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UERN estrutura política pioneira de manejo de animais comunitários

UERN estrutura política pioneira de manejo de animais comunitários

A política de manejo de animais comunitários desenvolvida pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) tem se consolidado como uma das experiências mais estruturadas do estado para lidar com um problema que ultrapassa os limites institucionais e se insere no campo da saúde pública, da convivência urbana e da responsabilidade coletiva. Mais do que uma diretriz formal, a iniciativa nasce de práticas já em curso e ganha corpo como resposta a uma demanda concreta vivida no cotidiano universitário.

À frente desse processo está a professora Jéssica Figueiredo, que coordena a comissão responsável pela política e atua na articulação entre setores internos e externos. “Desde o início, nós buscamos tratar esse tema com muita responsabilidade, entendendo que a presença dos animais nos campi envolve bem-estar animal, saúde pública, questões de segurança, educação e compromisso institucional”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.

A participação da universidade em audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, realizada nesta semana, ajudou a dar visibilidade à iniciativa, mas o trabalho apresentado ali é resultado de um processo mais amplo e contínuo de construção institucional.

A política foi formalizada pela resolução nº 12 de 2025 e estruturada a partir de um diagnóstico interno. Segundo Jéssica, o ponto de partida foi reconhecer que a presença de animais nos campi não poderia mais ser tratada de forma improvisada. “A elaboração partiu da análise da realidade vivida pela universidade, do diálogo com diversos setores e da observação de diretrizes legais e técnicas, inclusive internacionais, sobre manejo ético”, explica.

O desenho da política envolveu uma rede ampla. Pró-reitorias, prefeituras de campus, cursos como Biologia e Gestão Ambiental, além da agência de comunicação institucional, participaram da formulação. Também houve interlocução com representantes da sociedade civil e da própria comunidade acadêmica. O objetivo era garantir que as diretrizes fossem aplicáveis, consistentes e viáveis.

Essa estrutura se desdobra em uma comissão considerada robusta, com funções distribuídas entre capacitação, execução e comunicação. A ideia é assegurar que a política não fique restrita ao papel, mas se traduza em ações contínuas e monitoradas.

Na prática, as medidas incluem castração, vacinação, identificação dos animais, definição de pontos adequados para alimentação e campanhas de adoção responsável. Antes mesmo da formalização, essas ações já vinham sendo executadas.

Os resultados começam a aparecer. Desde fevereiro de 2025, mais de 227 animais foram castrados no campus de Mossoró e mais de 50 adoções foram incentivadas. Além dos números, há impactos na dinâmica interna. “Os conflitos diminuíram. Antes, havia muita dúvida sobre o que podia ou não ser feito. Hoje, a universidade tem uma orientação clara, e isso já é um avanço importante”, destaca a professora.

Outro efeito observado é o fortalecimento de uma cultura de convivência mais responsável. A política contribui para alinhar práticas individuais a um entendimento coletivo sobre cuidado, segurança e respeito aos animais.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem significativos. Um dos principais pontos levantados por Jéssica é o abandono recorrente de animais nos campi. “As pessoas muitas vezes veem a universidade como um local seguro para deixar esses animais, mas isso é equivocado. É uma prática com a qual não concordamos e que buscamos coibir”, afirma.

Esse fluxo contínuo dificulta o controle populacional e exige vigilância permanente. Além disso, a manutenção das ações demanda recursos, estrutura e corresponsabilização institucional. “A política não pode depender apenas de iniciativas pontuais. É preciso garantir continuidade, com acompanhamento e investimento”, ressalta.

Outro desafio central é a articulação externa. Para a professora, a universidade não tem condições de resolver sozinha um problema que é estrutural. “Precisamos de uma atuação integrada com o poder público, órgãos de proteção animal e a sociedade civil. Sem isso, os avanços ficam limitados ao espaço interno.”

A consolidação da política como referência também depende de etapas futuras, como o fortalecimento do monitoramento de dados e a ampliação de ações educativas. A ideia é que a experiência ultrapasse os muros da universidade e contribua para a formulação de políticas públicas mais amplas.

“A gente precisa avançar na construção de uma cultura de convivência responsável, com educação permanente e articulação interinstitucional. Só assim será possível mudar o cenário de forma mais abrangente”, afirma.

Nesse contexto, a busca é de estabelecer entre proteção animal e responsabilidade pública. Ao reconhecer limites e apostar na cooperação, a política aponta para um modelo que, embora ainda em consolidação, já oferece pistas concretas de como enfrentar o problema de forma estruturada.

SAIBA MAIS:
Morte da gata Lucy inspira projeto de lei para proteger animais comunitários no RN

Fonte: saibamais.jor.br

Gil Araújo

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