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PL tenta manobra, mas Girão e Gonçalves apoiaram emenda das 52h

Uma das siglas que assinou emenda para elevar o teto semanal da jornada de trabalho para 52 horas, o Partido Liberal (PL) comunicou nesta terça-feira (26) que a bancada do partido votará a favor do fim da escala 6×1 e defenderá a adoção da jornada 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.

O anúncio foi feito por meio do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC da jornada de 36 horas, viu a mudança de postura como uma manobra. No Rio Grande do Norte, os dois deputados federais do PL, Sargento Gonçalves e General Girão, assinaram a emenda das 52h e não retiraram seus nomes nem mesmo quando líderes partidários da direita e do Centrão recuaram da medida após a reação negativa que foi gerada.

Segundo Sóstenes Cavalcante, a proposta para votar a jornada 4×3 será apresentada como destaque de preferência durante a análise da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho. A votação do parecer está prevista para esta quarta (27) na comissão especial da Câmara, e o texto pode seguir para o plenário ainda nesta quarta ou na quinta (28).

O líder do PL fez o anúncio na tribuna da Câmara, rodeado de deputados do PL — inclusive de Sargento Gonçalves. General Girão registrou presença no sistema da Câmara, mas não apareceu ao lado dos colegas durante o comunicado.

Os dois — Gonçalves e Girão — assinaram uma emenda apresentada por parlamentares da oposição para manter a jornada de trabalho de 44 horas semanais para atividades essenciais e estabelecer um prazo de 10 anos para que a redução para 40 horas entre em vigor.

A emenda virou alvo de críticas por postergar o fim da escala 6×1. Ela também permitia que as empresas aumentassem em até 30% da jornada o teto em caso de acordo individual ou por instrumentos coletivos, o que poderia elevar a carga horária para 52 horas.

Mais de 100 deputados da oposição subscreveram inicialmente a emenda, que foi retirada nesta segunda (25) pelos líderes partidários do União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Federação PSDB-Cidadania e Podemos para “evitar distorções no debate e garantir maior clareza sobre os efeitos da proposta” depois que a divulgação da emenda gerou críticas. O deputado João Maia, do PP, foi mais um deputado da bancada potiguar a apoiar a emenda, mas retirou junto com as lideranças. O PL, enquanto partido, não pediu a retirada e os nomes de Girão e Gonçalves estiveram no texto até o fim.

Além disso, o deputado gaúcho Mauricio Marcon, também do PL, foi o responsável por pedir vista na segunda-feira (25) e adiar a votação da PEC do fim da escala de trabalho 6×1 na comissão especial.

Nesta quarta (27), à CNN Brasil, a deputada federal Erika Hilton avaliou de maneira crítica a mudança de ação dos deputados bolsonaristas.

“É mais uma manobra do partido que foi o tempo todo contrário à matéria e trabalhou para não avançar o texto”, disse Erika.

Segundo ela, os deputados de oposição têm sido cobrados pela sociedade sobre o assunto. A mudança de discurso de última hora, para ela, se trata de uma “tentativa de limpar a própria barra”.

“Vamos ver se manterão essa posição até o final, mas isso é claramente uma manobra para tentar atrasar a votação que já está acordada”, afirmou à CNN.

Fonte: saibamais.jor.br

Valcidney Soares

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