A relação entre imagem, corpo e identidade está no centro de “Ecoar Ruídos”, exposição individual do artista Luca Delmas, que será aberta ao público entre os dias 3 e 12 de junho na galeria Conviv’art, localizada no Núcleo de Arte e Cultura (NAC). Com curadoria de Maria Sucar, a mostra reúne parte da pesquisa desenvolvida por Luca ao longo da graduação em Artes Visuais.
A exposição apresenta fotografias, xilogravuras, monotipias e cianotipias que dialogam com a ideia de “ruído imagético”, conceito que atravessa a produção do artista. A partir dessas linguagens, Luca investiga as imperfeições, deslocamentos e interferências presentes nas imagens como forma de refletir sobre a construção de um corpo dissidente e sobre sua experiência enquanto pessoa transmasculina.
Segundo o artista, a noção de ruído surgiu durante conversas com a curadora, quando ambos observaram características recorrentes em seus trabalhos. “Eu e Maria já vínhamos conversando fazia um tempo sobre uma exposição individual. Em uma dessas conversas, olhando meus trabalhos, veio a primeira noção do ruído presente neles. A partir daí fui aprofundando a pesquisa”, explica em entrevista à Agência Saiba Mais.
O título da mostra também nasceu desse processo. Quando surgiu a oportunidade de ocupar a galeria Conviv’art, artista e curadora retomaram o diálogo sobre a exposição. Foi então que surgiu “Ecoar Ruídos”, expressão que remete tanto à repetição característica das técnicas de gravura quanto à permanência dessas imagens e reflexões ao longo do tempo.
Inicialmente, o ruído foi percebido de forma mais literal. Luca conta que suas produções gráficas raramente apresentavam uma imagem completamente limpa. “Percebemos que minhas peças gráficas geralmente não possuíam muita limpeza, principalmente nas cópias feitas a partir de uma matriz”, afirma. Com o avanço da pesquisa, esse aspecto técnico passou a ganhar novos significados e se transformou em uma ferramenta poética para pensar identidade, visibilidade e representação.
A vivência transmasculina ocupa um lugar central nesse processo criativo. Para o artista, sua experiência pessoal não aparece como um tema fechado, mas como uma possibilidade aberta de construção de imagens e sentidos. “Entendo minha vivência transmasculina como possibilidades infinitas de existir. Na minha produção e pesquisa tento, por meio do ruído, construir artisticamente meu corpo desobediente, buscando uma ilegibilidade visível nos meus trabalhos”, diz.
A escolha das técnicas presentes na exposição também está ligada à trajetória acadêmica de Luca. Durante a graduação, ele se aproximou das artes gráficas e passou a investigar a natureza transitória das cópias e reproduções. Esse interesse o levou a concentrar suas experimentações em processos como a xilogravura, a monotipia e a cianotipia, linguagens que evidenciam marcas, variações e transformações de uma imagem para outra.
“Minha pesquisa de TCC é uma pesquisa em artes visuais sobre alguns desses trabalhos que apresento. Expor eles se torna mais um braço da pesquisa e também um pontapé na minha profissionalização enquanto artista”, afirma.
Luca espera que os visitantes tenham uma experiência sensível diante das obras. “Eu espero a possibilidade de uma experiência estética, seja ela agradável ou incômoda, para quem tiver a oportunidade de visitar”, resume.
A exposição estará aberta para visitação gratuita de 3 a 12 de junho, das 9h às 16h. A programação inclui ainda atividades paralelas, como conversas com a artista e pesquisadora Nóa Bonoba, o artista Ossy Erro, além de um encontro presencial entre Luca Delmas e a curadora Maria Sucar para discutir os processos de pesquisa e criação que deram origem à mostra.
SAIBA MAIS:
Arte e cannabis: exposição discute estigmas e resgata tradições em Natal
Fonte: saibamais.jor.br





