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solução apresentada pela Prefeitura não resolve problemas, diz engenheiro

Para o engenheiro e professor aposentado da UFRN, João Abner, a solução apresentada pela Prefeitura de Natal para resolver os problemas de drenagens na praia de Ponta Negra não soluciona, de fato, o transtorno. Segundo o engenheiro, falta diálogo e debate técnico por parte do Executivo.

João Abner possui mestrado em Recursos Hídricos pela UFPB e doutorado em Hidráulica e Saneamento pela USP, além de ser fundador do curso de pós-graduação de Engenharia Ambiental da UFRN, onde lecionou até 2015. 

“A Prefeitura continua insistindo em não reconhecer os erros que foram cometidos com a engorda de Ponta Negra. O problema maior que ocorreu foi ter feito o aterro hidráulico sobre o sistema de drenagem distinto, e sem uma obra para impedir os impactos que ocorreram devido a isso”, aponta.

A Prefeitura realizou um aterro de 2,75m ao longo de mais de quatro quilômetros da orla, sobre o sistema de drenagem que descarregava livremente na praia. Com isso, segundo João Abner, as galerias ficaram pressurizadas. Ele também diz que houve um aumento na quantidade de esgoto que chega à praia. “E agora não. Agora o sistema de esgoto está misturado com a drenagem, e isso é proibido por lei.”

Na última quarta-feira (13), a Prefeitura lançou um edital de licitação para contratar uma empresa para a execução de obra de drenagem de águas pluviais em Ponta Negra. A obra vai receber um investimento de R$21 milhões e está prevista para acontecer em três pontos: nas ruas Francisco Gurgel e dissipador 9; na rua João Rodrigues de Oliveira; e na rua Praia de Pirangi. 

A proposta contempla a implantação de três reservatórios subterrâneos de água distribuídos em três pontos da orla, conhecidos como reservatórios de detenção e infiltração com capacidade total de armazenamento de até 50 mil metros cúbicos.

O objetivo é minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia desde a inauguração do aterro hidráulico no início de 2025. De acordo com a Prefeitura, o sistema foi dimensionado para suportar chuvas com intensidade até 60 mm, permitindo a infiltração da água no solo. 

Ainda assim, em casos de precipitações superiores a esse volume, o excedente será direcionado para a faixa de areia, podendo formar alagamentos que a Prefeitura vem chamando de “espelhos d’água”, que devem se dissipar rapidamente por infiltração.

“A Prefeitura está tentando desviar a questão. Porque o que ela está propondo não enfrenta o problema principal que é essa questão dos impactos sobre o sistema de drenagem. A solução que ela está apresentando, que é a construção de reservatórios, não vai resolver o problema. O volume que esses reservatórios vão absorver não representa nem 10% dos volumes que são escoados para a praia”, aponta o engenheiro. 

Segundo o engenheiro, o destino final da água da drenagem de Ponta Negra tem que ser o mar. 

“Não tem como se absorver. Se absorver em volume, em reservatório, tem que ser em grande volume. E você não tem disponível mais espaço para fazer em reservatórios. O máximo que eles vão conseguir é o volume da água de 10%, o que é muito pouco para absorver esse impacto. Então, a água antes ia para a praia pela superfície do terreno, que é inclinada naturalmente”, explica. 

“O que ocorreu? Fizeram um aterro, e aí essa água continuou existindo. Então, com isso, eles construíram caixas nessas 16 saídas para permitir que a água subisse do nível que estavam chegando, subindo para o nível 2,75 m, quase 3m acima. E chamaram essas caixas de dissipadores de energia. Isso não é dissipador de energia. Pelo contrário. O que na prática ocorreu foi que houve um processo de pressurização. Hoje, as galerias estão sendo pressurizadas”, prossegue.

Para João Abner, a Prefeitura tem focado na perspectiva política ao invés da técnica.

“Tudo que a Prefeitura está fazendo é pensando na questão política. O problema tem que ser enfrentado tecnicamente, não é politicamente. Não adianta”, resume.

Alagamentos vão continuar ocorrendo

Em entrevista à imprensa, na última quarta, Thiago Mesquita defendeu a obra da engorda e disse que não houve problemas na execução — embora uma primeira drenagem já tenha sido feita e entregue no ano passado.

“A formação dos espelhos d’águas não é um problema. Nós temos ali aproximadamente uma bacia de 400 mil metros quadrados, que quando chove em torno de 120 milímetros, por exemplo, como foi a última chuva, você tem 120 milhões de litros de água que descem até Ponta Negra”, disse o secretário.

Saiba Mais: Engorda: Prefeitura anuncia nova obra de drenagem, mas diz que “espelhos d’água” continuarão

Segundo ele, a Prefeitura buscará fazer um espraiamento e diminuir a velocidade com que a água chega até a orla.

“O que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está fazendo agora é complementando ainda mais esse mesmo sistema com o objetivo de retardar ainda mais, diminuir ainda mais a sua velocidade para que a água chegue ainda mais espraiada na praia.”

Apesar disso, o secretário afirmou que os “espelhos d’água” na orla vão continuar a existir.

“Havendo chuvas acima de 60 milímetros, continuará a formar espelhos d’água. Um volume menor, numa espessura menor, com maior capacidade de retenção, mas como explicamos aqui hoje, o sistema está sendo melhorado, mas ele continua com a mesma concepção”, explicou.

Saiba Mais: Estudo da Prefeitura reconhece alagamentos em Ponta Negra e admite erosão

Fonte: saibamais.jor.br

Valcidney Soares

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