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Café do RN une tradição familiar, inovação e aposta no semiárido

Em um estado historicamente marcado pela produção de frutas, castanha e pecuária, um novo movimento agrícola começa a ganhar espaço no interior do Rio Grande do Norte: produtores potiguares apostam no café não apenas como cultivo, mas como experiência, identidade regional e oportunidade de diversificação econômica.

A cafeicultura potiguar ainda está em fase inicial, mas já avança em municípios como Ceará-Mirim, Maxaranguape, São Miguel do Gostoso, Lagoa Nova, Portalegre e Jaçanã. O crescimento ocorre dentro do Projeto Cafés do RN, desenvolvido pelo Sebrae-RN, que reúne produtores em expansão produtiva e busca estruturar uma cadeia organizada desde a origem.

O foco está na criação de cafés especiais, no fortalecimento territorial e até na exploração do turismo de experiência em áreas rurais.

Atualmente, o projeto acompanha dezenas de produtores e contabiliza quase 27 hectares de café robusta e arábica em implantação e expansão no estado. Segundo Elton Alves, gestor do Projeto Cafés do RN do Sebrae-RN, o trabalho busca consolidar uma nova atividade econômica no território potiguar.

“O que estamos construindo hoje no Rio Grande do Norte é muito maior do que um projeto de incentivo ao cultivo de café. Estamos estruturando as bases de uma nova cadeia produtiva para o estado”, afirma.

De acordo com ele, o setor ainda enfrenta desafios técnicos e climáticos, mas já demonstra potencial de crescimento sustentável.

A valorização dos cafés especiais aparece como uma das principais apostas dos produtores locais. Em Jaçanã, o produtor Diogo Castro decidiu transformar uma tradição familiar em negócio e vê no café potiguar um diferencial ligado à identidade do semiárido.

“A decisão de apostar no café aqui no Rio Grande do Norte não nasceu por acaso, mas do desejo de tirar do papel um sonho do meu avô, já falecido, e do meu pai, que sempre acreditaram no potencial das terras da família”, relata.

Segundo ele, cultivar café no semiárido exige manejo técnico rigoroso, principalmente devido à escassez hídrica. “O clima exige muito, a água é escassa e o solo demanda um manejo extremamente técnico. Mas é justamente essa combinação de desafios que torna o projeto tão especial. O café que nasce aqui carrega a identidade e a força do nosso sertão”, destaca.

Além da produção, Diogo também aposta no turismo rural e pedagógico como forma de agregar valor à atividade. A ideia é aproximar consumidores do processo produtivo e criar experiências ligadas à cultura do café no interior potiguar.

Em Ceará-Mirim, a produtora Gerlane Magalhães também decidiu investir em cafés especiais após retomar uma tradição familiar. O pai dela chegou a cultivar 13 mil pés de café na década de 1970, experiência que influenciou a decisão de voltar à atividade décadas depois.

“Na década de 1970, meu pai tinha 13 mil pés de café. Cresci acompanhando essa produção, mas nunca imaginei que também plantaria café. Em maio de 2023, decidi retomar como experimento. Produzimos as mudas e hoje já temos mil mudas no campo, com produção e colheita, ainda em pequena escala, porque seguimos nos adequando à gestão da água”, conta.

Foto: cedida

Há três anos investindo na atividade, Gerlane afirma que o principal desafio continua sendo a disponibilidade hídrica, mas mantém a expectativa de consolidar um produto diferenciado no mercado.

“Apesar de todo o trabalho duro, principalmente por causa da questão da água, meu objetivo é produzir um café excelente que chegue à mesa do consumidor e proporcione um momento prazeroso”, afirma.

Enquanto tradicionais regiões cafeeiras brasileiras consolidaram suas produções ao longo de décadas, o Rio Grande do Norte tenta construir sua própria identidade no setor desde o início, apostando em assistência técnica, sustentabilidade e valorização territorial para transformar o café em uma nova alternativa econômica para o semiárido.

* Com informações do Portal Sebrae

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Fonte: saibamais.jor.br

Gil Araújo

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