Desde que o ano de 2026 começou, ou deveria ter começado, a 1 de janeiro, que ao abordar amigos, conhecidos, parceiros, interessados e alhures, sobre projetos e afins ouço a frase, quase um mantra: “Certo, Cefas, mas vamos conversar melhor depois do carnaval”.
Sei de longa data que o conceito “depois do carnaval” significa o verdadeiro início do ano. A partir do primeiro dia de janeiro o país passa por uma sucessão de ressaca pós-réveillon, espera e planejamento para o carnaval e os dias da festa momesca em si, quase uma semana de folia.
No caso de residentes em Natal, a bela capital potiguar, ainda há o feriado de Santos Reis, 6 de janeiro, colaborando para mais um dia de inatividade. E na mesma Natal, assim como na vizinha Parnamirim e na “capital do Oeste”, o país de Mossoró, há a cultura secular do “veraneio”, quando parte da população das classes média e alta vai para casa de praia em municípios vizinhos.
De forma que há uma lógica em muita gente começar o ano de fato, pelo menos no sentido de projetos e produtividade efetiva, após o carnaval. Portanto, esta segunda-feira 23 de janeiro pode ser considerada o primeiro dia efetivo do ano, digamos.
Mas, muita calma nessa hora para os workaholics, ansiosos, acelerados e hiperprodutivos. Este, como ocorre a cada quatro anos, será um ano atípico. Ano de Copa do Mundo, a primeira na história em três países (EUA, Canadá e México) e a primeira com 48 seleções, o que obviamente a tornará a com mais partidas: 104. O torneio começa dia 11 de junho e termina em 19 de julho, ou seja, teremos 38 dias de futebol quase ininterruptos.
E a seleção brasileira? Por mais que a relação do povo com a “canarinho” não seja mais a mesma de copas passadas, é certo que o país vai parar em dia de jogo. O primeiro será num sábado contra Marrocos, depois a seleção pega o Haiti na quarta 19, e fecha a primeira fase quarta dia 24 contra a Escócia. Em se classificando, o que deve acontecer, vai para os 16 avos de final (novidade da copa) para, em passando, ir para oitavas de final e mais dois jogos para chegar a grande final. Isso acontecendo, o Brasil terá 8 dias de “feriado” (descontando os jogos aos domingos ou em horário noturno). A Copa do Mundo é uma maravilha e por mim, que amo futebol, assistiria todos os jogos. Mas que o torneio interrompe projetos culturais, por exemplo, é um fato.
Passada a Copa, teremos todos dias de tranquilidade para planejar e produzir. Nem pense nisso. Na verdade, o país durante o torneio futebolístico já estará em plena pré-campanha eleitoral, e se prepare para, entre um gol e outro, ver pré-candidatos passando de bar em bar para apertar sua mão. Inclusive, um dia depois da final da Copa, em 20 de julho, terão início as convenções partidárias para oficializar as candidaturas. Dia 16 de agosto, começa a propaganda eleitoral oficial, de maneira que os candidatos estarão na rua. Em outubro, no dia 4, teremos o primeiro turno e no dia 25, quando for necessário, o segundo turno.
Poderíamos até especular: em outubro, após o resultado eleitoral, o ano começará? Que nada. Estaremos todos com a cabeça no planejamento do réveillon. Vamos que vamos.
Fonte: saibamais.jor.br
