Foi com um ato político e um abraço coletivo que trabalhadores da saúde e usuários do SUS cobraram a abertura do Hospital Municipal de Natal, inaugurado em 2024 pelo ex-prefeito Álvaro Dias (PL) e até hoje ainda sem funcionamento.
A manifestação aconteceu na manhã desta terça-feira (2) em frente ao equipamento, localizado na Avenida Omar O’Grady, próximo à UPA de Cidade Satélite. O ato foi convocado por sindicatos da área (Sindicato da Saúde, dos Enfermeiros, dos Odontólogos, dos Farmacêuticos e dos Médicos), além da CSP-Conlutas.
De acordo com a Prefeitura de Natal, a previsão de inauguração é para julho. Foram investidos na primeira etapa da obra R$ 140 milhões, em recursos de emendas parlamentares e do Governo Federal, através Ministério da Saúde. Em novembro, durante reunião com a bancada federal, o Executivo solicitou a destinação de R$ 110 milhões para a conclusão da obra.
Quando estiver concluído, segundo a Prefeitura, o hospital contará com 266 leitos de internação, sendo 40 de UTIs, divididos entre UTI adulta geral (20), neonatal (10) e pediátrica (10), além de leitos específicos classificados como PPP – para pacientes de pré-parto, parto e pós-parto (10).
“A gente sabe muito bem que esse hospital foi inaugurado às pressas para poder fazer campanha eleitoral para Paulinho Freire”, criticou, no ato, o diretor do Sindsaúde, Paulo Martins.
“A nossa conversa hoje aqui, ao pé do ouvido, da população, é que nós queremos que esse hospital abra. Para que dê atenção, para que melhore a situação da população de Natal que precisa de um hospital”, prosseguiu o sindicalista.
Uma usuária do SUS, não identificada, cobrou a abertura do equipamento para que o acesso à saúde possa ser ampliado na capital.
“Que a população possa ter acesso a exames específicos, possa ter atendimento melhor. Eu mesma estou precisando fazer um acompanhamento mais específico, poderia estar utilizando esse equipamento. Não tem como utilizar porque a pouca estrutura construída já está deteriorada, como foi mostrado em algumas redes sociais. Então como é que a gente vai acreditar que vai ter esse equipamento inaugurado? Que não vai ficar só recebendo dinheiro e a população a mercê de não ter uma condição mínima para ter assistência, atendimento médico, enfermagem, tudo da forma devida? E isso é uma reclamação não só minha, eu tenho certeza, mas de toda a cidade do Natal”, afirmou.
Em visita técnica realizada em novembro de 2025, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) apontou a existência de fissuras em áreas do Hospital Municipal de Natal, infiltrações e “ausência de frentes de trabalho ativas” na obra.
De acordo com a publicação, foram identificados problemas em locais como a área administrativa, ambulatório e no bloco destinado às atividades de consultas, internações e cirurgias.
Saiba Mais: MP encontra fissuras e infiltrações em obra do Hospital Municipal de Natal
Na área administrativa, os problemas encontrados foram: rufos (peças metálicas no telhado) com detalhamento inadequado; desplacamento de soleiras; fissuras em chapins (peças de concreto) e platibandas (mureta construída para esconder telhado); irregularidades no assentamento de pisos; e falhas de acabamento em corrimãos e início de corrosão em válvulas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).
Já no ambulatório, o MP identificou fissuração estrutural extensa em paredes externas; indícios de infiltração; tubulações expostas em ambientes internos; descontinuidade de junta de dilatação vertical no piso; e desplacamento de drywall.
No Bloco Hospital, além do efetivo reduzido, armaduras estavam com indício de corrosão, além de haver acúmulo de entulho no canteiro; presença de fissuras em alvenarias externas; e pilares com armaduras expostas e restos de formas não removidas. Essa parte da obra, à época, estava em fase inicial, mas apresentava um bom padrão de acabamento externo.
Em nota em maio deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal informou que o relatório reforçou que, no geral, a obra apresenta boa qualidade. “O MPRN também realizou algumas recomendações específicas e pontuais ao projeto, com intervenções corretivas já iniciadas (pela empresa responsável pela execução da construção)”, disse a pasta.
Segundo a SMS, nenhum dos itens apontados compromete a estabilidade global da estrutura nem a segurança dos ocupantes.
“O projeto de construção do Hospital de Natal foi distribuído em duas etapas. Para iniciar o funcionamento da primeira fase, foi necessária também a execução de alguns serviços que estavam inicialmente inseridos na segunda etapa e que atenderão a todo o complexo, como a construção de dois centros cirúrgicos. A obra segue em fase final de conclusão, com previsão de que os primeiros acolhimentos sejam iniciados no mês de julho de 2026”, comunicou a Secretaria.
Fonte: saibamais.jor.br





