Nikolas Ferreira usou avião de Vorcaro para vir a Natal fazer campanha para Bolsonaro
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve em Natal em outubro de 2022 para participar de um evento de campanha em apoio à reeleição do então presidente Jair Bolsonaro (PL). A viagem à capital potiguar fez parte de uma caravana política que percorreu diversas capitais do país durante o segundo turno das eleições e foi realizada a bordo de um jatinho pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A informação foi revelada em reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada no jornal O Globo. De acordo com a publicação, Nikolas e os integrantes da caravana “Juventude pelo Brasil”, entre eles o pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha, utilizaram o avião do banqueiro durante dez dias, percorrendo pelo menos nove estados e o Distrito Federal, entre 20 e 28 de outubro de 2022, em campanha para Jair Bolsonaro.
A mobilização tinha como objetivo reforçar o apoio ao então candidato à reeleição em estados onde o à época candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, havia vencido no primeiro turno. A estratégia buscava mobilizar especialmente o eleitorado jovem e evangélico na reta final da campanha numa tentativa de virar o jogo.
Evento em Natal
Em Natal, a agenda ocorreu no dia 23 de outubro de 2022, no Hotel Holiday Inn. O encontro reuniu apoiadores de Bolsonaro e contou com a presença do recém-eleito senador Rogério Marinho (PL).
De acordo com registros da agenda da caravana, a comitiva chegou à capital potiguar vindo de João Pessoa (PB), utilizando a aeronave pertencente a Daniel Vorcaro.
O ato de campanha em Natal integrou um roteiro que percorreu várias capitais nordestinas e cidades de Minas Gerais e de Brasília. Os eventos eram organizados com forte mobilização nas redes sociais e tinham como foco encontros com apoiadores, lideranças religiosas e jovens eleitores.
Ainda segundo a reportagem de O Globo, os deslocamentos da caravana foram realizados em um jato executivo com capacidade para cerca de dez passageiros. O nome do empresário, porém, não apareceu na prestação de contas da campanha presidencial de 2022 de Jair Bolsonaro.
Em nota divulgada após a revelação do caso, Nikolas afirmou que participou da viagem a convite de organizadores do evento político e disse que não sabia quem era o proprietário da aeronave na ocasião.
“Minha presença no voo se deu exclusivamente em razão do convite para a agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave”, declarou o deputado.
Prisão de Vorcaro

A revelação sobre o uso do avião ocorre em meio às investigações que envolvem o controlador do Banco Master.
Nesta quarta-feira (4), Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez, agora por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, novo relator da Operação Compliance Zero.
O banqueiro foi levado ao CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos (SP) hoje à tarde após passar por audiência de custódia na sede da Justiça Federal.
Além de Daniel Vorcaro, também foi preso seu cunhado, Fabiano Zettel, que também atuava na Igreja Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. Ele não foi encontrado durante o cumprimento dos mandados, mas se entregou mais tarde à Polícia Federal.
As prisões de Vorcaro e de Zettel foram cumpridas na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, além de um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.
A Polícia Federal também prendeu o policial federal Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, que estaria conduzindo monitoramento de adversários de Vorcaro.
“A Turma” pretendia “quebrar os dentes” de jornalista
As investigações apontam que o grupo criminoso mantinha estrutura de vigilância e coerção privada, denominada “A Turma”, destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos do conglomerado financeiro encabeçado pelo Banco Master.
“A Turma” recebia R$ 1 milhão por mês para realizar os monitoramentos, segundo as investigações da PF. Vorcaro, segundo a decisão do ministro André Mendonça, era quem comandava o grupo, tendo contratado uma pessoa para monitorar seus adversários.
Um dos alvos dele, ainda segundo as investigações, era o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. Em uma troca de mensagens detectada pela PF, o banqueiro cita a possibilidade de simular um assalto para “quebrar todos os dentes” do profissional.
A terceira fase da Operação Compliance Zero também deu ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões.
A operação apura fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores.
No ano passado, o empresário também foi alvo de um mandado de prisão, mas ganhou direito à liberdade provisória, mediante uso de tornozeleira eletrônica.
Fonte: saibamais.jor.br






