Nos dias 30 e 31 de maio, a terceira edição da Ocupação Literária transforma o Teatro Alberto Maranhão em um grande espaço de encontros entre leitores, escritores, artistas e diferentes formas de narrar o Brasil contemporâneo.
A proposta do festival é ocupar o TAM por inteiro. Palco, corredores, salão nobre e até os tradicionais camarotes passam a integrar a experiência do público, em uma escolha carregada de significado para a curadoria do evento:
“Os livros ocupando os camarotes, há uma mensagem muito forte nisso. A gente está acostumado, às vezes, a ver a literatura ocupando um espacinho pequeno, de canto. Quando a gente traz para o espaço nobre, para o que seria o espaço nobríssimo do teatro, é para mostrar essa possibilidade de ocupar qualquer espaço”, afirma o escritor potiguar Octávio Santiago, curador da Ocupação Literária, em entrevista à Agência Saiba Mais.
Segundo ele, a mudança para o TAM reforça a própria essência do festival. “A ocupação já nasceu com essa vontade de ocupar diferentes prédios públicos da cidade. Primeiro foi o Palácio da Cultura, depois permanecemos mais uma edição lá por um desejo coletivo de continuar vivendo aquele espaço. Agora chegamos ao teatro, que é um ícone da nossa cultura. Tem um valor especial visualizar a literatura ocupando um espaço que ela pouco frequenta”, diz.
Com entrada gratuita, a programação reúne autores consagrados nacionalmente, escritores potiguares, slams, performances, oficinas, lançamentos editoriais e atividades voltadas ao público infantil. Entre os convidados estão a escritora Ana Maria Gonçalves, autora de “Um Defeito de Cor”; a cronista e romancista Tati Bernardi; o jornalista e biógrafo Lira Neto; o escritor e tradutor Caetano Galindo; além de nomes da nova literatura brasileira, como Stênio Gardel, Bruna Dantas Lobato e Vitor Martins.
A literatura produzida no Rio Grande do Norte também ocupa lugar central no festival. Participam autores como Ana Santana, Maria Elza Bezerra Cirne, Gabriel Dantas, Thiago Gonzaga e Ivan Cabral, além de poetas e artistas da oralidade ligados à cena do slam.
Para Octávio Santiago, a curadoria busca justamente provocar encontros improváveis entre gerações, estilos e públicos diferentes. “A gente faz isso com gêneros diferentes, com gerações diferentes também. Você consegue visualizar crianças, jovens e pessoas da velha guarda literária convivendo no mesmo espaço. O que me anima é essa possibilidade de conhecer outras coisas, de não segmentar tanto”, afirma.
O curador destaca ainda que as escolhas da programação não passam apenas pelos nomes mais conhecidos do mercado editorial, mas também pelos debates que esses autores conseguem provocar. “A gente pensa muito nas pautas, nos debates que podem provocar alguma permanência, alguma sacudida no mercado e no público. O que a gente quer é que o festival continue reverberando para além de dois dias”, explica.
A abertura acontece no sábado (30), às 15h, com o encontro “Slam: voz que ocupa”, reunindo nomes como Amém Ore, Oya Iyalê, Acerola, Gaby Adaayo, Nayd, Nanduzz, Cally, Dayo, Makeda, Sirius e Lucca. A proposta reforça a presença da poesia falada e das batalhas de slam como expressões literárias contemporâneas conectadas à periferia, à oralidade e às disputas de narrativa.
No domingo pela manhã, a programação infantil aparece como uma das novidades desta edição. O público terá contação de histórias, música e teatro voltados às crianças e às famílias. Um dos destaques será o espetáculo “Cordéis e Canções para Pequeninos Corações”, da artista Mari Bigio.
Além das mesas literárias, o evento contará com sessões de autógrafos, feira de livros e lançamentos inéditos, entre eles “Tempos Áureos”, de Aureliano, e “O Menino Navegante”, de Ivan Cabral. As oficinas ministradas pelas escritoras Lilian Sais e Maria Valeria Rezende já estão com inscrições esgotadas.
Para Octávio, a rápida identificação do público com o projeto mostra uma carência antiga da cena cultural potiguar. “Hoje a gente não tem uma agenda muito ativa de eventos literários no estado. Então fico feliz porque percebo que a Ocupação ocupou muito rápido um espaço no coração das pessoas. Virou um evento de referência porque todo mundo, em alguma medida, se encontra lá”, afirma.
Ele conta que dois relatos costumam se repetir a cada edição. “Autores dizem que nunca tiveram a oportunidade de divulgar seus livros em um espaço como esse. E muitos leitores falam que nunca tinham entrado naquele prédio antes ou que nunca imaginaram aquele espaço recebendo um festival literário”, relata.
Para o curador, ver o centro histórico ocupado pela literatura é parte fundamental da proposta do evento. “Ver o teatro completamente ocupado pela literatura, com pessoas de diferentes gerações reunidas nesse desejo de consumir livros e cultura, é muito forte. Essa é a grande gasolina desse projeto”, resume.
A Ocupação Literária é realizada pela Quero Prosa, com recursos da Lei Djalma Maranhão, via Unimed Natal, e da Lei Câmara Cascudo, por meio da Riograndense Distribuidora. O evento conta ainda com apoio do Teatro Alberto Maranhão e patrocínio institucional do Sistema Fecomércio RN, por meio do Sesc RN. Confira a programação:
A entrada é gratuita e sujeita à lotação do teatro.
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Fonte: saibamais.jor.br





