A área do Morro do Careca já perdeu 51,87% do volume inicial de areia depositado com a engorda na praia de Ponta Negra. A constatação é de um estudo realizado pela Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec). O relatório ainda apontou que o aterro hidráulico não solucionou o problema estrutural no principal ponto turístico de Natal.
As informações foram reveladas inicialmente pelo De Repente Podcast, apresentado pelo jornalista Rafael Barbosa e pela deputada federal Natália Bonavides (PT), e confirmadas pela Agência SAIBA MAIS. O relatório comparativo observou a situação da engorda entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 e dividiu a análise em três pontos: área A (Via Costeira), área B (Ponta Negra) e área C (Morro do Careca). No período de um ano, o volume de areia no Morro saiu de 214,2 mil m³ para 103,1 mil m³, uma redução de 111,1 mil m³ (-51,87%).
A Via Costeira apresentou a maior redução absoluta, com perda de 207.059,2 m³, correspondendo a aproximadamente 49,74% do volume inicialmente disposto. Já a área B (Ponta Negra) registrou perda volumétrica de 82.748,3 m³, o que corresponde a 21,21% do volume inicial. No total, a redução total de areia foi de 39,27%.
| Área | Fev. 2025 | Fev. 2026 | Diferença de volume | Erosão |
| Via Costeira | 416,3 mil m³ | 209,2 mil m³ | 207,0 mil m³ | 49,74% |
| Ponta Negra | 390,2 mil m³ | 307,4 mil m³ | 82,7 mil m³ | 21,21% |
| Morro do Careca | 214,2 mil m³ | 103,1 mil m³ | 111,1 mil m³ | 51,87% |
| Total | 1,02 milhão m³ | 619,8 mil m³ | 400,9 mil m³ | 39,27% |
Fonte: Funpec
O relatório aponta que houve perda de sedimentos em todas as zonas analisadas, ainda que processos naturais, como o transporte de sedimentos do fundo oceânico para a zona emersa, possam gerar acréscimos temporários e localizados no estoque arenoso.
De acordo com a conclusão do documento, a análise dos dados evidencia que o aterro hidráulico apresentou efeito temporário em alguns pontos. A engorda aumentou o estoque sedimentar na maior parte da praia, sobretudo na Zona B (Ponta Negra), mas não conseguiu conter os processos erosivos no extremo sul, na Zona C (Morro do Careca), onde os processos naturais associados à drenagem concentrada continuam a atuar como principal agente de instabilidade.
As projeções levantadas pela Funpec indicam que, sem intervenções complementares, a tendência é de continuidade da perda de sedimentos no Morro do Careca e redistribuição dos materiais para Ponta Negra até que se atinja um novo equilíbrio sedimentar. As intervenções citadas são:
• Reaterro
• Controle de drenagem a montante
• Redimensionamento dos dissipadores
• Implantação de lagoas de captação/infiltração no bairro de Ponta Negra
“De forma geral, os resultados permitem concluir que o aterro hidráulico melhorou as condições da praia, mas não solucionou o problema estrutural no Morro do Careca, onde a ação combinada da drenagem pluvial e da energia de ondas mantém a erosão. Além disso, confirmam a ocorrência de transporte de sedimentos do sul para o centro e norte da praia, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e de medidas adicionais de contenção”, afirma o relatório.
Episódios críticos de erosão
O estudo revela que, durante o período analisado, ocorreram quatro eventos críticos de rompimento do aterro hidráulico. O primeiro foi em 6 de fevereiro de 2025, poucos dias após a entrega da obra, quando uma voçoroca se abriu e precisou ser aterrada.
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O segundo episódio aconteceu em 18 de junho do ano passado, quando novo rompimento causou erosão no sopé do Morro do Careca, desta vez sem recomposição imediata. Ambos os episódios foram desencadeados pela concentração de fluxos oriundos da drenagem da área urbana adjacente à praia, ocasionando o extravasamento dos dissipadores que acabou direcionando o fluxo de água de grande parte da pós-praia para o sopé do morro, superando a cota do aterro hidráulico e iniciando processos erosivos acelerados.
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O terceiro foi em outubro de 2025 em que se observou acúmulo de água na região pós-praia da engorda. A situação foi ocasionada, segundo o estudo, por uma maré alta coincidente com a superlua.
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O quarto foi novamente desencadeado pela concentração de fluxos de água pluviais adjacente à praia em fevereiro de 2026, direcionando o fluxo de água de parte da pós-praia para o sopé do morro, superando a cota do aterro hidráulico e iniciando processos erosivos acelerados.
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Fonte: saibamais.jor.br





