A defesa da criação de cotas para pessoas trans e travestis na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) é uma das pautas principais do II Encontro de Estudantes LGBTI+ da UERN, marcado para o dia 2 de junho, no campus da universidade em Mossoró. Promovido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE UERN) e pelo Coletivo CORES Potiguar, o evento pretende reunir estudantes, docentes, técnicos-administrativos, movimentos sociais e comunidade externa para discutir políticas de inclusão e permanência no ensino superior.
Com o tema “Entrar para TRANSformar: por uma UERN com todas as CORES”, o encontro propõe debates sobre acesso, permanência, segurança e saúde da população LGBTI+ dentro da universidade. A programação contará com mesas de debate, grupos de trabalho, apresentações culturais e intervenções artísticas, além da construção coletiva de uma carta de reivindicações voltada à defesa de políticas públicas para a população LGBTI+ da instituição.
O Coletivo CORES RN se define como um coletivo revolucionário socialista LGBTI+ e atua em pautas relacionadas à diversidade sexual e de gênero no estado. Nas redes sociais, o grupo afirma que busca transformar o mundo por meio da luta e da valorização das diferentes identidades da comunidade LGBTI+.
Para Geja Muniz, integrante do CORES Potiguar, o encontro representa um momento estratégico para ampliar o debate sobre direitos da população LGBT para além da capital potiguar:
“O Encontro LGBTI+ da UERN é um momento extremamente importante porque vai reunir pessoas das mais variadas regiões do Estado para debater nossos corpos, para debater nossa política”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais. Segundo Geja, um dos objetivos é fortalecer a pauta das cotas trans dentro da universidade e estimular outras instituições de ensino superior a adotarem políticas semelhantes.
Ainda segundo a organização, o evento também busca descentralizar as discussões sobre políticas LGBTI+ no Rio Grande do Norte. “É importante para descentralizar o debate LGBT da Grande Natal, para que ele possa acontecer nas diversas regiões do Estado e que a gente consiga avançar não só no debate, mas também nas políticas públicas efetivas para os corpos LGBTs”, acrescenta Geja.
Confira a programação:
O debate sobre cotas trans tem avançado em universidades brasileiras nos últimos anos. No Rio Grande do Norte, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está em processo de estruturação de uma Comissão de Cotas Trans. O grupo de trabalho reúne estudantes, técnicos e setores institucionais da universidade para discutir propostas voltadas ao acesso e à permanência de pessoas travestis e transexuais na instituição.
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A estudante de doutorado em Antropologia Social Janaína Lima, integrante do grupo de trabalho da UFRN, afirma que a iniciativa surgiu inicialmente a partir de demandas ligadas à assistência estudantil. Segundo ela, a mobilização começou após a necessidade de construir mecanismos de acolhimento para estudantes trans nas residências universitárias.
Em âmbito nacional, universidades públicas já adotam políticas específicas de ações afirmativas para pessoas trans e travestis. A Universidade Federal do Sul da Bahia foi a primeira instituição federal do país a implementar cotas trans de forma institucionalizada, em 2021, reservando vagas na graduação e pós-graduação, além de políticas de permanência estudantil.
Já a Universidade do Estado do Rio de Janeiro aprovou em 2022 uma resolução que estabelece reserva de vagas para pessoas trans, indígenas e refugiadas em seus cursos. Outras instituições, como a Universidade Federal do Maranhão e a Universidade Federal de Minas Gerais, também passaram a adotar medidas semelhantes em programas de pós-graduação.
As inscrições para o II Encontro de Estudantes LGBTI+ da UERN são gratuitas e podem ser feitas aqui.
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Fonte: saibamais.jor.br





