Álvaro Dias minimiza entrega incompleta do Hospital Municipal de Natal
O ex-prefeito e pré-candidato a governador, Álvaro Dias (PL), minimizou o fato do Hospital Municipal de Natal continuar de portas fechadas mesmo tendo sido oficialmente inaugurado em dezembro de 2024, ao fim de sua gestão no Executivo natalense. “Nenhum gestor termina o seu mandato com todas as obras concluídas, não”, justificou. Ele também reconheceu a falta de representação feminina na chapa bolsonarista que vai disputar as eleições no Rio Grande do Norte este ano e disse que “talvez tenha sido uma falha”.
As declarações do pré-candidatos foram dadas em entrevista ao programa Repórter 98, da rádio 98 FM de Natal, na terça-feira (14). Álvaro foi cobrado a respeito do Hospital Municipal continuar em obras e ainda não ter sido entregue à população.
“As obras que nós fizemos me credenciaram para ser um dos melhores prefeitos da história de Natal. Nós terminamos a nossa gestão com 65% de aprovação. Nós elegemos o nosso sucessor para que ele tivesse condições de dar continuidade a essas obras aí que vocês estão dizendo, que algumas não terminaram. Nenhum gestor termina o seu mandato com todas as obras concluídas, não. Realmente ficam algumas obras e essa foi a nossa preocupação quando apoiamos Paulinho Freire, porque temos certeza de que ele vai concluir todas essas obras que fizeram Natal avançar”, respondeu Dias.
As obras inacabadas que deixou têm virado também munição para os outros pré-candidatos que devem enfrentá-lo nas urnas em outubro, notadamente Cadu Xavier (PT).
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Em novembro de 2025, em entrevista a uma rádio local, Álvaro Dias havia admitido que inaugurou o hospital com a obra ainda inacabada, mas que a primeira fase do equipamento estava “praticamente concluída”, faltando “apenas alguns centros”.
“Praticamente, nós concluímos [a obra]. Nós inauguramos e abrimos durante aquele período [no final do ano passado] porque eu entendia que precisávamos dar uma resposta à população na questão da saúde. Ficou faltando duas salas para um centro de esterilização e um pequeno centro cirúrgico e ele poderá funcionar perfeitamente”, declarou.
Em declarações anteriores, no entanto, o ex-prefeito havia assegurado que o hospital estava “pronto e equipado” para funcionar, atribuindo a demora para abrir o equipamento ao prefeito Paulinho Freire.
“Está concluída a primeira etapa. Vai ser o maior hospital do estado, com 240 leitos, mas ele está pronto para funcionar com 100 leitos de enfermaria e 20 leitos de UTI. O que deve ter havido [para não ser aberto], eu não sei, mas se Paulinho [Freire] quiser transferir o antigo Médico-Cirúrgico para o Hospital Municipal, ele pode fazer, porque está equipado e pronto para receber isso”, afirmou.
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Ainda na entrevista à 98 FM, nesta semana, o ex-prefeito também foi cobrado a respeito da engorda de Ponta Negra. Mesmo tendo sido finalizada em janeiro de 2025, a área continua a registrar alagamentos em dias de fortes chuvas na capital.
“Veja bem, alguns ajustes precisam ser feitos ainda na engorda, é verdade. Mas é a maior obra de proteção hidráulica e costeira da história da região Nordeste do Brasil. É uma das maiores obras do Brasil”, minimizou o ex-gestor do município.
Falta de mulheres
Logo no início da entrevista, Álvaro Dias foi questionado sobre a possibilidade de alguma mudança na composição da chapa bolsonarista que vai disputar o Governo e Senado do Rio Grande do Norte, e disse que está completa, sem chance para alterações.
A composição anunciada tem Álvaro como candidato ao governo, Babá Pereira (PL) como vice e, para o Senado, Styvenson Valentim (Podemos) e Coronel Hélio (PL). Ao comentar o assunto, ele foi questionado sobre a ausência de nomes femininos.
“Pois é, né? Realmente. Talvez tenha sido uma falha aí, mas a chapa é os dois senadores, candidato a governador e vice, todos homens”, reconheceu.
Álvaro Dias deixou 46 obras paralisadas ou inacabadas, além de dívida de quase R$ 900 milhões
Álvaro Dias transferiu a administração municipal ao prefeito Paulinho Freire com pelo menos 46 obras paralisadas ou inacabadas, conforme apontado em relatório da Comissão de Transição, coordenada pela vice-prefeita Joanna Guerra (PL), que foi entregue ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Além disso, o ex-prefeito deixou uma dívida de quase R$ 900 milhões.
De acordo com o relatório, essas obras estão concentradas nas secretarias municipais de Educação e de Serviços Urbanos. A paralisação delas, ainda segundo o documento, “compromete a infraestrutura e a prestação de serviços, impactando diretamente a população”.
Uma das principais obras inacabadas deixadas pelo ex-prefeito é o Hospital Municipal de Natal, que segue sem funcionar, apesar de ter sido inaugurado no final de dezembro de 2024 pelo pré-candidato a governador Álvaro Dias, como lembrou o secretário Cadu Xavier.
Em novembro do ano passado, durante reunião da bancada federal potiguar, a atual administração municipal disse que, para concluir a obra, precisaria de mais R$ 110 milhões.
Fonte: saibamais.jor.br





