Um levantamento colaborativo realizado pelo Moda do Bem RN em parceria com a Urbio tem buscado dar visibilidade a quem movimenta a moda potiguar em Natal, conectando marcas independentes, ateliês, artesãos e iniciativas que, apesar da força criativa, ainda operam de forma dispersa no estado. A ação integra as mobilizações locais da Fashion Revolution, movimento global que defende mais transparência, sustentabilidade e responsabilidade social na indústria da moda.
A proposta do mapeamento partiu de uma convocação simples nas redes sociais: identificar e marcar marcas independentes de Natal que o público acompanha, admira ou consome. A iniciativa, segundo os organizadores, funciona como uma estratégia de reconhecimento coletivo e fortalecimento do ecossistema local, ao reunir nomes, práticas e trajetórias que já fazem a moda potiguar acontecer, mas que nem sempre ocupam espaços de visibilidade. Confira a listagem dos fazedores de moda em Natal:
Uma das principais articuladoras desse movimento no Rio Grande do Norte é Vivian Pedrozo, representante regional da Fashion Revolution. Com passagem por grandes varejistas brasileiros e pela grife britânica Alexander McQueen. Segundo ela, o mapeamento surgiu de uma inquietação prática diante da falta de articulação entre os agentes da moda local:
“Eu sabia que existia uma produção de moda potente aqui em Natal, mas ela estava dispersa, pouco visível e muitas vezes desconectada entre si. Dentro do contexto do Fashion Revolution, especialmente a partir da provocação ‘quem faz nossas roupas?’, ficou evidente a necessidade de olhar para dentro e construir esse retrato local”, explica em entrevista à Agência Saiba Mais.
Para Vivian, o levantamento busca preencher lacunas históricas de visibilidade, conexão e reconhecimento entre os diferentes elos da cadeia produtiva. “Existem muitas marcas, ateliês, artesãos e iniciativas atuando na cidade, mas que nem sempre se percebem como parte de uma cadeia produtiva maior. Mapear é dar nome, rosto e contexto a essas pessoas e começar a fortalecer esse ecossistema a partir do reconhecimento mútuo”, diz.
O alcance da mobilização, segundo ela, revelou uma demanda reprimida por esse tipo de articulação. A repercussão do mapeamento, afirma, superou as expectativas e abriu caminho para novos desdobramentos.
“O retorno foi maior do que eu imaginava, o que só reforça a demanda existente por esse tipo de iniciativa. A partir disso, já estou pensando em novos projetos que possam surgir dessa mobilização, ampliando ainda mais as possibilidades de conexão e fortalecimento da moda local”, pontua.
O retrato construído até agora revela um setor marcado por forte identidade autoral, diversidade de saberes e riqueza cultural, mas ainda fragmentado. No diagnóstico de Vivian, o Rio Grande do Norte reúne desde uma base industrial relevante até produções independentes consolidadas, além de tradições artesanais importantes, como o crochê e outras técnicas locais.
“É uma cadeia extremamente rica em identidade, criatividade e diversidade de saberes, mas ainda muito fragmentada. Há potência, mas também desafios claros, como dificuldade de acesso a mercado, pouca integração entre os diferentes elos da cadeia e carência de estruturas de apoio contínuo”, resume.
A Fashion Revolution, nesse contexto, atua como plataforma de articulação entre esses agentes. Presente no Brasil desde 2014, a rede internacional tem como foco promover educação, mobilização e colaboração em torno de uma indústria da moda mais justa e transparente. No plano local, isso se traduz em ações como rodas de conversa, mapeamentos colaborativos, campanhas educativas e a realização da Semana Fashion Revolution.
“O papel do movimento não é centralizar, mas facilitar. Criar espaços para que essas iniciativas se encontrem, troquem e se reconheçam como parte de um mesmo sistema”, explica Vivian.
Além da articulação entre produtores, a iniciativa também busca ampliar o debate sobre a moda como setor estratégico para o desenvolvimento econômico e cultural do estado. A proposta, segundo Vivian, passa por consolidar uma visão mais ampla da cadeia produtiva, que reconheça a moda não apenas como consumo, mas como campo de trabalho, cultura, território e responsabilidade socioambiental.
Fashion Revolution 2026
Neste ano, a programação da Fashion Revolution no Rio Grande do Norte foi realizada integralmente em formato online. A escolha, segundo Vivian, respondeu tanto a questões estruturais quanto a uma estratégia de ampliação de alcance.
“Existe uma necessidade prática de viabilizar a continuidade das ações mesmo com limitações de estrutura e equipe, especialmente considerando que o movimento é construído de forma voluntária. Ao mesmo tempo, o online amplia o alcance e permite que mais pessoas tenham acesso ao conteúdo, inclusive fora do estado”, afirma.
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Entre os destaques da programação, Vivian cita os debates que conectaram moda a áreas como direito, sustentabilidade e produção, aprofundando a compreensão da cadeia como um sistema complexo e interdependente.
“Foi muito potente perceber o engajamento das pessoas mesmo à distância, mostrando que existe um interesse real em discutir e valorizar a moda local”, conclui.
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Fonte: saibamais.jor.br





