Cami Santiz prepara o lançamento de seu primeiro álbum. Intitulado SALINA, o disco chega às plataformas no próximo dia 28 de maio, às 21h, consolidando uma nova fase artística da cantora e compositora.
Depois de iniciar essa transição estética com o single “Canto da Sereia”, lançado em 2025, Cami agora expande o universo marítimo, sensual e melancólico que vem construindo nos últimos anos. O álbum mistura trip-hop, synthpop, chillwave e referências da cultura de paredão nordestina.
SALINA nasce como uma investigação afetiva sobre território, identidade e memória. Inspirado nas salinas de Mossoró, no imaginário costeiro do Rio Grande do Norte e nas experiências de juventude vividas à beira-mar, o disco propõe uma leitura pop do litoral nordestino a partir de uma perspectiva íntima e contemporânea.
Em entrevista à Agência Saiba Mais, Cami fala sobre o conceito do álbum, a relação entre o sal e a cultura nordestina, as transformações sonoras dessa nova fase e o desejo de transformar experiências locais em algo universal.
“O sal está sempre ao nosso redor. Dá sabor, preserva, transforma”
“SALINA” começou como uma ideia estética, sonora ou emocional? Em que momento você percebeu que esse universo precisava virar um álbum?
Pensei muito em elaborar um conceito que remetesse ao Rio Grande do Norte de alguma forma. Popularmente, Natal é conhecida como a Cidade do Sol e do Sal. O sol já é um símbolo amplamente explorado, mas comecei a me perguntar: e o sal?
Foi assim que surgiu, de forma quase intuitiva, o nome SALINA. Ao pesquisar mais sobre o tema, descobri algo que me impactou profundamente: o Rio Grande do Norte é o maior produtor de sal marinho do Brasil e um dos maiores do mundo. É uma riqueza imensa, mas pouco explorada no imaginário popular. Quando pensamos no estado, lembramos das dunas, das praias, da culinária. Mas a base da culinária de praticamente todo brasileiro, o sal, vem daqui, de perto. Vem de Mossoró.
A partir dessa descoberta, comecei a traçar um paralelo entre o sal e a arte produzida no Brasil. Assim como o sal, grande parte da produção cultural brasileira nasce no Nordeste e está presente no cotidiano das pessoas, mesmo que muitas vezes elas não percebam.
Além desse significado simbólico, as imagens das salinas de Mossoró são impressionantes. Existe algo de grandioso, quase onírico, naquelas paisagens. E, olhando para minhas composições, percebi que elas sempre retornavam aos mesmos elementos: o mar, a água, o sal. Então me perguntei: por que não trazer isso para o próprio nome do disco?
Embora eu tenha nascido no Norte, me mudei muito cedo para Natal. Uma das minhas primeiras lembranças é entrar no mar de olhos abertos e sentir o ardor do sal. Também me encanta pensar que a própria salina nasce do encontro entre a água doce dos rios e a água salgada do mar. De certa forma, essa mistura também fala sobre a minha construção como pessoa, feita de encontros, deslocamentos e cruzamentos.
O sal está sempre ao nosso redor. Dá sabor, preserva, transforma. E, de alguma maneira, também deu vida a este trabalho.
Você já vinha explorando uma fase mais soturna desde “Canto da Sereia”. Como essa transformação aparece ao longo do disco?
O disco possui um interlúdio que marca a transição de sua fase mais solar para um território mais noturno e contemplativo. Gosto de pensar nesse momento como um pôr do sol na praia, quando a luz dourada do dia dá lugar ao brilho da lua refletido sobre o mar.
A partir dessa mudança, o álbum mergulha em sonoridades mais densas e atmosféricas, explorando elementos do trip-hop, guitarras mais presentes, canções pensadas para a noite e andamentos mais desacelerados. Essa virada não acontece apenas na sonoridade, mas também na atmosfera emocional do trabalho.
Acredito que essa transição é uma das formas mais claras de demonstrar minha versatilidade musical, permitindo que diferentes influências coexistam dentro do mesmo universo artístico, sem perder a identidade que conecta todas as faixas do disco.
Ouça:
O mar, as salinas e a figura da sereia parecem símbolos centrais nessa nova era. O que esses elementos representam dentro do álbum?
De forma central, o disco busca traduzir, sob a minha perspectiva, a experiência de viver em uma cidade litorânea, especialmente durante a juventude. É um trabalho atravessado por memórias e sensações que fazem parte desse cotidiano: os encontros à beira-mar, os romances que nascem e se desenvolvem na praia e a própria paisagem costeira como cenário afetivo de tantas histórias.
A figura da sereia surge como um símbolo importante dentro desse universo. Ela representa a sensualidade, o mistério e o magnetismo presentes nas canções, características que também se refletem na minha forma de interpretar e cantar. É uma imagem que conecta desejo, liberdade e imaginação, elementos recorrentes ao longo do álbum.
