Alunos do curso de Letras da UFRN iniciaram um abaixo-assinado em que pedem a contratação de mais intérpretes e professores. De acordo com a Reitoria da instituição, quase metade dos tradutores intérpretes estão em falta no momento devido à greve dos servidores técnicos administrativos.
O abaixo-assinado foi apresentado por meio do Centro Acadêmico de Letras (Calet), que aponta que os estudantes surdos têm sido os mais prejudicados.
Um desses alunos é Lucas Lima Padilha, que é surdo oralizado. De acordo com o estudante, a falta de intérpretes tem afetado o andamento das aulas.
“Se um intérprete faltar, a aula precisa ser cancelada. Duas aulas de Organização da Educação Brasileira foram canceladas por falta de intérpretes. Motivos: ainda não tinha contratado os temporários e um ficou doente e não tinha substituto”, diz.
Segundo Lucas, se um estudante surdo quiser pagar uma disciplina de outro curso que não faz parte da grade curricular de Letras Libras, vai faltar intérpretes.
“O surdo tem direito a acessibilidade linguística, mas a universidade vem falhando em cumprir esse dever integralmente. É mais difícil para alunos surdos de outros cursos como Design e Matemática”, conta.
“Já é difícil um surdo entrar na universidade pelo o ENEM e agora não consegue acompanhar as aulas por falta de intérpretes nos outros cursos que não têm a presença de surdos. Nem todos surdo quer ensinar Libras no futuro. Queremos recursos de acessibilidade garantidos para que o surdo possa fazer qualquer curso na UFRN. Precisa de profissionais concursados e efetivados”, defende.
Marina Estrela é da coordenação do Calet e militante da Faísca Revolucionária, e diz que o semestre já se encaminha para a metade ainda com turmas sem professores, inclusive em disciplinas obrigatórias como Literatura Brasileira e Portuguesa.
“Semestre após semestre isso ocorre, com calouros sendo recebidos sem aula e acúmulo nas filas de matrícula nas oficinas de Língua Portuguesa em uma universidade dita de excelência. Os contratos temporários dos substitutos fazem com que tenhamos menos professores disponíveis pra orientação de TCC e grupos de pesquisa (que só podem ser feitos por efetivos), além de termos que nos despedir de professores queridos e extremamente qualificados”, diz Estrela.
Já a falta de intérpretes de Libras, segundo Marina, dificulta a acessibilidade e faz com que alunos surdos sejam impedidos de pagar eletivas ou participar de eventos em outros cursos pela falta de profissionais e têm como única opção, muitas vezes, o curso de Libras.
“Porém, mesmo nessa habilitação, a segunda maior na Letras UFRN, algumas optativas estão paralisadas porque não há intérpretes de Libras o suficiente. A contratação de mais profissionais é também uma das pautas da greve dos técnico-administrativos que se enfrenta com o Arcabouço Fiscal do governo Lula”, aponta.
Segundo Marina, o abaixo-assinado pela contratação de intérpretes de Libras e professores defende ambém a abertura de novos concursos para efetivos e a efetivação dos professores substitutos.
De acordo com a UFRN, a universidade dispõe atualmente de 21 tradutores intérpretes de Libras, entre concursados e celetistas. No momento, devido à greve dos servidores técnicos administrativos, houve redução de 45% de profissionais no exercício da função, o que impactou a atuação em 16 disciplinas em cursos variados.
“A instituição de ensino estuda possibilidades legais para ampliar o número de tradutores intérpretes para atender à demanda crescente de inclusão na universidade”, informou a UFRN.
Os servidores técnico-administrativos da UFRN deram início em fevereiro à greve da categoria. Os trabalhadores cobram o cumprimento integral do acordo de greve firmado com o governo federal referente ao movimento paredista de 2024 e dizem que 17 pontos não foram cumpridos.
Confira o abaixo-assinado clicando AQUI.
Fonte: saibamais.jor.br





