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Artista potiguar denuncia ameaça após ataque de vereador a espetáculo na UFRN

A apresentação “PAPANGÚ”, do artista e pesquisador Alexandre Américo, realizada no Departamento de Artes (DEART) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tornou-se alvo de uma ofensiva política e mobilizou manifestações de apoio da classe artística e de organizações estudantis em Natal. O espetáculo, que possui classificação indicativa para maiores de 18 anos em todo o material de divulgação, passou a ser acusado pelo vereador Matheus Faustino (União Brasil)  de expor menores a conteúdo impróprio. Após a repercussão, Alexandre afirmou nas redes sociais ter recebido ameaça e relatou preocupação com a segurança da equipe e do público.

Em representação protocolada no Ministério Público Federal (MPF), Matheus Faustino pediu investigação sobre a apresentação, realizada em espaço de circulação dentro da universidade. O parlamentar questiona se houve controle de entrada de menores de idade e solicita, entre outras medidas, a suspensão cautelar de repasses públicos relacionados ao projeto até a conclusão das apurações.

Nas redes sociais, o vereador divulgou um vídeo no qual classifica a performance como “show de horror e putaria paga com dinheiro público”. Ele também afirmou que iria comparecer presencialmente à sessão seguinte da peça, marcada para a noite desta terça-feira (13), para acompanhar a realização do espetáculo.

A peça “PAPANGÚ” estreou nesta semana na Galeria Laboratório do DEART/UFRN, com sessões nos dias 11, 12 e 13 de maio. A classificação indicativa de 18 anos, que aparece nos materiais de divulgação do espetáculo, incluindo publicações nas redes sociais e cartazes.

Na sinopse da obra, Alexandre Américo define a criação como um “corpo-bomba” guiado pelo desejo de transformação. O trabalho reúne elementos de performance, dança contemporânea e experimentação corporal.

Após a publicação do vídeo do vereador, Alexandre Américo relatou ter recebido ameaças de grupos de extrema direita e afirmou estar “muito chocado” com a repercussão:

“Acabei de receber ameaça da extrema direita, especialmente de um vereador que disse que inclusive ia estar hoje na apresentação para ver se eu estava fazendo a apresentação para menores com nudez”, declarou.

Visivelmente abalado, Alexandre afirmou buscar orientação sobre possíveis medidas de proteção. “Estou mandando essa mensagem para ver se alguém tem algum tipo de contato ou direcionamento para que eu possa acionar, para que a gente fique seguro lá dentro”, afirmou o artista.

Ele também convocou apoiadores, artistas, estudantes e pessoas ligadas à comunidade cultural da cidade para acompanharem presencialmente a apresentação, numa tentativa de garantir segurança e demonstrar solidariedade diante da repercussão política do caso.

A repercussão provocou reação de estudantes, coletivos culturais e artistas da cidade, que passaram a denunciar uma tentativa de censura à obra e perseguição ao artista. Publicações em apoio a Alexandre circularam ao longo do dia, destacando que a classificação indicativa do espetáculo era pública e que a nudez em performances artísticas não configura irregularidade por si só.

Sobre o artista

Preto, caiçara, neurodivergente e LGBT+, Alexandre Américo é doutorando em Educação pela UFRN, mestre em Artes Cênicas e licenciado em Dança pela mesma instituição. O artista desenvolve pesquisas em arte contemporânea, performance e dramaturgias contra-coloniais, além de atuar em projetos ligados à acessibilidade e à chamada “cripstemologia”, campo de estudos relacionado às experiências de pessoas com deficiência.

Até o momento, a UFRN não se pronunciou oficialmente sobre a representação apresentada ao MPF. A denúncia aguarda análise do órgão federal.

SAIBA MAIS:
Censura digital contra a classe trabalhadora é censura política

Fonte: saibamais.jor.br

Gil Araújo

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