O jornalista e criador de conteúdo Tallyson Moura usou o humor e a inteligência artificial para responder a um preconceito antigo ainda direcionado a nordestinos nas redes sociais: o uso pejorativo da palavra “paraíba”. Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, ele aparece transformado por IA em figuras importantes da cultura nordestina enquanto rebate, com ironia, ataques xenófobos.
O texto em vídeo é uma resposta ao cantor Ed Motta, envolvido em nova polêmica, no Rio de Janeiro, ao atirar uma cadeira no chão e se referir a um garçom como “paraíba” em razão do preço da rolha de vinho cobrada por um restaurante.
Conhecido por produzir conteúdos voltados à valorização da cultura nordestina, Tallyson afirma, em entrevista à Agência Saiba Mais, que nunca quis construir sua presença digital a partir do confronto direto com discursos de ódio. Segundo ele, a ideia do vídeo surgiu justamente da tentativa de responder ao preconceito sem reproduzir a lógica da agressão. Confira o vídeo:
“Não gosto da ideia de ser pautado pelo preconceito, pelo ódio ou pela xenofobia. Muitos nordestinos entram em confronto direto após falas xenófobicas, o que muitas vezes só dá visibilidade a quem não merece”, afirmou.
Vídeo alcançou mais de 1 milhão de visualizações
A repercussão do vídeo, segundo ele, foi majoritariamente positiva. Além de ultrapassar 9 mil comentários e mais de um milhão de visualizações, a publicação também gerou mensagens privadas e ligações de familiares que viram o conteúdo circulando em grupos de conversa.
Entre as reações que mais marcaram o jornalista está a da cantora e influenciadora Juliette, citada no vídeo. “Ela não só comentou, como repostou o vídeo. Disse que era uma honra estar presente naquele conteúdo”, contou.
A escolha pelo humor, segundo ele, veio como uma forma de inverter a narrativa.
“Pensei: por que entrar em confronto direto, se posso responder com o que o nordestino tem de melhor: bom humor, deboche e criatividade? A ironia inverte a narrativa. E, quando bem executada, ainda amplia o alcance da mensagem”, disse.
No vídeo, Tallyson utiliza ferramentas de inteligência artificial para assumir a aparência de personalidades marcantes ligadas ao Nordeste. A proposta era justamente confrontar o uso genérico e preconceituoso do termo “paraíba” lembrando a contribuição histórica de artistas, comunicadores e figuras públicas nordestinas para a cultura brasileira.
“Se muita gente usa ‘paraíba’ como uma ofensa genérica, pensei: então vamos lembrar quem são os ‘paraíbas’ que moldam a cultura, a música, o humor, a televisão e o pensamento brasileiro”, explicou.
Entre as referências usadas por ele está o apresentador Chacrinha.
“Imagina falar sobre ‘não saber se comunicar’ e aparecer o Chacrinha? Rs”, brincou.
Responsável por todas as etapas de produção dos vídeos, incluindo a edição, Tallyson conta que percebeu o potencial da ideia ao descobrir que seria possível criar clones digitais das personalidades e inseri-los no próprio cenário de gravação.
“Quando entendi que tecnicamente existia a possibilidade de gerar clones desses artistas e colocá-los dentro do meu próprio cenário de gravação, pensei: vai dar bom demais.”
Para ele, as redes sociais têm um papel ambíguo no debate sobre xenofobia. Ao mesmo tempo em que ampliam discursos preconceituosos, também permitiram que nordestinos passassem a disputar a própria narrativa sobre a região.
“As redes sociais deram aos nordestinos algo que historicamente nos faltava: narrativa própria. Hoje a gente consegue responder, se posicionar, criar discurso e disputar imaginário”, afirmou, para completar:
“Antes, o Nordeste era contado só por um olhar de fora. Agora existe uma geração inteira produzindo conteúdo sobre o Brasil a partir da perspectiva nordestina”, disse.
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Fonte: saibamais.jor.br





