A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) negou em nota a perda definitiva de areia na engorda de Ponta Negra, após estudo realizado pela Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) apontar que houve redução de 39,27% do volume depositado entre fevereiro de 2025 e fevereiro deste ano.
Para a pasta, o relatório citado não afirma que houve perda definitiva de 40% do aterro hidráulico. “A análise realizada refere-se exclusivamente à faixa da praia e, ainda assim, em uma redução associada à dinâmica natural de transporte e redistribuição de sedimentos ao longo da orla, sem representar a saída desse material do sistema costeiro”, justificou a Seinfra.
De acordo com a Secretaria, “é prematuro determinar com precisão origem, transporte e destino dos sedimentos, o que demandará estudos técnicos complementares.”
“Ressaltamos, por fim, ser fundamental uma avaliação criteriosa sobre dados tecnicamente tão rigorosos, a fim de evitar conclusões precipitadas, inconsistentes ou entendimentos distorcidos sobre o andamento do projeto”, finalizou a pasta.
O relatório da Funpec dividiu a análise em três pontos: área A (Via Costeira), área B (Ponta Negra) e área C (Morro do Careca). No período de um ano, o volume de areia em toda a engorda saiu de 1,02 milhão m³ para 619,8 mil m³, uma diferença de volume de 400,9 mil m³ (39,27%).
A Via Costeira apresentou a maior redução absoluta, com perda de 207.059,2 m³, correspondendo a aproximadamente 49,74% do volume inicialmente disposto. Já a área B (Ponta Negra) registrou perda volumétrica de 82.748,3 m³, o que corresponde a 21,21% do volume inicial, enquanto a diferença no Morro do Careca foi de 51,87% (passou de 214,2 mil m³ para 103,1 mil m³).
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O relatório aponta que houve perda de sedimentos em todas as zonas analisadas, ainda que processos naturais, como o transporte de sedimentos do fundo oceânico para a zona emersa, possam gerar acréscimos temporários e localizados no estoque arenoso.
De acordo com a conclusão do documento, a análise dos dados evidencia que o aterro hidráulico apresentou efeito temporário em alguns pontos. A engorda aumentou o estoque sedimentar na maior parte da praia, sobretudo na Zona B (Ponta Negra), mas não conseguiu conter os processos erosivos no extremo sul, na Zona C (Morro do Careca), onde os processos naturais associados à drenagem concentrada continuam a atuar como principal agente de instabilidade.
As projeções levantadas pela Funpec indicam que, sem intervenções complementares, a tendência é de continuidade da perda de sedimentos no Morro do Careca e redistribuição dos materiais para Ponta Negra até que se atinja um novo equilíbrio sedimentar. As intervenções citadas são:
• Reaterro
• Controle de drenagem a montante
• Redimensionamento dos dissipadores
• Implantação de lagoas de captação/infiltração no bairro de Ponta Negra
“De forma geral, os resultados permitem concluir que o aterro hidráulico melhorou as condições da praia, mas não solucionou o problema estrutural no Morro do Careca, onde a ação combinada da drenagem pluvial e da energia de ondas mantém a erosão. Além disso, confirmam a ocorrência de transporte de sedimentos do sul para o centro e norte da praia, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e de medidas adicionais de contenção”, afirma o relatório.
Episódios críticos de erosão
O estudo revela que, durante o período analisado, ocorreram quatro eventos críticos de rompimento do aterro hidráulico. O primeiro foi em 6 de fevereiro de 2025, poucos dias após a entrega da obra, quando uma voçoroca se abriu e precisou ser aterrada.
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O segundo episódio aconteceu em 18 de junho do ano passado, quando novo rompimento causou erosão no sopé do Morro do Careca, desta vez sem recomposição imediata. Ambos os episódios foram desencadeados pela concentração de fluxos oriundos da drenagem da área urbana adjacente à praia, ocasionando o extravasamento dos dissipadores que acabou direcionando o fluxo de água de grande parte da pós-praia para o sopé do morro, superando a cota do aterro hidráulico e iniciando processos erosivos acelerados.
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O terceiro foi em outubro de 2025 em que se observou acúmulo de água na região pós-praia da engorda. A situação foi ocasionada, segundo o estudo, por uma maré alta coincidente com a superlua.
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O quarto foi novamente desencadeado pela concentração de fluxos de água pluviais adjacente à praia em fevereiro de 2026, direcionando o fluxo de água de parte da pós-praia para o sopé do morro, superando a cota do aterro hidráulico e iniciando processos erosivos acelerados.
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Fonte: saibamais.jor.br





