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Governo do RN contesta dados do MPRN sobre dívida na Saúde e afirma ter quitado mais de R$ 400 milhões em 2026 – NOTÍCIAS SOBRE O RIO GRANDE DO NORTE

Governo do RN contesta dados do MPRN sobre dívida na Saúde e afirma ter quitado mais de R$ 400 milhões em restos a pagar em 2026. Foto: Ascom/Sesap.

O Governo do Rio Grande do Norte contestou as informações apresentadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) sobre a situação financeira da Saúde estadual. Em nota divulgada nesta segunda-feira (13), a administração estadual afirmou que já quitou mais de R$ 400 milhões em restos a pagar ao longo de 2026 e defendeu que o cenário atual difere do levantamento realizado pelo órgão ministerial.

O posicionamento foi divulgado após a divulgação de um despacho do MPRN que aponta a existência de R$ 695,8 milhões em restos a pagar processados na Saúde estadual. Segundo o documento, o valor corresponde a despesas já liquidadas, referentes a fornecedores e prestadores de serviços que cumpriram suas obrigações, mas ainda aguardam o pagamento.

O despacho também indica a formação de uma nova dívida flutuante de R$ 29,2 milhões nos quatro primeiros meses de 2026. Na avaliação do Ministério Público, esse quadro demonstra que o ritmo dos pagamentos não acompanha a execução das despesas da rede estadual de saúde.

Os dados servirão de base para uma audiência marcada para esta terça-feira (14), convocada pela 47ª Promotoria de Justiça de Natal. O encontro reunirá representantes das secretarias estaduais de Saúde, Fazenda e Planejamento para discutir a execução orçamentária da Saúde.

Governo afirma que analisará metodologia utilizada

Em nota, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) informou que participará da audiência para conhecer detalhadamente a metodologia utilizada pelo Ministério Público antes de apresentar manifestação técnica sobre os números.

A pasta ressaltou que “somente neste ano, o Governo do Estado já quitou mais de R$ 400 milhões em Restos a Pagar, reduzindo significativamente o passivo”.

A secretaria também reafirmou o compromisso com “a transparência, o equilíbrio das contas públicas e o cumprimento das obrigações financeiras”, acrescentando que sua atuação é baseada na responsabilidade fiscal e no diálogo institucional com os órgãos de controle.

MPRN aponta impacto no financiamento da Saúde

Além do volume de restos a pagar, o despacho do Ministério Público analisa a aplicação de recursos próprios na Saúde.

Com base em dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), o órgão informa que, até abril, o Estado havia destinado 6,64% das receitas de impostos e transferências constitucionais para ações e serviços públicos de saúde, percentual inferior ao mínimo constitucional anual de 12%.

Segundo a promotora Iara Maria Pinheiro de Albuquerque, responsável pelo despacho, esse cenário projeta um déficit de R$ 333,8 milhões em despesas liquidadas para que o Estado alcance o piso constitucional.

O documento também relaciona a situação financeira às dificuldades enfrentadas pela rede estadual de saúde. De acordo com o Ministério Público, a insuficiência de recursos provocou uma “asfixia assistencial severa”, refletida na falta de medicamentos, insumos e na interrupção de procedimentos hospitalares.

Entre as situações apontadas pelo MPRN estão:

  • falta de até 40% dos insumos no Hospital Santa Catarina;
  • desabastecimento de reagentes e bolsas de sangue no Hemonorte;
  • interrupções de cirurgias nos hospitais Walfredo Gurgel e Giselda Trigueiro;
  • bloqueio de leitos na ala psiquiátrica do Hospital João Machado.

Na área de medicamentos, o levantamento informa que a subfunção responsável pela aquisição de insumos por meio da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) havia liquidado apenas R$ 8.739,53 até abril, o equivalente a 0,01% do orçamento previsto de R$ 74,1 milhões.

O Ministério Público também afirma que houve retenção de R$ 141 milhões em repasses obrigatórios destinados ao Fundo Estadual de Saúde (Fusern), medida que, segundo a promotoria, comprometeu a liquidez da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) e dificultou o custeio da rede estadual.

Audiência discutirá medidas para a rede estadual

Durante a reunião desta terça-feira, o Ministério Público pretende discutir, entre outros pontos:

  • cronograma para recomposição dos recursos do Fundo Estadual de Saúde;
  • plano emergencial para quitação da dívida flutuante, com prioridade para os hospitais Walfredo Gurgel, Santa Catarina e Maria Alice Fernandes;
  • justificativas para eventuais cancelamentos de restos a pagar processados;
  • regularização da compra de medicamentos e insumos da Unicat;
  • planejamento financeiro da Saúde para o segundo semestre de 2026.



Fonte: O Poti

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