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Álvaro Dias deixa futuro da Uern em aberto e gera reação negativa

Durante passagem por Mossoró, o pré-candidato a governador Álvaro Dias (PL) foi questionado sobre propostas relativas à privatização da Companhia de Águas e Esgotos (Caern) e federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) — e deixou o futuro da instituição de ensino em aberto. A fala gerou repercussão negativa, crítica de adversários e defesa da universidade por parte de gestores da Uern.

“Federalização, privatização, são questões que precisam ser melhor estudadas, aprofundadas”, disse Álvaro Dias, que afirmou ter uma equipe dedicada a estudar as propostas, como por exemplo a privatização da Caern. 

“É uma das propostas que existem, que foi encaminhada, que está sendo discutida, debatida, mas precisa ser aprofundada. Hoje, para você privatizar a Caern, você precisa fazer um investimento importante para melhorar os serviços que a Caern oferece à população, ao povo e à coletividade”, continuou.

Em seguida, o ex-prefeito de Natal disse que possui uma estimativa de que é preciso investir cerca de R$ 10 bilhões no estado.

“Então, é realmente um assunto que precisa de um estudo, de um aprofundamento, como essa questão da Uern também. Então todas essas questões não precisam de uma decisão, de uma definição imediata. Nós vamos aprofundar os estudos para, posteriormente, tomar essa decisão”, concluiu.

A declaração logo repercutiu. A reitora da instituição, Cicília Maia, disse que a universidade precisa ser defendida permanentemente e afirmou que falas contra a Uern não serão aceitas pela comunidade acadêmica.

“Nossa postura primeira é a da defesa permanente da nossa universidade, sempre. Postura de trabalho, apresentação de resultados concretos de desenvolvimento do estado, de apresentar cada vez mais a nossa qualidade institucional e de defender o que nossa comunidade realiza dia a dia seja no ensino, na pesquisa e na extensão”, posicionou-se.

“Qualquer pessoa ou projeto que fale contra a Uern, não será aceito por nossa comunidade, assim como pelas milhares de famílias potiguares que sabem o impacto transformador da Uern. Continuaremos defendendo quem defende a Uern. Porque nós somos prova viva da transformação que a educação causa na vida das pessoas. Vamos com coragem, assim como os reitores e reitoras que me antecederam, defendendo o maior patrimônio vivo do povo potiguar, a nossa Uern”, declarou.

O professor e Pró-Reitor de Extensão da Uern, Esdras Marchezan, disse que quem fala em federalização da Uern, “pensa nisso”.

“Os que agem assim tem um objetivo: desobrigar o Estado do compromisso com a única instituição pública de ensino superior estadual do RN. A Uern resiste há 57 anos. E seguirá assim”, afirmou.

Fala gera munição para adversários

Em ano eleitoral, a declaração do governadorável logo repercutiu entre os adversários nas eleições de outubro. Cadu Xavier (PT) falou que Álvaro tratou a universidade “como um problema para o nosso Estado”.

“É isso que nos diferencia. Nós valorizamos a educação, nós entendemos que a Uern é uma ferramenta de transformação social e econômica. 80% dos alunos da Uern são provenientes da rede pública do nosso estado. São filhos de zeladores, filhos de agricultores, filhos de trabalhadores que estão estudando na nossa Uern e tendo a sua vida transformada. Esse discurso é o discurso da direita, da extrema-direita. E a gente tem que ter muito cuidado também com oportunistas que defendem a Uern só pela ocasião de um ano eleitoral.”

O ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União) disse que a Uern é solução para o RN.

“Essas pessoas que, de forma tão preconceituosa, se manifestam, não têm o mínimo conhecimento de Brasil, não têm conhecimento do Rio Grande do Norte, não têm conhecimento da nossa educação”, reagiu.

Álvaro tenta se explicar

Após a repercussão negativa, Dias emitiu nota em que disse que respeita a Uern. O texto, no entanto, não se posiciona firmemente contra a federalização ou privatização da universidade. Leia a nota na íntegra:

O pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias, esclarece que em nenhum momento defendeu ou citou a privatização ou federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Durante entrevista, Álvaro apenas mencionou que o tema da educação superior estadual, assim como diversas áreas estratégicas da administração pública, vem sendo analisado por técnicos responsáveis pela construção do seu plano de governo.

Qualquer interpretação diferente disso não corresponde ao que foi efetivamente dito pelo pré-candidato.

Álvaro Dias reafirma seu respeito à UERN, instituição fundamental para o desenvolvimento educacional e social do Rio Grande do Norte, e destaca que todo debate sobre o futuro do Estado deve ocorrer com responsabilidade, seriedade e compromisso com a verdade.

Álvaro Dias também reafirma seu respeito pela instituição educacional, destacando que em sua própria equipe conta com formados pela Universidade Estadual, reforçando seu respeito pela instituição.

Caern

Álvaro Dias esteve em Mossoró para uma agenda política ao lado do senador Rogério Marinho (PL), e participou de um encontro com empresários e representantes das classes produtivas do município.

Embora tenha gerado menos eco neste momento, a proposta de privatização da Caern já foi tratada pelo senador em outros momentos. Rogério Marinho já defendeu vender a Caern totalmente, ao invés de fazer uma Parceria Público-Privada (PPP). Em 2024, o Governo do Estado e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram um contrato para avançar nos estudos e modelagem para uma PPP voltada para a Companhia. Cerca de R$ 3,8 bilhões devem ser investidos.

Saiba Mais: Rogério Marinho defende venda da Caern e fim de aumento real para servidores

“Você pega, por exemplo, essa questão da Caern, outra questão que vai desagradar muita gente. Por que fazer PPP com uma empresa que hoje não dá o serviço adequado à sociedade? Quantos norte-grandenses não têm esgoto tratado? Não têm água tratada? Vá para o Seridó. Se não fosse a doutora que nós estamos fazendo, a situação continuaria parecida. Vá para a região Agreste. Municípios passando seis meses sem água, quatro meses sem água, como Santo Antônio, como Nova Cruz. Municípios que têm o seu tratamento de esgoto praticamente concluído e a Caern não complementa. Então, é evidente que você precisa melhorar o serviço que vai ser ofertado à população. Tem que vender a Caern, tem que fazer a concessão da Caern”, justificou Rogério no ano passado.

Fonte: saibamais.jor.br

Valcidney Soares

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