Uma paralisação de caminhoneiros provocou bloqueio parcial da BR-101, em Parnamirim, na Grande Natal, na manhã desta segunda-feira (25). O protesto ocorreu no sentido Parnamirim–Natal, nas proximidades do viaduto da cidade, e causou retenção no trânsito durante o horário de pico. A pista foi liberada pouco depois das 8h30, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O movimento foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas do Rio Grande do Norte (Sintrocern), após mais uma rodada de negociações salariais terminar sem consenso entre representantes da categoria e empresários do setor de transporte de cargas.
De acordo com a PRF, uma das faixas da rodovia foi interditada por volta das 7h10. Ainda durante a manhã, centenas de caminhões ficaram concentrados na região da manifestação. O sindicato estima que cerca de 300 veículos participaram da mobilização.
A greve foi deflagrada depois de audiência de conciliação realizada na última quinta-feira (21), no Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN). Durante a negociação, os trabalhadores mantiveram a cobrança por reajuste salarial e mudanças nas condições de trabalho enfrentadas pela categoria.
Inicialmente, os caminhoneiros reivindicavam aumento de 16%. As empresas apresentaram proposta de reajuste de 4,11%, percentual rejeitado pelo sindicato. Durante a mediação no TRT, os trabalhadores reduziram a proposta para 7%, mas os representantes patronais afirmaram precisar de aproximadamente 20 dias para consultar as transportadoras em assembleia antes de apresentar uma resposta definitiva.
Segundo o presidente do Sintrocern, Edson Negrão, a categoria avalia que a proposta de reajuste apresentada pelas empresas não atende às demandas dos trabalhadores. Ele afirmou que o sindicato tentou avançar nas negociações em busca de melhores condições para os caminhoneiros, mas acusou o setor patronal de manter postura “intransigente” durante as tratativas.
Melhores condições de trabalho
Além da pauta salarial, os caminhoneiros também cobram mudanças na rotina de trabalho. Entre os pontos levantados pelo sindicato estão restrições ao transporte de cargas consideradas excessivas para ajudantes, redução de jornadas classificadas como exaustivas e revisão do sistema conhecido como “hora de espera”, previsto na legislação trabalhista do setor.
Edson Negrão criticou as condições enfrentadas pelos profissionais nas estradas e afirmou que a atual dinâmica de trabalho tem provocado desgaste físico e adoecimento da categoria.
“O trabalhador continua adoecendo, continua morrendo, o ser humano não é descartável”, declarou.
Durante o protesto, os manifestantes exibiram um caixão simbólico às margens da rodovia. Segundo os organizadores, o objeto representava o que chamaram de “enterro” dos direitos trabalhistas da categoria.
Apesar da paralisação, o sindicato informou que serviços considerados essenciais continuaram funcionando. Caminhões transportando medicamentos, oxigênio, insumos hospitalares, carga viva e parte do abastecimento de combustível tiveram circulação liberada.
“O pessoal está aderindo, quem não é do nosso estado, a gente está fazendo de tudo para liberar, estamos respeitando a cota de acordo com a legislação”, disse Edson Negrão.
O TRT-RN determinou que, mesmo durante a greve, ao menos 40% da frota permaneça em atividade. A medida busca evitar desabastecimento e garantir a manutenção de serviços essenciais no estado.
O sindicato informou que novas mobilizações podem ocorrer caso não haja avanço nas negociações com o setor patronal. Durante entrevista, Edson Negrão chegou a interromper a conversa para tratar da articulação de novas mobilizações para a tarde. Segundo ele, o sindicato segue organizando ações da categoria.
SAIBA MAIS:
Atrasos salariais provocam paralisação no transporte intermunicipal do RN
Fonte: saibamais.jor.br





