Por falta de recursos financeiros, a tradicional roda de samba Quinta que Te Quero Samba, cancelou o evento nesta semana. Realizada semanalmente no Beco da Lama, em Natal, o projeto lançou uma campanha de arrecadação coletiva para garantir a continuidade de suas atividades. Reconhecido como patrimônio cultural imaterial da capital potiguar, o projeto enfrenta dificuldades para custear despesas básicas de funcionamento e pede o apoio da população para manter viva uma das mais conhecidas manifestações de samba de rua da cidade.
A campanha foi criada por integrantes do grupo Batuque de um Povo, responsável pela condução musical dos encontros realizados às quintas-feiras. Segundo os organizadores, os recursos arrecadados serão destinados à manutenção da estrutura necessária para a realização das rodas de samba, incluindo pagamento de músicos convidados, sonorização, transporte de equipamentos e demais custos operacionais.
A Quinta que Te Quero Samba se consolidou ao longo dos anos como um espaço de encontro comunitário, valorização da cultura popular e fortalecimento da identidade cultural natalense. A iniciativa reúne moradores, artistas, ambulantes e frequentadores de diferentes regiões da cidade em torno do samba e da convivência coletiva.
À frente do projeto, o músico Ildo Oliveira afirma que a situação financeira tem se tornado cada vez mais desafiadora. De acordo com ele, a roda de samba é realizada sem fins lucrativos e depende principalmente das contribuições espontâneas do público durante os encontros:
“A gente faz aquele samba ali na rua sem fins lucrativos. Na verdade, a gente paga para fazer acontecer. Em todas as edições, passa um chapéu para arrecadar algum dinheiro e ajudar nos custos, mas, na maioria das vezes, o valor arrecadado não é suficiente”, relata em entrevista à Agência Saiba Mais.
Segundo Ildo, o custo semanal para manter a atividade varia entre R$ 650 e R$ 700. O valor inclui despesas com sonorização, transporte dos equipamentos e cachês de músicos que participam eventualmente das apresentações.
“Muitas vezes a gente precisa complementar do próprio bolso. Só que não é toda semana que temos condições de cobrir esses custos. Em algumas ocasiões, acabamos cancelando para evitar um prejuízo ainda maior”, explica.
Nesta semana, por exemplo, o grupo optou por não realizar a roda de samba devido à coincidência com o feriado e a realização de outros eventos culturais na cidade. A expectativa era de baixa participação do público, o que dificultaria ainda mais o equilíbrio financeiro da atividade.
Apesar das dificuldades, Ildo destaca a importância histórica e cultural da iniciativa. Ele lembra que a Quinta que Te Quero Samba recebeu o título de patrimônio imaterial.
“A gente agradece muito pelo reconhecimento, mas queria que esse título também se refletisse em apoios públicos para uma roda de samba tão tradicional quanto a nossa”, afirma.
O músico ressalta ainda que a trajetória do grupo ultrapassa os nove anos do Batuque de um Povo. Segundo ele, a mesma rede de sambistas atua na região há mais de 16 anos, passando por diferentes formações e nomes, mas mantendo a proposta de ocupar o espaço público com música e cultura popular.
Além do impacto cultural, a roda de samba movimenta a economia local. Ambulantes que trabalham nas proximidades também dependem do fluxo de público gerado pelos encontros semanais para complementar a renda.
A campanha de arrecadação aceita contribuições de qualquer valor. Os organizadores afirmam que, além das doações, a divulgação da iniciativa também é uma forma de apoio para quem deseja contribuir com a permanência do projeto.
As doações podem ser realizadas por meio da plataforma Vakinha. A campanha está disponível no endereço:
“Quem fortalece a cultura fortalece a comunidade”, destaca o texto que divulga a mobilização.
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Fonte: saibamais.jor.br





