A luta antimanicomial é um movimento social que defende o cuidado em liberdade para pessoas com sofrimento psíquico e questiona modelos de tratamento baseados no isolamento em hospitais psiquiátricos. A mobilização ganhou força no Brasil a partir da década de 1980, impulsionando mudanças na forma como o país passou a tratar a saúde mental e consolidando a defesa dos direitos humanos dentro das políticas públicas da área, na data celebrada em 18 de maio.
A data marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e relembra o encontro de trabalhadores da saúde mental realizado em 1987, em Bauru, no interior de São Paulo, considerado um marco da reforma psiquiátrica brasileira. O movimento passou a defender a substituição gradual dos manicômios por serviços comunitários e humanizados, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), residências terapêuticas e centros de convivência.
Segundo a psiquiatra Isabella Lopes, a luta antimanicomial não significa ausência de tratamento, mas uma mudança na lógica do cuidado. “O objetivo é garantir que a pessoa seja tratada com dignidade, mantenha vínculos familiares e sociais e tenha acompanhamento multiprofissional, sem que o isolamento seja a principal resposta ao sofrimento psíquico”, explica em entrevista à Agência Saiba Mais.
No Brasil, a pauta ganhou respaldo legal com a Lei da Reforma Psiquiátrica, sancionada em 2001, que priorizou o atendimento em liberdade e fortaleceu a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir disso, os Caps passaram a ocupar papel central no atendimento a pessoas com transtornos mentais e usuários de álcool e outras drogas.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda existem desafios para consolidar o modelo de atenção psicossocial. Entre eles estão a falta de investimentos adequados em serviços substitutivos, dificuldades de acesso ao atendimento em algumas regiões e a permanência do estigma relacionado aos transtornos mentais.
No Rio Grande do Norte, a discussão também envolve a necessidade de fortalecimento da rede pública de saúde mental e da articulação entre os serviços. Em Natal, equipamentos como o Centro de Convivência e Cultura (CECCO), ligado à Secretaria Municipal de Saúde, desenvolvem atividades terapêuticas e culturais voltadas à promoção da saúde mental por meio da convivência comunitária.
As iniciativas incluem oficinas de teatro, música, pintura e artesanato, utilizadas como ferramentas de inclusão social e fortalecimento da autonomia dos usuários. A integração da arte ao tratamento é apontada por profissionais da área como uma estratégia importante para ampliar formas de expressão, estimular vínculos sociais e reduzir preconceitos relacionados ao sofrimento psíquico.
A psicóloga Luana Sobral avalia que a luta antimanicomial está diretamente ligada à defesa dos direitos humanos e à construção de uma sociedade menos excludente. Segundo ela, ainda persiste uma lógica social que associa pessoas com transtornos mentais à punição, ao isolamento e à institucionalização.
Outro desafio apontado no estado envolve a conexão entre comunidades terapêuticas e a Rede de Atenção Psicossocial. Relatórios do Conselho Federal de Psicologia já identificaram dificuldades de integração entre essas instituições e os Caps em municípios potiguares, o que pode comprometer o acompanhamento contínuo dos pacientes.
Fortalecer políticas públicas de saúde mental passa não apenas pela ampliação da rede de atendimento, mas também pela conscientização da população sobre o tema. O combate ao preconceito e a valorização do cuidado humanizado continuam sendo apontados como pilares centrais da luta antimanicomial no Brasil.
“Ainda existe muito desconhecimento sobre saúde mental. Muitas pessoas associam transtornos mentais à incapacidade ou à periculosidade, e isso dificulta tanto a inclusão social quanto a busca por tratamento”, finaliza a especialista.
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Fonte: saibamais.jor.br





