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Fim da escala 6×1 beneficia 141,4 mil trabalhadores no RN

O fim da escala 6×1 pode alterar diretamente a rotina de 141.425 trabalhadores no Rio Grande do Norte. Esse é o contingente de pessoas que, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), atua hoje no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de descanso e poderia migrar para a escala 5×2, com dois dias de folga por semana.

No estado, a maioria dos trabalhadores identificados pelo levantamento já está na jornada 5×2. São 331.733 pessoas, o equivalente a 70,11% do total. Ainda assim, quase três em cada dez — 29,89% — seguem submetidos à escala 6×1.

A mudança faz parte de uma proposta tratada como prioridade pelo Governo do Brasil. Em 13 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou mensagem presidencial que formaliza o envio ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, de um projeto de lei para reduzir o limite da jornada semanal de 44 para 40 horas. O texto também prevê dois dias de descanso remunerado e proíbe redução salarial.

A medida é apresentada pelo governo como uma forma de ampliar o tempo disponível para convivência familiar, lazer, cultura e descanso, além de produzir efeitos sobre a produtividade. Em pronunciamento no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, Lula associou a discussão à transformação do mundo do trabalho.

“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”, afirmou o presidente.

A discussão aparece, sobretudo, em setores nos quais a escala 6×1 ainda é comum, como comércio, serviços, indústria e logística. No Distrito Federal, o vendedor Pablo Coelho, que trabalha no comércio popular de Taguatinga, avalia que o fim desse modelo representaria a possibilidade de recuperar tempo de vida hoje consumido pelo trabalho.

Além da troca da escala 6×1 pela 5×2, a redução da jornada semanal também teria impacto amplo no Rio Grande do Norte. Segundo os dados do MTE, 432.960 trabalhadores potiguares seriam alcançados pela diminuição do limite de 44 para 40 horas semanais.

No país, mudança alcançaria 14,9 milhões na escala 6×1

Em todo o Brasil, o levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego identificou a jornada de 44,7 milhões de trabalhadores. Desse total, cerca de um terço ainda cumpre escala 6×1: são 14,9 milhões de pessoas que poderiam ser diretamente beneficiadas pela migração para o modelo 5×2.

Os dados nacionais também mostram que 38,6 milhões de trabalhadores declararam cumprir jornadas superiores a 40 horas por semana. Dentro desse grupo, 37,2 milhões trabalham 44 horas semanais, enquanto 1,4 milhão atua entre 40,1 e 43,9 horas.

A concentração da escala 6×1 varia por região. O Sudeste reúne o maior número de trabalhadores nesse regime, com 7 milhões de pessoas. Em seguida aparecem o Sul, com 2,9 milhões; o Nordeste, com 1,97 milhão; o Centro-Oeste, com 1,34 milhão; e o Norte, com 751,7 mil.

Entre os estados, São Paulo lidera em números absolutos, com 4,28 milhões de trabalhadores na escala 6×1. Depois vêm Minas Gerais, com 1,46 milhão; Rio de Janeiro, com 1,05 milhão; Santa Catarina, com 1,04 milhão; e Paraná, com 1,03 milhão.

Veja quantos trabalhadores podem ser beneficiados pelo fim da escala 6×1 em cada estado

Brasil — 14,9 milhões de trabalhadores
São Paulo — mais de 4,2 milhões
Minas Gerais — mais de 1,4 milhão
Rio de Janeiro — mais de 1 milhão
Santa Catarina — mais de 1 milhão
Paraná — mais de 1 milhão
Rio Grande do Sul — 830,5 mil
Bahia — 596,5 mil
Goiás — 576,2 mil
Pernambuco — 382,6 mil
Mato Grosso — 336,8 mil
Pará — 314 mil
Ceará — 254,7 mil
Mato Grosso do Sul — 239,5 mil
Espírito Santo — 212 mil
Distrito Federal — 192 mil
Maranhão — 166,5 mil
Rio Grande do Norte — 141,4 mil
Paraíba — 135,3 mil
Alagoas — 134,9 mil
Amazonas — 130,6 mil
Rondônia — 106 mil
Tocantins — 99,5 mil
Sergipe — 96 mil
Piauí — 64 mil
Acre — 37,5 mil
Roraima — 33,6 mil
Amapá — 29,4 mil

Fonte: saibamais.jor.br

Da Redação

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