Militantes do MST ocupam na manhã desta terça-feira (19) a BR-406, entre o município de Jandaíra e o distrito de Baixa do Meio. A ação é uma resposta à decisão de reintegração de posse de 110 famílias que moram no acampamento Zé Teixeira, numa área da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) cedida à Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn).
Atualmente, 110 famílias permanecem no acampamento. A decisão que determinou a retirada das famílias foi proferida em 13 de abril pela 11ª Vara Federal do RN. Já a ocupação no acampamento ocorreu em 14 de junho de 2025, quando cerca de 200 famílias entraram no local. Com cerca de 1500 hectares, a área é de uso experimental da Emparn e agrega quatro municípios: Jandaíra, Pedro Avelino, Guamaré e Galinhos.
“A área, antes abandonada e negligenciada pelo estado, foi ocupada em junho de 2025, e desde então, as famílias seguem organizadas, plantando uma grande diversidade de alimentos e realizando diversas tarefas, principalmente com turmas de alfabetização”, disse em comunicado o MST. No local, as famílias produzem uma variedade de alimentos, como milho, feijão, mandioca, jerimum e hortaliças.
Segundo Morgana Souza, da coordenação do movimento, hoje vai ocorrer mais uma reunião de negociação, como já aconteceram outras. Ela diz que, mesmo assim, a Empresa tem recusado os acordos.
De acordo com o MST, a Justiça chegou a apresentar propostas de uso compartilhado da área entre as famílias e os órgãos de pesquisa, mas a Embrapa recusou qualquer acordo de cooperação.
“O MST reafirma que as famílias ocuparam uma área desativada e seguem resistindo e transformando o abandono do estado em trabalho, produção de alimentos e dignidade”, afirmou o Movimento.
Luta pela reforma agrária
O acampamento Zé Teixeira, em Jandaíra, ocorre em reivindicação pela reforma agrária no estado e também como enfrentamento à concentração de terras.
A pauta é a principal do MST, que em abril realizou a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária no Rio Grande do Norte. Em Natal, a mobilização contou com cerca de 600 militantes de oito brigadas em que o movimento é organizado no estado, reivindicando o assentamento imediato das famílias.
No Rio Grande do Norte, são 62 acampamentos e cerca de 5340 famílias que aguardam desapropriação de terras, com acampamentos que já chegam há 21 anos com famílias organizadas e produzindo alimentos.
Já no Brasil, atualmente, cerca de 145 mil famílias sem terra ainda seguem acampadas. Desse total, 100 mil delas estão organizadas nas fileiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
Fonte: saibamais.jor.br





