A greve dos caminhoneiros no Rio Grande do Norte ganhou novo desdobramento nesta terça-feira (26), após decisão judicial considerada favorável ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas do RN (Sintrocern). A Justiça reconheceu a legalidade do movimento paredista, manteve os parâmetros já definidos para a greve e rejeitou tentativas do setor patronal de suspender a paralisação ou aplicar multa contra os trabalhadores.
De acordo com comunicado divulgado pelo sindicato, a nova decisão reforçou os efeitos da liminar concedida anteriormente em Mandado de Segurança e afastou pedidos apresentados pelo sindicato patronal para proibir a greve e impor multa de R$ 100 mil ao movimento.
Também foram mantidas as determinações já estabelecidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN), como o funcionamento mínimo de 40% das atividades e a liberação do trânsito de cargas consideradas essenciais, incluindo medicamentos, oxigênio, combustíveis e insumos hospitalares.
“Seguimos firmes, com responsabilidade, organização e respaldo da Justiça”, afirmou o Sintrocern em nota divulgada à categoria.
O presidente do sindicato, Edson Negrão, afirmou que os trabalhadores interromperam temporariamente as mobilizações nesta terça-feira enquanto aguardam um posicionamento do setor patronal após nova rodada de articulações.
“Hoje demos uma pausa, há pouco tempo liberamos os trabalhadores. Alguns seguiram para suas casas, outros voltaram a trabalhar, até que o patronal dê uma decisão”, declarou em entrevista à Agência Saiba Mais.
Segundo ele, os representantes das empresas devem se reunir para discutir uma contraproposta. O dirigente afirmou, no entanto, que a categoria pretende manter o movimento caso não haja avanço nas negociações.
“A gente dá continuidade às movimentações. Se for positivo, se atender pelo menos o mínimo da nossa necessidade, a gente faz a divulgação. Caso não, a gente vai dar continuidade à greve”, disse.
Edson Negrão também relatou que a categoria segue realizando mobilizações em dois condomínios de transportadoras localizados na Grande Natal.
Bloqueio parcial na BR-101
A paralisação dos caminhoneiros provocou bloqueio parcial da BR-101, em Parnamirim, na manhã da última segunda-feira (25). O protesto ocorreu no sentido Parnamirim–Natal, nas proximidades do viaduto da cidade, e causou retenção no trânsito durante o horário de pico. A pista foi liberada pouco depois das 8h30, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O movimento foi organizado pelo Sintrocern após mais uma rodada de negociações salariais terminar sem acordo entre representantes da categoria e empresários do transporte de cargas.
Segundo a PRF, uma das faixas da rodovia foi interditada por volta das 7h10. O sindicato estima que cerca de 300 caminhões participaram da mobilização.
A greve foi deflagrada após audiência de conciliação realizada na última quinta-feira (21), no TRT-RN. Inicialmente, os caminhoneiros reivindicavam reajuste salarial de 16%. As empresas apresentaram proposta de 4,11%, rejeitada pela categoria. Durante a mediação, os trabalhadores reduziram a reivindicação para 7%, mas os representantes patronais pediram cerca de 20 dias para consultar as transportadoras antes de apresentar nova resposta.
Além da pauta salarial, os caminhoneiros cobram mudanças nas condições de trabalho. Entre as reivindicações estão restrições ao transporte de cargas consideradas excessivas para ajudantes, redução de jornadas classificadas como exaustivas e revisão do sistema de “hora de espera”, previsto na legislação trabalhista do setor.
Durante o protesto na BR-101, os manifestantes exibiram um caixão simbólico às margens da rodovia. Segundo o sindicato, o objeto representava o “enterro” dos direitos trabalhistas da categoria.
Apesar da paralisação, o sindicato informou que os serviços essenciais seguiram funcionando dentro dos limites definidos pela Justiça.
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Fonte: saibamais.jor.br