E existe ainda o sal, que atravessa todo o conceito do projeto. Mais do que um elemento da paisagem, ele representa aquilo que dá sabor à vida e à cultura popular nordestina. Presente no mar, na história e na mesa das pessoas, o sal funciona como uma metáfora para as experiências que marcam, transformam e dão identidade a este trabalho.
Sonoramente, como foi equilibrar referências como trip-hop, chillwave e synthpop com a bregadeira e outras influências nordestinas que já marcam seu trabalho?
A presença da bregadeira no álbum é uma extensão natural de “Amor por Telepatia”, meu primeiro single. Foi naquele momento que comecei a explorar de forma mais consciente uma sonoridade que sempre esteve presente na minha vida, especialmente através de artistas e grupos que marcaram minha infância, como a Banda Grafith.
Ao longo desse processo, eu e meu produtor musical, VZL SWAMI, desenvolvemos uma sintonia criativa muito forte. Partimos de referências ligadas à cultura de paredão, tão característica do Nordeste, mas buscamos adicionar uma identidade própria ao som. O resultado é uma fusão entre elementos populares e uma abordagem mais alternativa, incorporando texturas do lo-fi, atmosferas contemplativas e experimentações que ampliam os limites da bregadeira tradicional.
Desde LATINA BB, venho aprofundando cada vez mais esse diálogo entre o popular e o alternativo. Esse caminho encontra seu ponto máximo em “Seus Olhos”, faixa que encerra o álbum. Curiosamente, ela também foi minha primeira composição.
Inspirada em paisagens e sensações associadas a Nísia Floresta, a música mergulha em referências do trip-hop e da chillwave, criando uma atmosfera introspectiva e envolvente.
De certa forma, “Seus Olhos” sintetiza uma das principais propostas do disco: traduzir musicalmente os diferentes estados de espírito que o litoral provoca.
Esse é seu primeiro álbum. O que “SALINA” consegue dizer sobre você artisticamente que os singles anteriores ainda não falaram?
Acredito que um álbum seja a forma mais completa de me comunicar como cantora. Os singles tiveram um papel fundamental na minha trajetória e me proporcionaram visibilidade, mas um álbum permite uma experiência mais profunda e abrangente.
Gosto de pensar nele como uma refeição completa: não apenas um único sabor, mas uma combinação de elementos que se complementam e revelam diferentes camadas de quem eu sou artisticamente.
É dentro desse formato que consigo me traduzir de maneira mais fiel e madura. Ao longo dos últimos anos, minha forma de cantar evoluiu, minha presença de palco se fortaleceu e minha compreensão sobre minha própria identidade artística se tornou mais clara. Naturalmente, surgiu o desejo de registrar esse momento em um trabalho que representasse essa fase de crescimento.
Mais do que reunir músicas, este álbum é uma afirmação artística. É a oportunidade de apresentar uma visão mais ampla do meu universo criativo e de defender uma sonoridade que carrega as referências que me formaram.
Quero levar esse trabalho para além do Rio Grande do Norte, apresentando ao Brasil uma perspectiva de cultura pop nordestina atravessada pelo meu olhar e pelo meu sotaque nortista.
Depois de construir essa nova fase de forma tão independente, o que você espera que o público sinta ao ouvir “SALINA” pela primeira vez?
Meu desejo é que este seja um álbum essencialmente natalense, capaz de traduzir a experiência de viver na esquina do continente. Um lugar marcado pelo sol forte, pelas dunas que moldam a paisagem e pela flor de sal que tempera não apenas a culinária, mas também a identidade cultural da região.SA
Mais do que contribuir para o universo da música pop, meu objetivo é reafirmar uma identidade geográfica e cultural. Acredito que existe uma riqueza imensa nas narrativas produzidas no Norte e no Nordeste do Brasil, e este álbum nasce justamente do encontro dessas duas forças que também fazem parte da minha trajetória pessoal.
Foi um projeto realizado com muito cuidado e dedicação. Sua etapa final contou com a masterização do professor Alexandre Maiorino, da Escola de Música da UFRN, um profissional cuja contribuição foi fundamental para a conclusão do trabalho.
Além do trabalho desenvolvido ao lado do produtor musical VZL SWAMI, o projeto conta com colaborações de TINOC, Ian Medeiros e Tati Anolino, artistas que contribuíram criativamente para a construção de sua identidade sonora.
Há ainda uma participação especial de Gabriel Vencelau, parceiro do Rio de Janeiro que se conectou ao projeto desde os primeiros momentos. Seu envolvimento foi tão significativo que ele chegou a compor a faixa de introdução do álbum.
SALINA é, portanto, o resultado de muitas mãos, diferentes vivências e referências que convergem para um mesmo propósito: transformar território, memória e identidade em música.
O link de pré-save nas plataformas de música está disponível aqui.
SAIBA MAIS:
Cami Santiz inaugura nova fase da carreira com o single “Canto da Sereia”
Fonte: saibamais.jor.br





