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Marco de Touros pode voltar ao município de origem

O Marco de Touros, que remonta aos primeiros anos de ocupação portuguesa no território brasileiro, pode retornar ao seu município de origem, em Touros, no litoral do Rio Grande do Norte. Ao menos esse é o desejo da Prefeitura da cidade, que na semana passada realizou uma reunião com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, para apresentar a demanda.

O monumento histórico, originalmente fixado no município de Touros, foi o primeiro marco de posse de terra firmado no território brasileiro. Ele está desde 2021 no Museu Câmara Cascudo (MCC), uma unidade especial da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em Natal. Antes disso, passou pelo Forte dos Reis Magos, também na capital potiguar, onde chegou em 1976. 

Em Brasília, a ideia apresentada pelo prefeito Pedro Filho (PSD) foi que pudesse ser construído um museu em Touros para abrigar o objeto. Segundo o superintendente do Iphan no Rio Grande do Norte, João Gentil, que também participou da reunião, para que a ideia seja concretizada é preciso que sejam avaliadas as condições técnicas para a transferência. Ainda não há confirmação da mudança, e uma nova reunião em breve com os técnicos do Iphan deve ser realizada.

“Nós precisamos ver qual o local, onde é que vai ficar, como é que vai ser a questão da oxigenação. Várias coisas técnicas que os arqueólogos precisam ver e revisar para que a gente possa autorizar [a transferência]”, explica João Gentil.

O Marco Quinhentista, como também é chamado, é o monumento histórico mais antigo registrado no estado e teria sido instalado pelos portugueses na costa do Rio Grande do Norte no dia 07 de agosto de 1501 — o que também o tornaria o mais antigo marco da chegada dos portugueses ao país, segundo Luis da Câmara Cascudo. O monumento foi tombado em 1962.

Foto: Victor Eduardo/Museu Câmara Cascudo

Feito de mármore, o Marco de Touros tem 1,2 metro de altura, 30 centímetros de largura e 20 centímetros de espessura. Na parte da frente, há uma cruz e um escudo em alto relevo. A peça também tem uma marca de fratura e que pode ter sido remendada com argamassa, além de várias marcas de lascas e esfoliações. É que a população da Praia do Marco, então no município de Touros, acreditava que a coluna de pedra tinha propriedades milagrosas e usavam pedaços de mármore para fazer chás milagrosos.

“O Marco de Touros para nós potiguares é um dos maiores achados arqueológicos que nós temos no Rio Grande do Norte”, define o superintendente do Iphan.

A Agência SAIBA MAIS também procurou o prefeito Pedro Filho, mas não obtivemos retorno. 

Chegada dos portugueses pode ter ocorrido pelo RN

Um estudo publicado no Brazilian Journal of Science contesta a versão oficial sobre a chegada dos portugueses ao Brasil. A pesquisa aponta que o primeiro ponto de contato da missão de Pedro Álvares Cabral com o território nacional ocorreu no Rio Grande do Norte, e não em Porto Seguro, sul da Bahia, como consta nos livros de história. 

Para sustentar essa afirmação, os professores Carlos Chesman, do departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Cláudio Furtado, da Federal da Paraíba (UFPB), que lideram o estudo, refizeram cálculos e combinaram dados físicos, mapas interativos, imagens de satélite e cruzaram documentos da época com evidências geográficas e oceanográficas.

Os pesquisadores converteram os dados de distância mencionados na carta de Pero Vaz de Caminha e simularam a aproximação da costa usando softwares. Também realizaram expedições mar adentro para fotografar, a partir da mesma distância descrita na carta, as montanhas avistadas pela esquadra. O estudo indica que o monte avistado em 1.500 (indicado nos livros como Monte Pascoal) seria, na verdade, o Monte Serra Verde, localizado no interior do RN, perto de João Câmara.

Saiba Mais: Estudo aponta que chegada dos portugueses ao Brasil ocorreu pelo RN e não pela BA

Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Cabral, descreveu em sua famosa carta as profundidades do mar e uma montanha alta e arredondada avistada do navio. Segundo os pesquisadores, a descrição bate com a geografia do litoral potiguar, mais especificamente com a região entre as praias do Marco, e de Zumbi, em Rio do Fogo, próximo à foz do rio Punaú.

As simulações por GPS indicam que a chegada pela Bahia não corresponderia aos ventos e correntes da época. Já a rota pelo RN segue o trajeto natural das correntes atlânticas, descritas nos diários de navegação do século XV.

A localização do desembarque na carta também coincide com a existência do marco português, hoje representado por uma réplica na praia do Marco. O ponto sugerido para esse desembarque fica a cerca de 60 quilômetros dali, exatamente como descrito no documento histórico.

Fonte: saibamais.jor.br

Valcidney Soares

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