra de compromisso do vice-governador Walter Alves (MDB), que anunciou que não assumiria o cargo caso a petista renunciasse para disputar as eleições de 2026. Em sua “Carta ao Povo Potiguar”, divulgada nesta terça-feira (17), ela disse que a escolha do ex-aliado fazia parte de um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”.
A governadora citou que, para viabilizar sua candidatura a senadora, “era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022”. Fátima disse que a decisão de Walter atendia “a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.
“Eles tentaram nos enterrar”, disse a governadora em trecho da sua carta aberta, fazendo referência ao plano para isolar o PT, que incluiria a crise política que levou ao rompimento de Walter Alves.
Em outro trecho do comunicado, em aparente indireta dirigida a Walter Alves, Fátima afirmou que “o que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público”.
“Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”, expressou.
Em entrevista coletiva na sede da Governadoria do RN, após a leitura da carta aberta, Fátima reafirmou que Walter, apesar de convidado, abdicou de assumir o cargo e ser candidato à reeleição, rompendo o compromisso firmado em 2022 entre PT e MDB.
“De uma hora pra outra, de forma bruta, isso veio se dar agora no final do ano, ele comunicou que não assumiria mais o governo. A partir daí, evidentemente, que nós fizemos várias articulações com vistas a viabilizar, através da eleição indireta, um nome que tivesse compromisso com o projeto em curso e evitar retrocessos para o Rio Grande do Norte”, declarou.
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Lula “lamentou profundamente” decisão da governadora de não disputar o Senado, revelou Fátima
Fátima também relatou que o presidente Lula “lamentou profundamente” sua decisão de desistir da disputa ao Senado, mas assegurou que apoiaria a governadora em qualquer caminho que ela resolvesse seguir.
“O presidente de Lula me disse que, evidentemente, a decisão caberia a mim, porque é uma decisão de caráter pessoal e intransferível. Ele me assegurou de forma muito categórica que qualquer que fosse a decisão que eu tomasse, ele estaria ao meu lado. Agora é isso que está posto”, contou.
A governadora disse ainda que tanto o presidente Lula quanto a Direção Nacional do PT foram “surpreendidos” com a “decisão abrupta” do rompimento do vice-governador Walter Alves, que anunciou apoio à pré-candidatura a governador do prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União).
“Estava tudo encaminhado, estávamos trabalhando na nominata da Federação [PT, PV e PCdoB] e a nominata do MDB. A transição já estava em curso”, lembrou ela, citando os arranjos que vinham sendo feitos para que o vice assumisse o Governo do Estado.
Pré-candidatura de Cadu é de “continuidade para avançar”, diz Fátima

Fátima também disse que a pré-candidatura a governador do secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT) “não é apenas de continuidade, mas de uma continuidade para avançar em sintonia e sinergia com o projeto de desenvolvimento nacional liderado pelo presidente Lula”.
A governadora admitiu que, apesar das tentativas de articulação até então em curso, não foi possível viabilizar a candidatura do aliado para a eleição indireta que seria realizada na Assembleia Legislativa, uma vez confirmadas as renúncias dela e do vice-governador Walter Alves.
Diante do risco de entregar o governo à oposição, segundo a governadora, o seu “senso de responsabilidade falou mais alto”, o que culminou com a decisão de seguir à frente do Executivo do RN.
Ela repetiu que sua decisão era motivada pela mesma coragem que teve em vários momentos da sua trajetória política, citando que abriu mão de “eleições confortáveis” para disputar outros cargos em pleitos anteriores.
“É com essa mesma coragem que agora tomamos essa decisão, em nome do amor e do respeito que a gente tem pelo povo do Rio Grande do Norte”, disse.
O pré-candidato a governador Cadu Xavier ressaltou o “compromisso” da governadora com o Rio Grande do Norte, repetiu que houve um “movimento para tirá-la da disputa ao Senado” e afirmou que, quando a campanha começar, o bloco governista irá às ruas “para defender o legado de Fátima, reeleger o presidente Lula e eleger o pré-candidato do PT ao Governo do Estado”.
PT indicará nome ao Senado

Fátima confirmou que o PT definirá nos próximos dias, em diálogo com os partidos aliados, um nome para substituí-la na disputa ao Senado Federal. Uma das cotadas é a presidente estadual da legenda e vereadora de Natal Samanda Alves.
“Essa discussão vai passar pelo partido, mas isso já foi comunicado inclusive ao presidente Nacional do PT. Agora vamos tratar exatamente de organizar o time de Lula no RN. Lembrando que nós temos Cadu como pré-candidato ao governo, mas nós temos que definir a vice, temos duas vagas para o Senado e temos ainda as suplências. Mas, repito, o partido vai indicar o nome para o Senado”, enfatizou.
Ela confirmou que o nome de Samanda Alves está colocado na mesa, mas evitou cravar que a vereadora será candidata, reiterando que a “discussão passará inicialmente pela instância partidária”.
Samanda afirma que está “à disposição do PT”
Samanda Alves disse que estaria pronta para cumprir qualquer tarefa que lhe for designada pelo PT e pela governadora Fátima Bezerra.
“Nós sabemos quais foram as condições que estão impedindo que Fátima seja candidata ao Senado, mas não vamos abrir mão de ter um nome do PT”, comentou a dirigente partidária.
A petista disse estar “à disposição” da legenda, mas reforçou que as decisões no PT “acontecem com muito diálogo”, defendeu o fortalecimento da unidade do partido e afirmou que fará o debate internamente para “tomar uma decisão coletivamente”.

O líder do governo da Assembleia Legislativa, Francisco do PT, que também foi especulado para substituir Fátima na disputa pelo Senado, também defendeu o nome de Samanda Alves.
“A governadora anunciou que o PT pleiteia uma das vagas ao Senado. Isso vai ser discutido e amadurecido não só pelo PT, como também pelos partidos da Federação e aqueles que compõem o nosso arco de alianças no Governo do Estado, mas eu tenho uma simpatia pelo nome da companheira Samanda Alves”, declarou.
Fonte: saibamais.jor.br





